11 - És especial

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Dylan insistiu em acompanhar-me ao meu apartamento, entro e sento no sofá, ele tira o casaco, senta-se do meu lado e puxa-me para os seus braços, ficamos algum tempo assim em silêncio. Era bom sentir a sua proteção de alguma forma com ele parecia que nada me poderia acontecer e por outro lado ele faz com eu tenha atitudes que nem eu mesma conhecia...

— Dylan, disseste que conhecias o Morris.

— Sim.

— Qual deles?

— Billy.

Afasto-me automaticamente dele, ele e Billy juntos não era uma notícia animadora

— São amigos? - Tento perceber se me mente mas Dylan parece falar a verdade.

— Claro que não mas cruzamo-nos em algumas festas inclusive no aniversário de Rose. Ele estava lá naquela noite! - Porra.

— Como assim, eu vi a lista de convidados e o nome dele não estava lá.

— Posso jurar-te que estava. - Qual a probabilidade de haver a sua presença cada vez que uma rapariga é violada?

— Merda como é que não soube disso antes? Vivian conhecia-o?

— Acho que sim, sabes como é a malta rica, todos se conhecem. - Ele tem razão nesse ponto.

— Filho da mãe! Ele voltou a faze-lo!

— Estas a falar de quê?

— Preciso de ter certeza de uma coisa e depois falo contigo mas acho que arranjei forma de provar a tua inocência.

— Então acreditas em mim? - Ele sorri de lado um pouco presunçoso, uma graça.

— Acredito Dylan!

Sento no seu colo e beijo os seus lábios, ele puxa-me ainda mais para junto de si, já fiz tanta merda hoje que mais uma não vai fazer diferença. Abro a minha camisa e deixo espaço para ele retirar a sua t-shirt, era errado mas tão delicioso ter aquele homem para mim...

— Vamos para o meu quarto!

— Kendra, pensei que...

— Por favor não me deixes pensar sobre isso Dylan.

Ele agarra a minha cintura e vai comigo para o quarto, caímos na minha cama e começamos a retirar o resto da roupa, ele era bem melhor e mais lindo do que eu via antes, era selvagem e ao mesmo tempo meigo, estava louca e perdida mas nas nuvens com o seu toque e carícias. Fazia tempo que não tinha ninguém e ele também então a noite foi longa. O despertador toca e eu passo o corpo por água, não tinha dormido muito mas a euforia da minha descoberta no dia anterior não me dava margem para cansaço, no escritório reuni documentos que recebi sexta feira e que ainda não tinha analisado, liguei para Bruce e marquei um encontro, iriamos almoçar juntos, revejo a lista de convidados da festa e realmente o nome de Billy não consta lá. Entro no restaurante onde combinei ver Bruce e ele já me esperava...

­— Hoje esse sorriso está ainda mais radiante Kendra. - Tive uma noite fantástica.

— Obrigado Bruce, vou ser sincera marquei este almoço por questões profissionais.

— Só isso? - Suspiro ao sentir a desilusão estampada no seu olhar.

— Sabes se o teu irmão esteve presente no aniversário de Rose, no noite em que Vivian Wills foi violada?

— Sim mas porquê essa pergunta depois de tantos anos? O caso o estava encerrado? - Espero que ele não conte ao irmão.

— Foi reaberto e eu sou a advogada do alegado violador.

— Posso levar-te até Billy se lhe quiseres fazer perguntas.

— NÃO! - Não quero voltar a olhar para ele nunca mais.

— Algum problema que Billy não saiba ou ele fez asneira?

— Só preciso que respondas a outra questão, ele e Vivian Wills são conhecidos.

— Muito amigos até hoje. - Só essa tal Vivian para ser amiga de Billy.

— Desculpa mas eu precisava saber isso, não posso revelar nada sobre o caso até reunir todas as informações.

— Tenho um convite para ti. - Ele diz entre uma garfada e outra.

— Outro convite?

— Fui convidado para a inauguração de uma escola de artes, queres acompanhar-me?

— Bruce lamento se deixei que aquele beijo acontecesse mas - Não posso ir com o meu plano em frente, Bruce não é como o pai e o irmão.

— Eu percebi que não fui correspondido mas mesmo assim gostaria de manter a nossa amizade.

— Fico aliviada por saber que entendes, és um homem maravilhoso e um dia perceberás o porquê de me afastar de relacionamentos. - Ele pousa a mão na minha e quando olho para ele vejo sinceridade.

— Eu respeito isso e valorizo pessoas honestas, é algo que não vê muito nos tempos de hoje.

­— Um cavalheiro também é uma espécie em vias de extinção e tu és um Bruce.

Almoçamos tranquilamente e depois cada um volta ao trabalho, precisava falar com Dylan mas ao mesmo tempo gostaria de evita-lo depois da noite de ontem. Terei de ser profissional acima de tudo e acreditem depois da noite de ontem será muito difícil, coloco o telefone em alta voz enquanto conduzo

— Kendra podemos falar mais tarde? - Oiço muito barulho de fundo, onde raio ele estará?

— Claro, podes passar no meu apartamento mais logo?

— Na verdade arranjei um trabalho para montar as estruturas de um festival, acho que estarei ocupado nos próximos três dias. - Que bom ter arrumado algo para fazer.

— Bom de qualquer forma não é urgente, bom trabalho.

— Kendra eu..

— Fala! - Ele tem algo para dizer mas parece não saber como.

— Tenho de ir, estão a chamar-me mas quero que saibas que és especial.

A chamada cai e eu abro um sorriso de contentamento, não posso negar que gostei de ouvir as suas palavras. Quando entro no escritório vejo finalmente as certidões que tinha pedido a alguns dias, com tanta correria ainda não as tinha analisado, uma data salta a vista de imediato, o aniversário da filha mais velha de Vivian, ela ia fazer sete anos em breve, porra ou ela ficou grávida logo de pois da festa ou não pode ser a menina de olhos azuis como mar era fruto dessa violação? Isso podia provar a inocência, espera aí se os pais tem olhos escuros como Dylan tem olhos claros Terei de arranjar uma forma de fazer um teste de ADN, como vão conseguir isso?

Kendra ArdenOnde histórias criam vida. Descubra agora