Capítulo 14

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   Claire
 
      Eu estava na floresta novamente, no belíssimo jardim. Sentei e toquei a melodia que eu tanto amava.
- Vejo que não esqueceu.
   Um menino loiro se aproximou de mim pegando a rosa que estava em cima do piano.
- Quem é você? - pergunto parando de tocar.
- Ah, Claire. Você já sabe. - disse ele sentando ao meu lado.
   Eu o encaro. Aqueles olhos azuis são familiar, impossível de se esquecer.
- Claire, encarar as pessoas é falta de educação. - disse ele. - A mamãe não te ensinou isso?
   Fiquei sem palavras. Ele começou a tocar uma melodia rápida, também me era conhecida.
- Nos veremos em breve, espero. Ou talvez não.
- Josh! - grito e ele sorri.

- Josh! - acordo gritando.
   Peter estava ao meu lado, ainda dormindo.
   Sento na cama, prendendo o meu cabelo. Levanto procurando pela Mia. Ela estava dormindo em seu quarto. Volto para o quarto e me sento na cama refletindo. Pego meu celular para ver a hora, são sete horas da manhã, ainda. Pensei na possibilidade de alguma mensagem da Molly, mas n tinha nada.
- Ei. - digo acariciando o cabelo do Peter.
- Ei. - disse ele voltando a dormir.
- Peter? - o chamo carinhosamente.
- Eu. - disse ele me encarando.
- Te amo.
- Também te amo. - disse ele sorrindo e me beijou.
    Meu celular começa a tocar.
- É a Molly, preciso atender. - vou para a varanda atender o telefone.
- Hey gatinha! E aí, vamos? - pergunta ela.
- Claro! Vou tomar um banho e me arrumar.
- Ah, ótimo! Preciso passar naquela loja que vende uns sapatos super fofos!
   Começo a rir.
- Ah Claire!!!! Vamos comprar o seu vestido!!! - disse ela empolgada.
- Vestido? - pergunto curiosa. - Que vestido Molly ?
- Do baile, horas. Pra que mais seria?
- O baile. - disse baixinho. - Tinha esquecido completamente!
- Não acredito! É semana que vem, Claire.
Fiquei muda no telefone. Tanta coisa com que se preocupar, e ela pensando em baile. Mas ela não tem culpa. Toda essa responsabilidade é minha, não dela.
- Tudo bem. Vamos comprar o seu vestido. - disse ela com uma voz caridosa.
- Ok então. Vou tomar um banho. Daqui a pouco eu te ligo. Beijos.
- Beijos.
   Fui direto para o banheiro. Tomei um banho frio, para refrescar. Só tinha uma semana que eu não ia para a escola, nem o Peter. Mas ele parecia não se importar. O baile é daqui à a uma semana, e ele também não disse nada, acho que se esqueceu também. Vou pegar as matérias com a Molly hoje, não posso atrasar a matéria. O ano já está na metade, e eu me lembro do primeiro dia como se fosse ontem. A Molly disse que o Matt também não está indo, uma coisa estranha. Mas eles saem de noite, vão jantar fora ou vão ao cinema. Acho que a Molly gosta mesmo dele.
   Coloquei uma roupa fresca, uma blusa simples e uma calça jeans. Sai do banheiro e o Peter estava sentado na cama.
- Você precisa ir mesmo? - pergunta ele, apoiando o rosto com as mãos.
- Sim. - digo.
- Ok, então. Vou tomar um banho, não vou demorar.
   Fiquei na varanda por um tempo. A única coisa que passa em minha cabeça é ele. Josh.
   Peter saiu do banheiro e me abraçou.
- Tem certeza absoluta que você vai, né?
- Sim.
- Nada vai fazer você mudar de ideia...?
- Não. - digo sorrindo.
- Será? - Peter me puxa para perto de si, me beijando.
- Não vou mudar de ideia, Peter. - digo sorrindo.
