Capítulo 18

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- Amélia Albuquerque, quando pretendia me contar que escreveu um livro importante? - Gritou Cristal enquanto invadia o meu dormitório - Tem ideia de quantas vantagens isso traria para minha vida? Você é tão egoísta - Rosnou irritada e totalmente fora de si.

- Olá, minha amiga, é claro que você pode entrar no meu quarto - Zombei desviando a atenção do livro trouxa que ganhei de minha mãe - E respondendo sua pergunta, tudo aconteceu rápido demais, não tive tempo e muito menos opções - Afirmei, não querendo prolongar o assunto.

- Eu quero o meu nome nesse livro - Gritou e bateu os pés no chão, uma atitude dramática e desnecessária.

- Desculpe, poderia repetir? - Questionei e fechei o livro, o colocando sobre a pequena mesinha ao lado da cama.

- Eu quero que o meu nome esteja bem ao lado do seu, em destaque e bem aparente - Repetiu em alto e bom som.

- Não, definitivamente, isso não vai acontecer - Respondi de imediato, sem nem pensar duas vezes.

- Pensei que fossemos amigas - Lamentou, balançando a cabeça de um lado para o outro.

- Eu também, mas você mudou muito desde que começou a namorar essa cara, eu quase não  te reconheço mais - Desabafei, colocando tudo para fora - Você era tão doce, gentil e bondosa, o que aconteceu nesse meio tempo? - Perguntei sentindo uma pontada de culpa e responsabilidade.

- O que aconteceu? Eu cansei de viver na sua sombra, sendo apenas a melhor amiga da aluna mais brilhante e talentosa do Castelo Bruxo - Cristal riu friamente, mostrando quem realmente é de verdade - Eu mereço bem mais do que as migalhas que você tem oferecido, não pretendo ser a coadjuvante em sua história, tenho potencial para ser bem mais - Sorriu e não encontrei emoções ou verdade no gesto.

- Espero que consiga alcançar o que tanto deseja - Anunciei ao vê-la prestes a ir embora, é triste que uma amizade de tantos anos termine dessa maneira.

- Acredite, eu vou conseguir, de um jeito ou de outro - Respondeu e um arrepio macabro e cheio de alerta e premonição percorreu minha espinha, isso nunca é um bom sinal.

 Observei a jovem bruxa sair do cômodo e bater a porta com extrema força, meu coração estava apertado e havia um nó latente em minha garganta. Nos aproximamos logo nos primeiros dias de aula, Cristal não possuía muitos amigos devido a sua origem indígena, me aproximei e descobri termos muitas coisas em comum, como a paixão pelos animais e a curiosidade e interesse em realizar importantes descobertas.

 Fomos inseparáveis por muitos anos e sempre protegemos uma a outra, mas em algum momento as coisas seguiram por outro caminho, foi estupidez fingir que nada havia mudado. O ápice aconteceu durante esse ano letivo, Cristal ficou mais ambiciosa e indiferente aos sentimentos dos outros, além de ignorar completamente seus deveres e obrigações como estudante de magia e bruxaria, desperdiçando um enorme potencial de carreira, ela era formidável.

 Infelizmente, tenho que aceitar sua decisão e torcer para que ela obtenha sucesso e tudo aquilo que almeja em sua trajetória, incluindo felicidade em sua vida participar. Respirei fundo e olhei pela enorme janela, a imensidão cheia de calmaria e paz oferecida pela floresta Amazônica é algo impressionante, é em momentos como esse que percebo que somos apenas grãos de areia em meio ao vasto universo.

(...)

 A sensação de angustia e recentimento permaneceu firme e forte, as palavras duras e o comportamento hostil de Cristal continuaram presentes em meus pensamentos durante um longo período. Os dias foram passando e a venda do livro estava a todo vapor, foi constrangedor e surpreendente receber tanta atenção, ser o foco dos holofotes e o centro das atenções nunca foi o objetivo.

Castelo Bruxo - Newt ScamanderOnde histórias criam vida. Descubra agora