16 - Esclarecido

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— Kendra! - A Minha irmã volta a tentar tocar-me e eu faço sinal para que espere e me dê tempo.

— Não Júlia!

— O que se passa? - Dylan pergunta preocupado.

— Podemos ir embora por favor?

— Claro, aqui não é lugar para falarem, entrem. - Raphael destranca as portas e cada um ocupa o seu lugar em silêncio.

Assim que entraremos na porta de casa eu não terei como fugir e aqui estamos nós a sair do carro rumo ao meu inferno, Júlia e Raphael são os primeiros a entrar, Dylan vai para perto da piscina...

— Fala com ele Kendra! - Julia pega na minha mão e desta vez eu deixo.

— Ele vai atrás de Billy.

— Disso não sei mas deves-lhe uma explicação.

— Desculpem! - Lamento estragado a noite deles.

— Nós vamos subir!

Recebo um abraço dos dois e vejo-os subir as escadas rumo ao quarto, solto o cabelo e deixo os saltos de lado, Dylan Anda de um lado para outro perto da piscina como um animal enjaulado, eu não sei como lhe contar...

— Preciso de ouvir da tua boca Kendra. - Ele sabia a verdade.

— Promete que não vais fazer nenhuma merda, estás em liberdade condicional.

— Kendra! - Ele fala mais alto para que confesse.

— Foi Billy Morris, eu era uma adolescente sonhadora, tímida...

— E eu estava de frente com ele, como é que deixei passar a oportunidade de... - Podia ver o ódio no seu olhar, se  ele se cruzar de novo com Billy não sei o que se passará.

— Dylan, serias preso e eu não poderia voltar a tirar-te da prisão.

— Ele terá o que merece!

— Dylan Carter, olha para mim! - Aperto o seu braço para que preste atenção no que tenho a dizer.

— Achas mesmo que vou deixar passar isto?

— E vais deixar-me sozinha, sem a tua proteção? E se ele vier procurar-me? Não poderei contar contigo.

— Tens razão mas entende Kendra, eu não sei se deixarei passar na próxima vez que me cruzar com ele!

Eu não queria perde-lo, não agora que sabe tudo, agora que tem a chave do meu coração. Estico o corpo para chegar a sua boca, ele parece reticente, o homem está a ferver por dentro, sei que se o deixasse ele voltava a correr aquela boate para arrasar o lugar e o dono...

— És importante para mim, não te posso perder.

— Não vais!

— Podíamos terminar a noite de uma forma bem mais interessante que a falar daquele monstro. - Segredo ao seu ouvido e por isso sou brindada com um sorriso.

— O que tem mente doutora?

— Lamber cada tatuagem, moder esses lábios e...

— Doutora atrevida.

— Vou acusa-lo de excesso de sensualidade e como pena terás de vir viver no meu apartamento para estar a minha total disposição.

-— Estás a falar a sério? Queres que vá para o teu apartamento?

— Se tiver direito a muitas noites de prazer. - Beijo o seu pescoço e coloco as mãos no seu peito por baixo da camisola.

— Kendra...

— Estou a falar a sério Dylan.

Ele abre um sorriso perverso, pega em mim e encosta-me na parede, sinto as suas mãos em todo o lado...

— Sr Carter é melhor entrarmos.

— Eu gosto de sentir a adrenalina!

— Se alguém aparece será vergonhoso.

— Isso é excitante doutora!

Confesso que nunca fui o gênero de mulher que faz esse tipo de loucuras mas com Dylan tudo é diferente, fazer sexo no jardim da casa do meu cunhado foi muito bom e ter o homem perfeito comigo torna tudo melhor. No dia seguinte regressamos a San José, eu precisava trabalhar e encerrar o caso de Dylan. Deixo-o no centro motard e vou para casa tomar um duche e trocar de roupa, há algo que preciso esclarecer então conduzo até a empresa de Morris...

— Bom dia eu quero falar com Bruce Morris por favor.

— Ele ainda não chegou quer deixar recado?

— Nao, obrigado!

Dou alguns passos em direção a saída do edifício e dou de caras com Bruce, ele abre um sorriso enorme...

— Finalmente!

— Desculpa Bruce eu precisava de me afastar um pouco. - Como sempre ele é um cavalheiro e beija a minha mão.

— Vamos subir ao meu gabinete.

Sigo-o até ao seu escritório, sentamo-nos a conversar enquanto saboreamos um café, não foi fácil contar tudo a Bruce já que era o seu irmão o homem que atormentava os meus pesadelos. Ele não fazia ideia do que aconteceu já que se afastou da família para gerir o seu negócio...

— Tu és aquela menina? - Ele estava incrédulo.

— Tu soubeste?

— Ouvi rumores mas Billy desmentiu tudo.

— Claro que sim, bom já está terde e eu tenho de trabalhar. - O assunto estava encerrado e eu aliviada.

Levanto da cadeira, passo a mão na saia e vejo-o aproximar de mim com uma cara séria, um olhar estranho então ele puxa-me para um abraço...

— Espero que agora que tudo foi esclarecido possamos manter a nossa amizade.

— Será um prazer Bruce.

Vou para o escritório trabalhar, passo horas a pensar numa forma de obter mais informações, coloco a conversa em dia com Rebecca e no final da tarde volto para o meu apartamento. Na porta do prédio tenho uma surpresa, Dylan espera por mim com aquela cara de quem aprontou alguma coisa, beijo os seus lábios e ele segue-me...

— Que cara é essa Carter? - pouso as chaves, a bolsa e vou para a cozinha fazer o jantar.

— Cara de quem arranjou emprego.

— Isso são ótimas notícias, conta-me tudo. - Ele senta-se e fala enquanto eu ando de um lado para o outro.

— O irmão do Blake precisa de alguém para o ajudar na oficina, eu frequentava o curso de engenharia mecânica quanto a minha vida virou do avesso.

— Mereces melhor!

— Sou um ex presidiário, ninguém me vai dar emprego numa boa empresa.

— Isso vai mudar quando tudo ficar esclarecido. - Sinto ele beijar o meu pescoço antes de me roubar uma fatia  de maçã.

— Espero que sim e tu tens novidades?

— Não, preciso de encontrar uma forma de saber mais. Dormes aqui?

— Vou pensar nisso. - Ele parece pensar no assunto.

— Pensei que viesses ficar comigo.

— Tens a certeza que queres realmente isso?

— Não vou repetir o pedido. - Aponto a faca que tenho na mão enquanto respondi para perceber que falo a sério, fico irritada por ver que ele não me leva a sério.

— Eu adoraria ficar contigo querida.

Jantamos e Dylan acaba por dormir no meu apartamento, foi assim que aos poucos ele veio trazendo as suas coisas para viver comigo de vez.

Kendra ArdenOnde histórias criam vida. Descubra agora