Capítulo 2

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Acordei outra vez molhada de suor e chorando incontrolavelmente devido a um pesadelo terrível

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Acordei outra vez molhada de suor e chorando incontrolavelmente devido a um pesadelo terrível. Era sempre assim desde que cheguei ao convento, minhas noites se tornaram um verdadeiro pesadelo. Nunca mais tive uma noite de sono tranquila.

- Melissa, minha filha, está tudo bem? - Ouço a voz preocupada da madre Tereza misturada com batidas fortes na porta do meu pequeno quarto.

- Sim, madre, estou bem - Era mentira, nunca estive realmente bem depois daquele dia, que Deus me perdoe por tamanha mentira.

- O café da manhã está pronto, venha rápido - Ela avisa e saí, ouço os barulhos dos seus passos se distanciando.

Me espreguicei na cama me levantando. Observo meu quarto, ele é pequeno, em um canto tem uma pequena cômoda onde guardo minhas roupas, no outro tem um cavalete e por fim minha escrivaninha ao lado da minha cama de solteiro. Não temos luxo aqui, sobrevivemos à base de doações. A igreja que fica no convento é bem frequentada, e os fiéis são pessoas muito caridosas. Ainda estou em Saint Jacobs, o convento está localizado no finalzinho da cidade, ele é frequentado por pessoas ricas, na verdade, a única necessitada aqui sou eu, nunca vi pessoas em situações precárias vim aqui. As outras noviças são ricas e estão aqui devido aos pais, por isso nunca senti medo de minha mãe descobrir onde estou.

O padre Felipe é quem comanda tudo isso, ele está aqui há muito tempo, ele quase não sai do convento, e não fala de sua vida pessoal ou se tem parentes, ele é um homem sozinho. Quando cheguei ele não queria que eu ficasse, afinal eu era uma pessoa totalmente estranha, sem documentos e não conseguia falar nada sobre minha vida, até hoje não consigo, a única coisa que sabem sobre mim, é meu primeiro nome e minha idade. As madres e o padre já tentaram arrancar informações, mas não consigo dá-las as lembranças doem muito, hoje eles não tentam tanto, mas minha forma de tratamento das outras é bem diferente, ninguém gosta de mim.

Com muito esforço a madre Tereza convenceu o Padre a me deixar ficar, mas fizemos um trato, assim eu completar dezoito anos terei que me tornar freira se eu quiser continuar vivendo aqui, caso eu não faça isso serei expulsa sem clemência. Como não havia outra escolha, aceitei o acordo. Eu não era uma pessoa religiosa, em casa meu pai e minha mãe iam às missas de domingo, mas nunca tive um aprendizado correto para seguir a religião. Com o passar do tempo aprendi amar Jesus e me tornei uma noviça perfeita aos olhos do padre. Em poucos dias é meu aniversário e ainda não sei o que devo fazer, meu coração diz uma coisa, mas meus pensamentos estão me levando para outra.

Deixo minhas dúvidas de lado e me arrumo para o café. Após me banhar, tranço meus longos cabelos em uma trança firme, eles são longos e volumosos, às vezes a madre Tereza tirava as pontinhas, mas nunca cortei demais. Gosto dos meus cabelos, eles me trazem uma sensação boa, uma sensação de tranquilidade e paz. Termino meu penteado e coloco meu hábito e estou pronta para mais um dia.

No salão principal todas as freiras e noviças estavam tomando o café matinal conversando animadas sobre o dia a dia. Quando sente minha presença todas se calam na mesma hora. Muitos aqui não gostam de mim, na verdade, e praticamente todos. Eles supõem que o demônio está em meu corpo porque não gosto de ser tocada. As outras noviças não fazem questão de tentar transparecer o repúdio que sentem ao ficar no mesmo ambiente que eu. Não tenho amigas e na maioria das vezes ninguém para conversar, minha única companheira aqui é a madre Tereza, mas ela tem muitas obrigações. No meu tempo livre fico no jardim cuidando das flores, isso me distrai e amo cuidar delas.

Senhor LancasterOnde histórias criam vida. Descubra agora