— Kendra! - A Minha irmã volta a tentar tocar-me e eu faço sinal para que espere e me dê tempo.
— Não Júlia!
— O que se passa? - Dylan pergunta preocupado.
— Podemos ir embora por favor?
— Claro, aqui não é lugar para falarem, entrem. - Raphael destranca as portas e cada um ocupa o seu lugar em silêncio.
Assim que entraremos na porta de casa eu não terei como fugir e aqui estamos nós a sair do carro rumo ao meu inferno, Júlia e Raphael são os primeiros a entrar, Dylan vai para perto da piscina...
— Fala com ele Kendra! - Julia pega na minha mão e desta vez eu deixo.
— Ele vai atrás de Billy.
— Disso não sei mas deves-lhe uma explicação.
— Desculpem! - Lamento estragado a noite deles.
— Nós vamos subir!
Recebo um abraço dos dois e vejo-os subir as escadas rumo ao quarto, solto o cabelo e deixo os saltos de lado, Dylan Anda de um lado para outro perto da piscina como um animal enjaulado, eu não sei como lhe contar...
— Preciso de ouvir da tua boca Kendra. - Ele sabia a verdade.
— Promete que não vais fazer nenhuma merda, estás em liberdade condicional.
— Kendra! - Ele fala mais alto para que confesse.
— Foi Billy Morris, eu era uma adolescente sonhadora, tímida...
— E eu estava de frente com ele, como é que deixei passar a oportunidade de... - Podia ver o ódio no seu olhar, se ele se cruzar de novo com Billy não sei o que se passará.
— Dylan, serias preso e eu não poderia voltar a tirar-te da prisão.
— Ele terá o que merece!
— Dylan Carter, olha para mim! - Aperto o seu braço para que preste atenção no que tenho a dizer.
— Achas mesmo que vou deixar passar isto?
— E vais deixar-me sozinha, sem a tua proteção? E se ele vier procurar-me? Não poderei contar contigo.
— Tens razão mas entende Kendra, eu não sei se deixarei passar na próxima vez que me cruzar com ele!
Eu não queria perde-lo, não agora que sabe tudo, agora que tem a chave do meu coração. Estico o corpo para chegar a sua boca, ele parece reticente, o homem está a ferver por dentro, sei que se o deixasse ele voltava a correr aquela boate para arrasar o lugar e o dono...
— És importante para mim, não te posso perder.
— Não vais!
— Podíamos terminar a noite de uma forma bem mais interessante que a falar daquele monstro. - Segredo ao seu ouvido e por isso sou brindada com um sorriso.
— O que tem mente doutora?
— Lamber cada tatuagem, moder esses lábios e...
— Doutora atrevida.
— Vou acusa-lo de excesso de sensualidade e como pena terás de vir viver no meu apartamento para estar a minha total disposição.
-— Estás a falar a sério? Queres que vá para o teu apartamento?
— Se tiver direito a muitas noites de prazer. - Beijo o seu pescoço e coloco as mãos no seu peito por baixo da camisola.
— Kendra...
— Estou a falar a sério Dylan.
Ele abre um sorriso perverso, pega em mim e encosta-me na parede, sinto as suas mãos em todo o lado...
— Sr Carter é melhor entrarmos.
— Eu gosto de sentir a adrenalina!
— Se alguém aparece será vergonhoso.
— Isso é excitante doutora!
Confesso que nunca fui o gênero de mulher que faz esse tipo de loucuras mas com Dylan tudo é diferente, fazer sexo no jardim da casa do meu cunhado foi muito bom e ter o homem perfeito comigo torna tudo melhor. No dia seguinte regressamos a San José, eu precisava trabalhar e encerrar o caso de Dylan. Deixo-o no centro motard e vou para casa tomar um duche e trocar de roupa, há algo que preciso esclarecer então conduzo até a empresa de Morris...
— Bom dia eu quero falar com Bruce Morris por favor.
— Ele ainda não chegou quer deixar recado?
— Nao, obrigado!
Dou alguns passos em direção a saída do edifício e dou de caras com Bruce, ele abre um sorriso enorme...
— Finalmente!
— Desculpa Bruce eu precisava de me afastar um pouco. - Como sempre ele é um cavalheiro e beija a minha mão.
— Vamos subir ao meu gabinete.
Sigo-o até ao seu escritório, sentamo-nos a conversar enquanto saboreamos um café, não foi fácil contar tudo a Bruce já que era o seu irmão o homem que atormentava os meus pesadelos. Ele não fazia ideia do que aconteceu já que se afastou da família para gerir o seu negócio...
— Tu és aquela menina? - Ele estava incrédulo.
— Tu soubeste?
— Ouvi rumores mas Billy desmentiu tudo.
— Claro que sim, bom já está terde e eu tenho de trabalhar. - O assunto estava encerrado e eu aliviada.
Levanto da cadeira, passo a mão na saia e vejo-o aproximar de mim com uma cara séria, um olhar estranho então ele puxa-me para um abraço...
— Espero que agora que tudo foi esclarecido possamos manter a nossa amizade.
— Será um prazer Bruce.
Vou para o escritório trabalhar, passo horas a pensar numa forma de obter mais informações, coloco a conversa em dia com Rebecca e no final da tarde volto para o meu apartamento. Na porta do prédio tenho uma surpresa, Dylan espera por mim com aquela cara de quem aprontou alguma coisa, beijo os seus lábios e ele segue-me...
— Que cara é essa Carter? - pouso as chaves, a bolsa e vou para a cozinha fazer o jantar.
— Cara de quem arranjou emprego.
— Isso são ótimas notícias, conta-me tudo. - Ele senta-se e fala enquanto eu ando de um lado para o outro.
— O irmão do Blake precisa de alguém para o ajudar na oficina, eu frequentava o curso de engenharia mecânica quanto a minha vida virou do avesso.
— Mereces melhor!
— Sou um ex presidiário, ninguém me vai dar emprego numa boa empresa.
— Isso vai mudar quando tudo ficar esclarecido. - Sinto ele beijar o meu pescoço antes de me roubar uma fatia de maçã.
— Espero que sim e tu tens novidades?
— Não, preciso de encontrar uma forma de saber mais. Dormes aqui?
— Vou pensar nisso. - Ele parece pensar no assunto.
— Pensei que viesses ficar comigo.
— Tens a certeza que queres realmente isso?
— Não vou repetir o pedido. - Aponto a faca que tenho na mão enquanto respondi para perceber que falo a sério, fico irritada por ver que ele não me leva a sério.
— Eu adoraria ficar contigo querida.
Jantamos e Dylan acaba por dormir no meu apartamento, foi assim que aos poucos ele veio trazendo as suas coisas para viver comigo de vez.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Kendra Arden
Roman d'amourKendra Arden: Advogada, jovem, solteira e dedicada a sua carreira. Dylan Carten: Condenado a prisão por Violação de uma menor. A Doutora Arden é nomeada a advogada de um homem que cometeu o mesmo crime de que ela foi vítima quando jovem. O problema...
