33 - Fim de ano (Parte II)

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Ei babys, demorei muito?
Como prometido a parte dois do capítulo 33, foi difícil de escrever, mas finalmente saiu. Já iniciei a escrita do próximo capítulo e espero conseguir terminar para posta-lo em breve. Não desistam de mim!!!
Espero que gostem, não esqueçam de curtirem e comentarem. Nos vemos em breve.

Beijinhos e até mais...
🤍
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A viagem tinha sido tranquila, apesar do meu nervosismo de conhecer a família da minha noiva toda de uma vez, a mãe dela sempre se mostrou muito feliz quando a gente se falava por chamada de vídeo, desejo do fundo do meu coração que eu possa conquistar o restante da família também, pois Gizelly é muito ligada a eles e se são importantes pra ela, são pra mim também.
- Chegamos! – A voz da advogada me tirou dos meus devaneios. – Você tá muito aérea, tá tudo bem? – Ela soltou o cinto e se virou pra mim.
- Só um pouco nervosa, nunca conheci os pais de alguém, pelo menos não nessa situação. – Confessei a ela. – E se eles não gostarem de mim?
- Rafa, para de bobeira. Não existe a mínima possibilidade de não gostarem de você, acredita em mim. – Ela se inclinou e me beijou, ato que acalmou um pouco meu coração.
Desembarcamos em Vitória, mas seguiríamos para Piaçu, onde a avó de Gizelly morava e sua mãe estava atualmente, respirei fundo algumas vezes antes de sair do carro, a morena já estava do lado de fora do veículo batendo no portão, imagino que a saudade de seus familiares nesse momento estava ainda mais apartada. Não demorou muito para uma mulher de traços semelhantes aos capixaba e que reconheci pelas inúmeras chamadas de vídeo, aparecer no portão, seguida de perto por uma senhora com os cabelos totalmente brancos. Braços rodearam o pequeno corpo de Gizelly e o choro era ouvidos sem vergonha, eu observava de longe não querendo atrapalhar o momento.
- Que saudade minha filha. – A mulher mais nova acariciava o rosto da morena.
- Saudade também mãe. – Ela respondeu fungando. – Vó!!
- Minha neta. – A senhora abraçou a advogada de forma forte. – Você não pode abandonar sua avó dessa forma. – A mulher advertiu a morena ao se afastar.
- Me perdoa, a vida estava uma loucura lá em São Paulo, acredite eu sinto mais falta de vocês do que vocês de mim. – A capixaba olhou ao redor me procurando e quando me avistou observando tudo de longe sorriu pra mim e me estendeu a mão.
Me aproximei de maneira tímida, segurando sua mão, ela se virou de volta para sua avó.
- Vó, essa é a Rafaella. Minha namorada. – Gizelly havia me contado que a alguns anos atrás teve a conversa com sua avó sobre sua sexualidade, o medo de ser rejeitada por uma das mulheres que mais amava era gigante, mas surpreendentemente ela a entendeu mais que qualquer outra pessoa, até mais que sua mãe.
- Como é linda com esse olhos verdes. – Eu sorri de forma tímida. – Gizelly tá tratando você direitinho?
- Está sim. – Eu estava encantada com Dona Madalena, tinha perdido minha avó a alguns anos e era algo que ainda me doía profundamente. – Ela é sem duvidas a melhor pessoa que eu poderia pedir a Deus. – O sorriso que dona Madá me deu era indescritível.
- Rafa! – A mãe de Gizelly se aproximou com os braços abertos. – Finalmente nos conhecemos pessoalmente.
- Digo o mesmo dona Marcia.
- Não tem nada disso de dona, apenas Marcia ou sogrinha pra você. – A mãe de Gizelly me repreendeu. - Fizeram uma boa viagem?- A mulher passou os braços ao redor de minha cintura e me conduziu para dentro.
- Rafaella passou a viagem toda calada enquanto eu tagarelava. – Minha noiva revirou os olhos. - Descobrir agora que ela estava com receio que vocês não gostassem dela, vê se tem cabimento uma coisa dessa? Quem em sã consciência não gosta de Rafaella Kalimann? – Eu olhei para ela com cara feia. - Não adianta me olhar com essa cara não, sabe que minha língua da três voltas na piscina.
A família já estava toda reunida, não ficaríamos muitos dias por ali, pois não conseguimos sair antes para as festas de fim de ano e chegamos em Piaçu já no dia vinte e três. Vó Madá, como ela insistiu para que eu a chamasse, reclamou muito desse fato, mas prometemos retornarmos em breve para ficarmos mais tempo, viajaríamos no dia vinte e nove para Goiânia onde estava a minha saudade.
...
O Natal foi fantástico, conhecer esse lado de Gizelly que ainda era desconhecido por mim foi extremamente encantador, ver o carinho que ela tinha com seus primos e principalmente com sua avó, me fazia ter ainda mais certeza que fiz a escolha certa de pessoa para passar o resto da vida. Ceiamos todos juntos, casa cheia, todo mundo falando ao mesmo tempo, crianças correndo, só aumentou a minha vontade de constituir uma enorme família, trocamos presentes e esse ano com toda certeza entraria no meu top cinco de melhores natais da vida.
Duro mesmo foi a despedida, prometemos buscar a vó Madá para passar uma temporada com a gente em São Paulo antes mesmo do casamento que aproveitamos para entregar os convites que já estavam prontos, Marcella e Gizelly estavam se dedicando bastante para conseguir organizar tudo há tempo, terminaríamos de ajeitar os últimos detalhes nesse período que estaríamos em Goiânia. E por falar nisso, estávamos embarcando nesse momento para a cidade, dessa vez na companhia da minha sogra que tinha sido convocada, até tentamos trazer a dona Madalena, mas a senhora consegue ser ainda mais teimosa que Gizelly, sei agora de quem ela puxou toda sua teimosia.

