Fiquei horrorizada pelo o que acabou de acontecer. Se eu ficasse mais um segundo ali, iria desmaiar.
- Preciso de ar. - digo saindo do quarto.
- Ei, Claire! Espera! - em um pulo a Mia estava ao meu lado. - Ele é perigoso. Não pode andar por aí. Não sabemos quem ele é.
Seu rosto ganhou um tom mais sério e responsável. Por um momento parecia que ela era mais velha, e não aquela garotinha sorridente.
- Eu sei quem é. - disse o Peter pálido.
Eu e a Mia paramos e o encaramos.
- O chamam de a Mão Negra. Para nós, protetores, ele é uma lenda que todos temem. Dizem que ele some com a sua felicidade só em olhá-lo. Ele é a escuridão e a solidão em pessoa. Nunca o encontrei, ninguém nunca o encontrou. Apenas meu pai.
Peter abaixou a cabeça.
Mia não pareceu nem um pouco triste.
- Posso perguntar para ele essa noite... - disse a Mia baixando a cabeça.
Peter passou por nós duas e saiu de casa.
- Claire...
- Espere aqui Mia. Vou lá falar com ele. Você está bem? - pergunto segurando seus ombros.
- Sim.
- Tudo bem. Fique aqui na sala, okay? Qualquer coisa grita.
- Okay.
Passei pela porta da entrada. E respirei fundo o ar frio da noite. Ele estava sentado nas escadas. Suas mãos estavam fechadas e brancas pela força. Sento ao seu lado do Peter sem falar nada. Encosto minha cabeça em seu ombro e entrelaço nossos dedos. Peter estava chorando.
- Ei. - digo.
Ele limpa as lágrimas.
- Desculpe. - disse ele apertando a minha mão.
- Não se desculpe. - digo.
O silêncio paira entre nós dois.
- Eu não sei porque ela consegue vê-lo. As vezes sinto a falta dele, sabe? Aí eu escuto a Mia sussurrando em seu quarto.
- Não os culpe, Peter. - digo.
- Não estou culpando ninguém. Só sinto falta de tudo como era antes, entende?
- Claro que eu entendo. À alguns meses atrás, nunca imaginei que minha vida fosse virar de cabeça para baixo. Minha avó faleceu, tenho visões, tenho um irmão gêmeo e o meu namorado é um protetor. - digo sorrindo.
Ele sorri e me beija.
- Sei que não é o momento... - disse ele pegando algo no bolso de trás de sua calça. - Bom, depois de todos esses anos, finalmente vou te convidar para ir no baile comigo.
Peter estava segurando um par de convites.
- E eu estava esperando todos esses anos.
Sorrimos um para o outro.
- Eu sempre gostei de você, Claire. Muito antes de saber que éramos especiais.
- E por que nunca me disse isso?
- Não sei. Não levo muito jeito para essas coisas. - disse ele. - Sempre que eu tomava coragem em te convidar, você já tinha um par.
Sorri. Eu estava cansada, foi um dia muito longo.
- Eu tenho saudades dela, sabia?
Peter continuou calado tentando lutar contra às lágrimas.
- Minha avó era diferente. A única que me entendia.
- Ela era a senhora mais simpática que eu já conheci.
Sorrimos.
- Queria ter ido no funeral dela, mas não me sentia bem.
Sinto a mesma brisa fria vindo do mar.
- É melhor entrarmos. A Mia precisa da gente.
- Claire. - Peter me chama.
- Oi. - digo virando para encará-lo.
- Eu te amo.
- Eu também te amo! - digo abraçando-o.
Sorrimos um para o outro.
"Que cena linda..."
Aquela voz fria novamente.
Olhei para a mata e vi a forma de homem.
Abro a porta.
- Acho melhor ficarmos aqui dentro. - digo.
Olhei pela janela ao lado da porta. A sombra do homem não estava mais ali. Me senti mais aliviada.
Sentei ao lado da Mia no sofá e ela me abraçou chorando.
Peter subiu as escadas.
- Minha mãe está bem. - disse ele voltando.- Vou fazer algo para comer.
Concordei com a cabeça. Ligamos a TV e assistimos um desenho.
- Aqui. - Peter trouxe um pote com pipoca.
- Estou sem fome. - disse a Mia. - Vou tomar um banho.
Ela subiu as escadas correndo. Eu entendia que ela precisava de um tempo sozinha.
Peter sentou ao meu lado.
- Que dia, hein. - disse ele forçando um sorriso.
Sorri. Estava cansada e preocupada.
Assistimos um filme de terror.
- Lembra desse filme? - pergunta ele. - Foi o filme que assistimos quando fui na sua casa.
- Ah, verdade. Você até ficou com medo. - digo sorrindo.
- Eu com medo? Acho que isso nunca aconteceu. - disse ele ironicamente.
Sorrimos.
O filme acabou.
- Deixa aí. Eu lavo a louça hoje. - digo.
- Vou vê a minha mãe, já volto. - disse o Peter atrás de mim.
Lavei a louça e olhei para a janela.
"Ele não lhe contou toda a verdade, Claire. E ainda diz que gosta de você. Pergunte para ele o que ele realmente é. Ele não é um protetor, Claire. O Peter é igual à mim. Ele é um guerreiro."
A sombra estava diante de mim, mas na mata fora da casa.
A janela ficou embasada.
Eu queria gritar para me deixar em paz, mas algo dentro de mim sabia q isso não seria possível.
"Vou estar sempre aqui , Claire.
Sou o seu pior pesadelo.Fiquei paralisada. Não conseguia me mecher.
- Claire? - disse a Mia.
Meus olhos estavam lacrimejando. Eu sabia que era ele o culpado de tudo isso.
- Claire? - disse a Mia me tocando.
- Ai meu deus. - sussurrei.
Do lado de fora da casa, ele sorriu para mim, mas agora ele não era mais uma sombra.
" As pessoas que mais amamos são as que mais nos machucam, Claire. "
Sua voz era fria.
Ele sorriu e sumiu outra vez.
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A Escolhida
FantasiaEstava escuro e frio. Olhei no relógio e eram três da manhã. Uma pequena melodia estava tocando baixinho. Levantei da minha cama e abri a porta devagar. Uma luz muito forte lá de baixo chamou a minha atenção . Fiquei curiosa e desci as escadas. Paro...