POV. Meredith
Era óbvio que ele estava alcoolizado, vinha quase aos trambolhões. Sem que ninguém percebessem, fui na direção dele.
-O que estás a fazer aqui? Vai embora Thatcher...
-Não! Eu quero ver a minha mulher, eu posso cuidar dela, eu posso cuidar... Eu posso cuidar dela, só... deixem-me cuidar dela.- apesar dos meus esforços para que ele não gritasse, a atenção de todos já estava em nós.
-Thatcher...
-Não, eu vou cuidar dela. ELLIS!- eu tantava dizer-lhe que ela não estava mais viva, mas ele não me ouvia.
-THATCHER... ELA MORREU!- ele parou. Não gritava, não tentava passar por mim, não se mexia. Ele encarava o caixão de longe, onde estava toda a gente a olhar para nós. Por fim, ele consegue passar por mim e vai até ao caixão, comigo atrás dele.
Eu sabia que ele amava Ellis e custou-me vê-lo abraçado ao seu corpo a chorar.
-A culpa é tua... Ela não queria fazer a cirurgia, a culpa é toda tua...
-O que?- e foi quando senti uma ardência na minha bochecha. Ele bateu-me?- O que diabos há de errado contigo?- pelo canto do olhos vi Derek ser agarrado por Alex e por Mark. Lexie tinha a mão na boca em choque.- Ela morreu e então? Já não estava aqui a fazer nada...
-Tu não a conhecias...
-Óbvio, ela nunca estava em casa!
-Ela era uma mulher bonita, divertida, frágil e magnífica...
-Ela nunca esteve presente Thatcher... Ela nunca esteve lá, queres que tenha pena?- ele andava de um lado para o outro com as mãos na cabeça. Maioria das pessoas já tinham ido embora. Só restavam, Arizona, Mark, Callie, Cristina, Derek, Alex e Lexie.
-Ela amava-nos...- ri-me horrores com aquela afirmação...
-Aquilo era amor?
-Era! Nós amava-mos vocês a duas...
-Hum, então porque é que ela foi embora? Ela esteve anos sem voltar para casa, nem tu sabias nada dela...- neste momento eu não me importava quem estava a ouvir, até o padre podia ali estar, que eu não me iria calar.
-Tu não sabes do que estás a falar...- eu estava a magoa-lo e sabia disso, mas ele precisava de ouvir as verdades.
-Se ela nos amava tanto como tu dizes, porque é que ela desapareceu? Ela nunca esteve presente... Ela preferia festas a estar connosco!- apontei para mim mesma e para Lexie. Thatcher que tentava falar por cima de mim, parou quando o meu tom de voz ficou mais elevado.- Eu tinha 9 anos e tinha de tratar de ti e da Lexie.- na altura Lexie tinha 3 anos, e eu era só uma miúda que tinha de tratar do pai bêbedo e de uma bebé com apenas 3 anos. Aproximei-me mais dele, para que ele olhasse para mim.- Eu estava no 4° ano e arrastava-te do quintal para dentro de casa, para que não morresses ao frio. EU fazia a comida, EU arrumava a casa, EU limpava o teu vomitado, EU colocava a Lexie para dormir, EU mudava a fraldas dela e EU estava lá quando ela teve a sua 1° menstruação... Não a Ellis, EU!- ele mantinha a cabeça baixa.- Não valia a pena contar contigo para nada, estavas sempre perdido de bêbedo... Ela era uma bêbeda e uma drogada...
-Chega!- ele agarrou o meu braço com força, mas consegui livrar-me dele. Como nem se aguentava em pé, caiu não chão.
Observei como as minhas palavras o tinham magoado, e não me arrependi de nada do que disse. Dei mais uns passos, ficando mesmo na frente dele.- Ela nunca gostou de mim...- fiz uma pausa e agachei-me na sua frente, pegando no seu queixo para que ele olhasse exatamente nos meus olhos.- E ela nunca te amou... Ela não gostava de ninguém a não ser dela própria...
-Por favor...- ele chorava que nem um bebé. Virei as costas e andei para perto de Derek.- Estou feliz que ela esteja morta, pelo menos assim não nos lixa mais...
Senti-me muito mais leve depois de tudo o que disse. Sabia que Derek me seguia em direção ao carro, mas não estava com paciência para ouvir mais uma palestra sobre ser mimada.
-Mer...- eventualmente, ele iria apanhar-me, não iria sair disparada a andar por aí só para não o ouvir. Encostei-me ao carro, de frente para ele, pronta para a palestra, mas em vez disso, ele abraçou-me. Fiquei sem reação, mas acabei por abraça-lo de volta.- Desculpa por tudo o que disse...- afastei-me do seu abraço, só um pouco, para conseguir olhar para ele, queria dizer alguma coisa mas perdi-me nos seus olhos azuis. Ele dava-me tanto conforto que chegava a ser assustador, mas a forma como ele me olhava... Fazia-me sentir tão amada...
Amor... É ótimo, até o momento que o perdemos. Costumava dizer a Lexie que ficava melhor sozinha, sempre que ela me tentava apresentar alguém, e não era porque eu achava que ficaria melhor sozinha. É mais fácil assim, porque e se nós percebemos que necessitamos de amor e depois não o temos? E se nós gostarmos da sensação? E se nós fizermos a nossa vida toda à volta dessa sensação e depois tudo isso acabar? Será possível sobreviver a essa dor? Perder o amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diferença é, a morte acaba com a dor e isto? Isto pode continuar para sempre...
Olá olá!
Aqui está mais capítulo porque vocês merecem! ❤️
Um beijo!
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A cuidadora
FanfictionO poderoso Derek Shepherd, presidente das empresas Shepherd, vê-se com um bebé, depois de um caso de uma noite. Meredith, criada à volta de álcool e drogas, precisa urgentemente de emprego para ajudar os seus pais. Poderão ajudar-se um ao outro, ou...