Point of view Gizelly

Desembarcamos em Goiânia e Tato já nos aguardava, dessa vez a não tão pequena Sofia estava junto, confesso que ver aquele serzinho correndo em nossa direção com os braços abertos e os gritinhos de titia, me enchia o coração de uma forma inexplicável. Soso havia crescido muito desde a nossa visita, parecia que haviam se passado anos e não apenas alguns meses.
Tato aguardava de longe enquanto Rafaella esmagava a criança com os olhos marejados. Me aproximei de meu cunhado e o cumprimentei apresentando minha mãe, a viagem até a chácara foi muito tranquila, a implicância dos dois persistiu por todo caminho e devo confessar que era algo que eu aprendi a gostar, pois o simples fato de ver o brilho nos olhos de Rafaella me transbordava de alegria.
Chegamos a chácara e Genilda já nos aguardava na porta, mal me cumprimentou e se dirigiu a minha mãe, como se as duas se conhecessem desde sempre, a sintonia foi instantânea. No mesmo instante a mulher loira arrastou dona Márcia casa a dentro, deixando eu, Tato, Rafa e Sofia para trás.
Subimos e deixamos nossas malas no quarto de Rafaella e as de minha mãe no quarto de hospede que foi preparado para ela, se eu achava que estava no meu limite de felicidade, devo dizer o quão enganada eu estava, ver minha mãe ali, tão a vontade junto com a família de minha noiva me aquecia o peito de tal forma que eu parecia que ia explodir de felicidade.
...
A casa já estava toda enfeitada e pronta para a festa, os convidados já tinham começado a chegar, inclusive Manu e Mari que vieram passar o fim de ano conosco e teve que ouvir muitas piadas sobre o primeiro natal de Mariana com a família da namorada, mas sentia falta de Marcella, que ligou avisando que se atrasaria um pouco, me apeguei a ela tão rapidamente que diria facilmente que nos conhecemos de outras vidas, ela foi apenas mais um, dos tantos presentes que Rafaella me deu, junto com sua presença em minha vida. O medo que eu sentia de Sofia não lembrar mais de mim, foi dissipado no momento em que ela agarrou minhas pernas e me pediu colo, para logo depois me abraçar forte e beijar meu rosto, seguido um “titia”, a felicidade realmente não cabia em mim.
Todos tinham chegado e a contagem regressiva para a entrada de um novo ano iria se iniciar, estávamos todos no jardim, olhando para o céu, aguardando a queima de fogos. Quando eu podia imaginar que minha vida mudaria tanto de um ano para o outro, nesse meio tempo ganhei uma nova família, novos amigos e o amor da minha vida, quem diria que existisse um amor tão perfeito pra mim? Se me contassem isso a um ano atrás eu com toda certeza iria rir da pessoa e mandar ela procurar uma ajuda medica. Nunca mais ouso dizer que não possuo sorte na vida, pois ela me trouxe Rafaella e não existe sorte maior que essa.
- Tá tudo bem? – A voz de anjo da mineira sussurrou em meu ouvido no mesmo instante que seus braços rodeavam minha cintura.
-Tudo meu amor. – Sorrir. - Apenas fazendo uma pequena retrospectiva do meu ano.
- E eu estou nela?
- Não só esta, como é responsável por ela.
- Pronta para passar a sua ultima virada de ano como Gizelly Bicalho apenas?
- Nunca estive tão pronta para algo em minha vida. - Ela me virou de frente para ela e olhou de forma profunda em meus olhos.
- Eu sonho com isso todas as noites, com o dia que se tornara oficialmente minha esposa!
- Eu não vejo a hora disso acontecer. - Ela me beijou de forma suave e nesse momento a contagem se iniciou.
10...
9...
8...
7...
6...
5...
4...
3...
2...
- Faça um pedido. – Rafaella falou cortando o beijo.
1...
O coro de “feliz ano novo” ecoou pelo espaço, nos arrancando de nossa bolha, não antes que eu fizesse o tal pedido. Vários braços nos rodearam, risadas ouvidas, felicitações, beijos, carinhos, o melhor ano novo que já tive na minha vida, cercado de tantas pessoas que aprendi amar em tão pouco tempo, obrigada Deus, por ser tão generoso comigo.
O dia seguinte as festas continuaram, porém com um pouco a mais, nos juntamos para acertarmos os últimos detalhes e deixarmos o restante a par de tudo que eu e Marcella havíamos decidido.
-O local será aquele mesmo, não sei pra que insistir em ser lá, conseguiríamos outros lugares melhores. – Lela revirou os olhos. - Tive que mexer alguns pauzinhos, mas a data que vocês queriam estava disponível, as decorações, músicos, cerimonialistas e todos os detalhes técnicos também já estão ok. - Marcella comandava a pequena reunião. - Vocês já tem os vestidos decididos certo? – Afirmamos com a cabeça. - Então levem para fazer os ajustes, não tenho que reforçar que uma não pode ver o vestido da outra, tenho? – Eu e Rafa nos olhamos. - Da azar!
- Não acreditamos nisso Lela! – Rafa revirou os olhos.
- Todo cuidado é bem vindo, princesa! – Passei a mão em seu rosto. - Não iremos ver Lela, pode ficar tranquila.
- Ótimo! – Ela sorriu satisfeita.
O restante da nossa estadia aconteceu assim, passávamos o dia falamos sobre o casamento, planos, expectativas e sonhos e a imensa ansiedade pela realização de tudo isso.

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