Capítulo 1

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Anahi

DIAS ATUAIS, Cancún México.

Ficar sem comer o dia todo tinha sido a ideia mais estúpida que eu já
executara na vida.
Mentira. A ideia mais estúpida fora fazer tudo aquilo para entrar novestido vermelho justo e ir naquele evento das Joalherias Blackwood com
Giovanna. Aquele era um ambiente dominado por pessoas como a minha irmã
gêmea.
Eu estava claramente a léguas da minha zona de conforto.
— Apenas sorria confiante, Any — Giovanna me orientou nos privados
bastidores do desfile.Ao menos, desta vez, não havia tantas modelos para me
olharem torto. Como se eu fosse uma espécie de aberração entre elas.—
Como quando está de terninho naquelas reuniões entediantes.
— Terninho é a roupa correta para uma assessora, Giovanna. E é o que sou
sua — repliquei. — Além disso, é naquelas reuniões entediantes que
fechamos os acordos que engrenam a sua carreira.
Giovanna apenas rolou os olhos azuis. Grandes e semelhantes aos meus.
Depois enfiou seu corpo esguio ‒ pelo menos dois tamanhos menores que o
meu ‒ em um vestido frágil de grife.
— Apenas não se preocupe tanto, irmãzinha. Para melhorar, pense que
estamos em um desfile inspirado no carnaval brasileiro, então todos vão estar de
máscara. Como em Cinquenta Tons Mais Escuros.
— E você jura que não dava para saber que aquele era o Christian Grey
por causa daquela máscara frágil? — falei, apontando para a minha própria
máscara decorada por elegantes lantejoulas de tom semelhante ao do vestido.
Eu sabia que estava sendo chata. Talvez fosse a fome. Meu humor ficava péssimo quando eu estava com fome. Mas o mais provável era que
fosse a ansiedade e o medo da humilhação que sempre se sucedia mediante
aquele tipo de situação.
Desde que a carreira de Giovanna deslanchara, há sete anos, as comparações
entre nós eram frequentes e cruéis. Se fosse honesta comigo mesma, diria que
essas comparações sempre existiram. Na infância, as diferenças se resumiam
a uma sarda ali e uma diferença de gênio aqui. Mas quando a vida adulta
chegou, o abismo entre Giovanna e eu ficou gritante.
Para a maioria das pessoas, em especial a mídia, era uma tortura quase deliciosa Giovanna e eu sermos gêmeas idênticas. Eles adoravam salientar que no
mundo jamais houve gêmeas univitelinas tão diferentes. Amavam comentar,
e muitas vezes baseados em artigos científicos, como genes iguais poderiamter comportamentos tão diferentes: dando cintura esguia e quadris elegantes
para uma, enquanto para a outra...
— Eu não contei para muitas pessoas que você estaria aqui comigo —
Giovanna interrompeu meus pensamentos ruins. Mas não foi por nada mais
tranquilizador
— Também detesto essas comparações da mídia. Eu malho muito e, mesmo assim, todos parecem estar me vigiando, certos de que vou
me transformar em você a qualquer momento.
Ela tirou os longos cabelos castanho mel de dentro do vestido, sem se
importar nem um pouco com as palavras que dissera. Eu também não me importava. Já estava acostumada com o jeito quase rude que minha irmã poderia ter às vezes.
Família era assim. Na maioria das vezes, precisamos nos adaptar uns aos outros para manter os laços. E Giovanna era o meu único laço familiar desde a morte dos nossos pais adotivos.
— E então? Como estou? — Ela sorriu, radiante, para mim.
Senti meu humor melhorar um pouco diante da alegria dela. Mesmo
diante dos altos e baixos, Giovanna era a pessoa que eu mais amava no mundo.
— Perfeita — falei com um orgulho honesto — Ninguém resistirá a você, como sempre, Gio.
Giovanna soltou um gritinho e atravessou o camarim para me abraçar.
— Ah, você acha mesmo? Eu estou tão empolgada, Any. Herrera, o CEO da joalheria, assistirá ao desfile. Nós só tivemos dois encontros antes
disso, mas estou certa de que ele está se apaixonando por mim. Preciso impressioná-lo de vez, agarrar a atenção dele nesse desfile!
A esperança no olhar dela me fez sorrir.
— Quer dizer que está apaixonada por ele? — inquiri.
— Oh, não! — Giovanna me afastou de imediato e levou a mão ao peito,como se eu tivesse acabado de falar uma blasfêmia — Por Deus, não estou e nem pretendo me apaixonar por... mais ninguém. Mas quero que ele se apaixone por mim.
Rolei os olhos. Um pensamento bem típico da minha irmã sete minutos
mais nova. Ela gostava de ser adorada, mas não prestava a mesma adoração amortal algum.
— De qualquer forma, garanto a você, vou impressioná-lo em grande
estilo essa noite — Giovanna concluiu por fim.Suspirei.