- Tudo bem, então. Eu tentei. - disse ele sorrindo.
   Descemos as escadas. A casa estava bastante silenciosa.
- Vamos de moto, se importa?
   Não respondi. A moto já estava estacionada em frente à casa.
- UAU! Peter...
- Ela é linda, não é? - disse ele com orgulho.
- É perfeita! É uma Harley?
- É sim. A mais nova que tinha na loja. Modelo 2015. Eu ainda prefiro os modelos antigos, mas não tinha.
   A moto era enorme. Era um azul metálico. E era muito alta. Muito linda.
- Quando você comprou? - pergunto sorrindo.
- Semana passada. Não sei porque, mas eu preferir essa.
- Essa é linda!
   Peter riu de mim. Talvez por eu ter dito isso pela terceira vez.
- Vamos, sobe aí. - disse ele me entregando o capacete.
   Subi na moto e coloquei o capacete.
- Pronta? - pergunta ele.
- Sim.
- Se segura.
   Peter acelera. Quase que eu escorrego, mas o abraço por trás, para não ter o risco de cair novamente. Ele acelera cada vez mais, me fazendo rir.
   Chegamos rapidamente na casa da Molly.
- Seu recorde! Dois minutos. - digo descendo da moto.
   Tiro o capacete e o Peter desce da moto.
- A Molly vai demorar muito? - me pergunta.
- Não sei. Acho que não. - digo.
- Bom, não posso me atrasar.
- Se atrasar? Pensei que você ficaria o dia todo deitado no sofá assistindo televisão e comendo salgadinhos, só para engordar.
- Pensou assim? Não, não gosto de salgadinhos. - disse ele sorrindo. - Tenho um compromisso daqui a pouco.
- Ah... - Peter me abraçou por trás encostando na moto.
- Talvez eu chegue cedo em casa.
   Não digo nada.
- Devo demorar. Acho que a Molly vai querer entrar em todas as lojas do shopping. Talvez eu fique na biblioteca.
   Me lembrei do senhor da biblioteca. Bobby era o seu nome. Precisava saber mais sobre os magos, talvez ele poderia me ajudar.
   Olhei para o chão. Não disse nada para ninguém, sobre o meu "trabalho escolar". Preciso falar para o Peter, mas não agora.
   Peter sorriu.
- Acho difícil imaginar você comprando roupas, sapatos e bolsas que combinem.
- Também acho difícil. - sorrimos.
   Peter me encara e me beija. Ele me toca de leve, como se a qualquer momento eu fosse quebrar.
- Ah, não! Hoje é o nosso dia, Peter! - disse a Molly da porta da frente, abraçou o Peter.
- Oi Molly! Vim trazê-la. - disse ele segurando a minha mão.
- Vamos? - disse ela.
- Tchau. - disse o Peter, me puxando para um beijo.
- Peter! - disse a Molly impaciente entrando no carro.
- Tenho que ir. - digo e o Peter me abraça forte.
- Te amo, barbie. - disse ele sussurrando no meu ouvido.
- Também te amo.
   Molly buzinou três vezes. Dou um beijo na bochecha dele e vou em direção do carro.
   Molly dá ré com o carro. Peter fica nos encarando. A Molly buzina, como se tivesse se despedindo. Olho para o retrovisor e vejo o Peter subindo na moto e indo na direção oposta da nossa.
- Como você está, Claire? - pergunta a Molly, me tirando dos meus pensamentos.
- Estou bem, e você?
- Mais ou menos. Estou com saudades do Matt. - disse ela.
- Ah... Amiga, não sei porque, mas você já sentiu um vazio no peito? Como se algo estivesse faltando?
- Já. Esse "algo" se chama Peter, Claire. Você está mais do que apaixonada. - disse a Molly.
   Tentei questionar a teoria dela, mas me calei. Porque no fundo, eu sabia que era verdade.
   Sorri e voltei olhar para o mar
  

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