Capítulo 24

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Mia

Eu estava sentada em um banco, olhando para o pôr do sol, do lado de um penhasco. O clima estava agradável e o som das ondas batendo contra as pedras soava como uma linda melodia. Fechei os olhos para sentir o calor passar pelo meu casaco, um calor suportável. Respiro fundo.
- Oi pai.
- Oi querida.
Meu pai estava ao meu lado, com a mesma jaqueta de couro marrom, blusa branca e sua calça jeans surrada.
- Como anda as coisas?
- Um pouco complicadas. - digo olhando para baixo. - Minha mãe ainda está doente. Não sabemos o que aconteceu com ela.
- Querida, existe vários tipos de doenças. - meu pai segurou a minha mão, ele sempre fazia isso quando meu contava uma notícia ruim. - E existe também doenças físicas e espirituais. Sua mãe não está bem, espiritualmente. Entende?
- Sim. - digo tentando conter as lágrimas. - Então quer dizer que ela não vai melhorar?
- Eu não sei, filha. Sinto muito. quero que saiba, que você é muito forte e inteligente, como o seu irmão. E que você vai saber o que fazer.
Comecei a chorar. Não conseguia encará-lo. E se a minha mãe morresse? O que eu iria fazer?
- Por que acha que eu vou saber o que fazer? Por que quem vai estar sou eu! E o Peter? Ele vai fugir como você? Vai viver em um acampamento e me visitar duas vezes ao mês? Eu não vou aguentar, pai!
Acho que eu peguei meio pesado, mas eu não estava aguentando. Eu chorava todas as vezes que ele partia de uma visita. E tenho certeza que ele parecia culpado.
- Filha...
- Tudo bem, pai. Sei que sente muito. Mas eu nunca vou esquecer os dias que passei chorando por você. Você tem dois filhos sabia? Que sofreram com a sua ausência.
Meu pai ficou encarando o chão, sem saber o que falar.
- Querida, eu sei que fui covarde, você vai entender isso um dia. Mas eu fiz de tudo para proteger vocês. Minha família. Não queria levar o mal para casa.
agora percebo que eu estava prendendo a respiração.
- Não queria fazer isso com vocês. O que eu mais queria era afastar o meu mundo da minha família.
- Sinto muito te decepcionar, pai. Mas somos parte dele agora.

Acordei com medo, estava tudo muito frio. Levanto da cama e percebo que o Peter e a Claire não estavam em casa.
Sempre me sentia mal quando discutia com a minha mãe ou meu pai. Senti um aperto no coração, eu não aguentava mais.
Sentei na cama, abraço meu ursinho de pelúcia e comecei a chorar.
Meu pai queria afastar tudo de mim, mas não do Peter. Ele sabia que o Peter serviria para ser um protetor, um mago guerreiro, que ele honraria o seu trabalho. Mas o que ele não entendia, era que, eu posso ser melhor do que o Peter. Posso ser melhor do que ele. Eu posso ser um tipo diferente de mago, uma bruxa talvez.

A EscolhidaOnde histórias criam vida. Descubra agora