23 - Uma promoção?

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- Vamos crianças?

- Vamos!

Entro no carro do meu cunhado, pelo caminho penso em como vou aguentar o resto da noite, Dylan vem na sua moto atrás de nós, bem que eu adoraria estar agarrada a ele em cima daquela mota. No bar fico admira-lo, Rafael e ele estão no bar a pedir bebidas para todos, sento no confortável sofá e pouso o pé na mesa de centro, fecho os olhos e relaxo ao som da música...

- Aqui está Dra!

- Obrigado - Abro os olhos e fito Dylan, aqueles lábios...

- De nada, cansada?

- Não, estou apenas a deuxar-me levar pela noite, o bom jantar, a companhia...

O seu telemóvel toca, o nome de uma mulher aparece no ecrã, ele parece indeciso mas acaba por atender e afasta-se, olho para o lado e vejo que Rafael a devorar a minha irmã, céus eles deviam arranjar um quarto...

- Que vergonha Júlia! - Eu faço os dois rirem.

- Desculpa irmã, a culpa é do Rafael.

- Vão para casa, eu depois apanho um táxi. - Eu tiro as chaves da bolsa e atiro para as suas mãos.

- Obrigado querida!

- Por favor não me destruam a casa.

- Obrigado cunhada és um amor.

- Vão com cuidado!

Pego no meu copo, bebo o líquido ao sim da música, estava ali sozinha mas isso não me incomoda, eu sou assim. Penso que talvez Dylan tenha ido embora também, passam uns quarenta minutos até que decido ir embora, pego na bolsa e saio do bar, na porta pego no telemóvel para chamar um táxi...

- Vais embora?

- Dylan que susto, pensei que tivesses ido embora. - quase deixava cair o telemóvel.

- Eu encontrei um velho amigo e fiquei na conversa e eles onde estão?

- Provavelmente a destruir o meu quarto de hóspedes. - Ambos sorrimos por sabermos o que eu queria dizer.

- Se eu soubesse que estavas sozinha... Eu levo-te, anda!

- Obrigado.

Andar de mota com um longo vestido não é tarefa fácil, os vinte e cinco minutos de caminho pareciam uma eternidade, as minhas pernas estavam geladas...

- Chegámos!

- Graças a Deus, espero não repetir uma viagem assim com vestido, eu vou indo, obrigado. - Ajeito o vestido e o cabelo.

- Espera, não achas que devias dar-lhes mais tempo. - Ele ia agarrar o meu braço mas não chega a tocar-me.

- Talvez.

- Que tal fazermos a tal visita á garagem agora?

- Acho que não tenho alternativa.

Sigo-o até a porta, ele acende as luzes e mostra-me o espaço, é amplo, luminoso, arrumado e limpo, a forma como fala do que faz denota orgulho pelo que conseguiu até agora...

- Queres beber algo. Ele abre um pequeno armário onde guarda alguns copos e garrafas.

- É melhor não, da última vez que bebi demais comprei uma casa, a minha conta bancária não aguentaria mais uma loucura, aliás eu nem sei como manter tamanha despesa.

- Talvez possa ajudar! - Ele cruz os braços e inclina a cabeça como se imaginasse algo.

- Como?

- Eu preciso de sair do motoclube, podias alugar-me um dos teus dois quartos de hóspedes.

- Dylan não... - é uma péssima ideia.

- Eu passo o dia a trabalhar, não vou incomodar, só preciso de um sítio para dormir, sabes que sou simples.

- Mesmo que eu achasse boa ideia, a tua namorada...

- Esse é um problema meu Kendra, eu só achei que seria bom para os dois.

- Vou pensar nisso, digo-te alguma coisa esta semana.

- Ficarei á espera, sem pressões.

- Bom agora eu preciso mesmo ir, estou cansada.

- Eu acompanho-te á porta de casa.

Espero na rua que ele feche tudo e caminhamos lado a lado até á minha porta, toco a campainha com remorsos por estar possivelmente a acordar os dois...

- Obrigado pela visita guiada.

- Obrigado eu pela companhia.

Júlia abre a porta enrolada no robe, então eu digo adeus e entro em casa, deixo a minha irmã para trás e subi até só meu quarto para dormir. Na manhã seguinte tomamos o pequeno almoço juntos antes de os dois saírem, não passa muito tempo antes do meu telefone tocar, a Rebecca já sabia da proposta de Dylan, tenho certeza que ele contou a Bruce que por sua vez contou a minha amiga. Eu não vou pensar numa resposta por hoje, amanhã irei ter uma proposta de trabalho e talvez não precise de ter Dylan aqui em casa.

Segunda-feira de manhã entro no escritório com um sorriso, confiante e no meu melhor fato, passo no escritório da minha chefe, ela estava acompanhada, na sua frente estava Bruce, mas o que...

- Bom dia Dra Arden, entre e feche a porta.

- Bom dia! - Olho para Bruce sem entender a sua presença.

- Chegou na hora certa, estava a comentar com o Sr Morris o quanto estamos satisfeitos com o seu trabalho.

- Obrigado mas não entendo.

- O Sr Morris é um cliente de muitos anos tal como toda a sua família e os devidos negócios, ao que parece ele precisa de aconselhamento jurídico reforçado e pediu que fosse a Dra a ter esse cargo.

- Eu? - Aposto que a escolha não foi aleatória.

- Passará a ter um gabinete na sua empresa, um aumento de salário e outras regalia que o Sr Morris acordará consigo.

- Eu preciso pensar.

- Pensar em quê? - A minha estava abismada com a minha resposta mas ela não sabe o que eu sei sobre o seu precioso cliente.

- Está tudo bem, vou levar a Dra a conhecer a empresa e tudo o que deverá fazer daqui em diante, tenho a certeza que conseguirei convence-la.

- Faça isso Sr Morris!

A minha manhã já não era tão alegre e ensolarada como quando entrei neste prédio.

Kendra ArdenOnde histórias criam vida. Descubra agora