— Sabe que eu não me importo com seu séquito de admiradores, Gio.
Apenas tome cuidado para não misturar as coisas — aconselhei-a
—Herrera é nosso chefe.
Giovanna já estava diante do espelho, passando um creme de tratamento no rosto. Ela apenas deu de ombros diante do meu comentário.
Percebi que aquele seria o fim da conversa. Quando Giovanna começava
seu ritual com o espelho, não havia espaço para outras coisas.
— Muito bem — emiti, colocando minha máscara — Vou procurar por
comida de verdade nessa festa de supermodelos. Vai ser como procurar um
tesouro pirata.
Minha irmã não me respondeu de imediato. Apenas quando peguei
minha pequena bolsa preta no estofado e já estava próxima à porta de saída
dos aposentos privados, pude ouvi-la falar:
— Sei que é pouco capaz de ser espontânea, mas tente não ser tão entediante, Any. Não fique apenas escondida em um canto, ou vai demorar
mais dez anos para arranjar outro namorado — disse, massageando a bochecha. E então me olhou do espelho — E, por favor, Anahi, se
contenha com a comida. Ou os sites de fofoca não vão nos perdoar amanhã.
Apertei um pouco a maçaneta ao girá-la.
Mas acabei desistindo de dizer qualquer coisa. Porque, por mais terríveis que fossem as palavras de Giovanna, elas estavam repletas de razão.
Elas também fizeram o favor de levar o meu apetite.
De forma que tudo o que pude fazer foi ficar quieta em um dos cantos do luxuoso salão de mármore do Oxford Plaza, exatamente como Giovanna desaprovara. Apenas observando o fluxo de pessoas elegantes. As mulheres exibiam vestidos incríveis e os homens estavam impecáveis em smokings caros.
Um homem de perfil, com cabelos escuros e sorriso fácil, tendo ao lado uma beldade loira, levou-me direto a um passado não muito distante.
Principalmente quando ele ajeitou a gravata borboleta já em posição perfeita.
Rodrigo Marçal, meu recente desastre amoroso, tinha o mesmo tique.
Também tinha o “tique” do sorriso envergonhado quando eu estava ao seu
lado em uma festa e ousava aceitar qualquer coisa da bandeja oferecida pelo
garçom.
— Não acha que deve ir com mais delicadeza, meu amor? — Ele sussurrava ao meu ouvido depois de dar um discreto beijo no meu pescoço,
às vezes. E então, ele deixava um olhar averiguador descer pelo meu corpo
— Você já está num limite muito bom.
Um limite muito bom.
As palavras ficaram no meu pensamento com uma boa dose de amargor.
Como eu poderia ter sido tão estúpida? Como tinha me permitido escutar
tanta coisa e engolir tudo aquilo que me feria? Eu tinha que ter reparado nos
sinais. Homens como Rodrigo não se ligavam a mulheres como eu. Eles se
derretiam por beldades sofisticadas e de sensualidade inatas. Não por workholics em grandes terninhos castos e sem graça.
Quando se permitiam envolver-se com mulheres como eu, esperavam certo bônus. Um comportamento irrepreensível e um passado sem qualquer mácula. Porque, do contrário, o juízo desses homens era cruel. Pena eu não ter percebido isso antes de expor o que carregava...
Senti meus olhos marejarem por um momento, mas afastei a emoção de forma determinada. Então bebi uma dose generosa de champanhe.
Eu já tinha derramado lágrimas imerecidas demais por aquele canalha.
Se o visse novamente derramaria sangue, com um belo soco no nariz dele.
No instante em que esses pensamentos cruzaram a minha mente, o homem de perfil se virou na minha direção.
Fiquei mortificada.
A falta de barba e a máscara prateada tinham prejudicado o meu reconhecimento a princípio, mas aqueles olhos escuros jamais passariam
despercebidos. De repente, a possibilidade de socos no nariz era completamente real.
E Rodrigo, ao contrário de mim, pareceu me reconhecer de imediato. Seus olhos escuros se ampliaram e ele deu um passo na minha direção.
Merda.
O soco no nariz tinha sido um pensamento idiota, uma tentativa de resgatar minha dignidade mentindo para mim mesma. Mas a verdade era que eu não desejava encarar meu ex-namorado depois daquele fiasco, há dois
meses. A quem eu queria enganar? Aquilo era apenas mau humor causado
pela fome, não coragem de verdade.
Sem pensar muito, girei sobre os saltos e comecei a caminhar na direção
oposta do salão. Infelizmente, com os sentidos atentos pela presença dele,
pude escutá-lo pedindo licença às minhas costas. Continuei andando,
apressada demais, pela multidão de pessoas elegantes. Os olhos atentos, à
procura de qualquer conhecido que me salvasse. Qualquer conversa que
deixasse claro para Rodrigo que eu não estava disponível.
Foi quando o vi.
