P.O.V. Hope.
Eu não tô acreditando onde ele me trouxe. Quer dizer, porque aqui? Porque esse lugar?
Ele me trouxe para o Hotel Carmilla. O lugar onde seu criador, sua figura paterna, uma das pessoas que ele mais amava... morreu! Tipo, queimou até a morte. Assim estou passada. Em choque. Será que ele está tentando me dizer alguma coisa? Não falei nada. Ele foi até a recepção, fez check in e depois fomos ao restaurante do Hotel.
P.O.V. Eric.
Faz muito tempo que não venho aqui. Anos, desde de que Godric morreu. É estranho voltar a este lugar. Não sei precisamente porque eu quis voltar para cá, porque quis trazê-la aqui. O que? Só mulheres tem o direito de se sentirem confusas? Eu discordo. Nos sentamos numa das mesas e uma das atendentes veio, uma garçonete negra com cabelo afro. Hope pediu o cardápio e... ela realmente pediu comida. Ela pediu ravioli ao cogumelo. E comeu!
-Como consegue comer isso?- Perguntei.
-Não sou como você Eric. Meus pais não eram como você. Somos de raças diferentes, funcionamos diferente.- Disse dando outra garfada no seu macarrão.
-Você realmente sente fome? Fome por comida?- Questionei incrédulo.
Ela engoliu, limpou a boca com um guardanapo e respondeu:
-Contanto que eu mantenha uma dieta saudável e estável de sangue humano, meu corpo funciona normalmente. Eu como, durmo e faço as... outras coisas também.
Então deu outra garfada.
-Mas, estou curiosa... dentre todos os lugares do mundo para virmos passear, porque aqui?- Perguntou dando uma indireta nada sutil. E o jeito como ela me olhou como se realmente quisesse uma resposta.
-Você foi a primeira pessoa que falou comigo sobre perda de um jeito real e que eu consigo me identificar. Não é daquele tipo de pessoa que fala da boca pra fora como aqueles Coachings idiotas que usam frases pré-prontas e provavelmente nunca perderam alguém que realmente amavam.
-Então, meu pressentimento estava certo e você me trouxe aqui por causa do que aconteceu com Godric.- Respondeu dando outra garfada. Demorou mais uns vinte minutos porque ela quis comer sobremesa e ela aparentemente gosta de comer, aquilo lhe trás prazer.
Nós então subimos para a suíte 13 e ela se sentou na cama enquanto dizia:
-Manda.- Disse a garota.
-É isso o que vai dizer?- Questionei.
-Eric, você não me trouxe aqui só porque queria me alimentar. Me trouxe aqui porque assim como eu, você é solitário e odeia isso. Me trouxe aqui porque queria alguém para te ouvir e te entender.- Respondeu enquanto pegava um ramo de sálvia dentro da bolsa, no qual ela botou fogo e uma fumaça terrível começou a sair.
-Para que isso?- Perguntei.
-Feitiço de privacidade. Assim podemos falar livremente sem medo de sermos ouvidos. Agora, eu e somente eu, sou toda ouvidos.
Não posso deixar de pensar que se ela tivesse aparecido antes com seus anéis milagrosos, talvez Godric ainda estivesse vivo.
-Godric morreu aqui. Ele cometeu suicídio, queimou até a morte no sol. Eu chorei, implorei para que ele não fizesse aquilo, quis morrer ao lado dele, mas ele não me permitiu. Forçou-me a viver. Mas, o que ninguém sabe é que... como sua cria e ainda estando ligado á ele... eu senti tudo. Eu senti quando ele morreu. Quando parou de existir.
-E quem te disse que ele parou de existir? A morte não é o fim. Quando morremos nós viramos pura energia, vamos para outro lugar. Outro plano de existência. Quem te garante que seu criador e sua irmã não estão em paz, do outro lado esperando por você?
A fé dela é adorável. Apesar do nível de maturidade alto o que é muito raro em alguém da idade dela, ela ainda tem essa inocência fofinha de criança.
-Só continuo pensando que se você e seus anéis mágicos tivessem aparecido antes então...
-Godric ainda estaria vivo. Eu entendo. Entendo mesmo. É doloroso perder alguém que você ama, você se sente responsável, culpado. Continua revivendo aquele momento na sua cabeça, sonhando com ele e pensando que talvez se tivesse feito algo diferente, seu amado ainda estaria vivo. Acredite, conheço a sensação. Olha, porque nós não vamos á uma joalheria mais tarde?- Ela me convidou.
-Joalheria?- Perguntei.
-É. Preciso fazer uma pesquisa.- Hope respondeu.
Nós conversamos por horas e horas. E então fomos até a joalheria Golden Wish. Que significa Desejo Dourado. Assim que chegamos o senhor careca de colete azul veio nos atender, ele até pensou que éramos um casal, nos ofereceu alianças de noivado.
-Não. Eu quero ver todas as joias de Lapis Latzuli que você tem, femininas e masculinas.- Pediu a Tribrida.
Isso foi estranhamente específico. O joalheiro trouxe o que ela pediu, então ela olhou para mim e falou:
-Escolha um.
-Vai me dar um anel?
-Você vai ter que pagar por ele, até porque... infelizmente estou dura, mas uma vez que tiver a joia... eu cuidarei do resto.
-Resto?
-Vou te fazer um anel da luz do dia, cabeçudo! Agora, escolha um.
O joalheiro ficou sem entender o que ela quis dizer, mas eu entendi.
-E porque vai fazer isso por mim?
-Porque não? Você me ajudou, me deu um teto e portanto estou te devendo uma.
Fiquei olhando os anéis, peguei num deles. O aro era de ouro e a pedra tinha uns vinte e quatro quilates. Eu o escolhi porque me lembrava de um dos anéis de meu pai.
-Quanto é?
-Duzentos mil dólares.
-Aceita cartão?
Eu paguei e tive que levá-la para o pântano. Para devolver a jaqueta do lobisomem. Hope me fez esperar no carro para não transpassar, para eu não invadir o território dos lobos e tudo estava bem quando de repente... eu ouço esta explosão imensa! Deu para ver o fogo, os destroços que voaram. Nem me lixei eu fui até lá correndo e o que eu encontrei foi uma cena que eu não vejo á muito, muito tempo. E ver o que houve com ela me causou um pânico, uma agonia que não sinto á muitos anos.
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Hope Meets True Blood
FantasyUma continuação da minha fanfic Hope Meets Twilight que por acaso está concorrendo ao prêmio Watts 2021. Desta vez Hope Mikaelson viaja para o universo True Blood onde vai se meter em muitas confusões e chamar a atenção de um certo vampirão loiro.