Não um conhecido. Algo melhor. Uma cadeira solitária, atrás de um
belo arranjo de lírios. Era a atitude mais covarde do mundo, me esconder.
Mas eu já não estava tão preocupada com isso. Só queria evitar Rodrigo e a
possibilidade de me desmanchar em lágrimas diante da alta sociedade.
Por isso, apressei-me na direção da cadeira.
No entanto, barrei a mim mesma quando estava a poucos passos. Uma
loira sofisticada tinha se antecipado. E foi graças a ela que escutei a voz máscula cortante:
— Lamento, mas calculou errado. Não estou interessado em companhia.
A morena ficou petrificada. A taça de champanhe em suas mãos chegou a tremer.
— D-Desculpe. — Foi tudo que ela gaguejou antes de sair.
Continuei parada.
De onde eu estava, não podia ver o rosto do homem, mas a voz já tinha deixado mais do que claro que aquela cadeira não seria cedida.
Senti suor brotar na raiz dos meus cabelos. Não queria ser enxotada também. Mas quando olhei para trás, percebi que Rodrigo se desembaraçava das
pessoas enquanto fazia uma busca pelo salão.
Não pensei mais.
Com um misto de angústia e um toque de desespero, apenas dei os passos que faltavam e me deixei cair na cadeira. Não olhei para o homem,embora sentisse a presença dele, juntamente de um poderoso perfume
almiscarado.
Concentrei-me em encolher e arrastar a cadeira para detrás do arranjo de
lírios.
— O que pensa que está fazendo? — A voz máscula irritada reclamou.
Não respondi. Apenas fiquei abaixada. Como uma tola.
— Eu não desejo companhia. — Um braço forte de smoking gesticulou no canto do meu campo de visão.
— Ninguém está te fazendo companhia. — Dispensei-o com a mão.
Neste exato momento, o topete elegante de Rodrigo surgiu acima das flores.
Prendi a respiração por alguns instantes. Rodrigo apenas coçou o queixo sem
barba, deu um suspiro longo e finalmente se afastou.
Expirei, aliviada.
Meu estômago entendeu a deixa para também se fazer ouvir.
— Droga de festa idiota. — Finalmente me libertei.
E enfim, todo o ridículo daquela situação pareceu subir até o meu cérebro. Eu, uma mulher de vinte e cinco anos, tinha corrido pelo salão e me escondido de um ex-namorado feito uma adolescente.
Eu não conseguiria manter a droga das aparências mesmo se minha vida dependesse disso. Então, por que raios eu ainda estava passando fome?
Coloquei a taça de champanhe no chão ao meu lado e estiquei a mão
para um garçom que havia acabado de surgir.
— São tortinhas de chocolate, senhorita. — O rapaz franzino me explicou assim que parou diante de mim.
Sorri. Mas deve ter sido um sorriso feroz, porque o garoto engoliu em seco.
— Estou vendo — emiti — Pode deixar o maior prato aqui.
Ele não discutiu. Apenas seguiu a ordem e escapou logo em seguida.
Decidi que não ia me importar com mais nada e girei o corpo para o lado
oposto do salão.
Foda-se. Eu ia comer e pronto.
Os sites de fofoca que lutassem na manhã seguinte para descobrir que
espécie de comparação doentia eles fariam da minha imagem.
E Giovanna, bem, ela que se virasse com isso também.
Três pratinhos de torta depois da minha decisão, uma voz nada amigável
decidiu interromper meu momento de paz raivosa:
— Comer tão rápido pode te causar mal-estar depois.
Eu não tinha me esquecido do homem mal-humorado do meu lado.
Muito pelo contrário. Mas ele parecia estar numa realidade paralela no momento.
— Não vai causar — respondi, depois de engolir um pedaço de morango.
Principalmente porque estou morrendo de fome.
— E não tem medo de engordar?
Fiz um ruído nada elegante com a boca.
— E quem é você, um agente infiltrado do “Vigilantes do peso”?
O som de uma risada aveludada arrepiou os pelos da minha nuca. Fiquei
com o garfo paralisado no meio do caminho, entre o prato e minha boca.
— Não. Eu não sou tão interessante.
Eu não tinha tido curiosidade de olhá-lo, até aquele momento.
Uma mão tocou a minha. A mesma que segurava o garfo.
Virei-me.
Ele não usava máscara e encontrei olhos verdes escuros em um rosto que
poderia ter sido lapidado. O queixo era anguloso e firme, assim como o nariz pomposo e romano. Uma barba dourada por fazer combinava com o cabelo ondulado, perfeitamente penteado.
Fascinante. Foi a única palavra que parte da minha mente pôde registrar.
A outra parte parecia tentar recordar como enviar ar aos meus pulmões.
Percebi de imediato que tinha sido um erro deixar de ignorá-lo.
— Alfonso — ele se apresentou, levando minha mão aos lábios — Ao seu
dispor.
Não tive resposta plausível. O beijo tinha enviado uma onda elétrica prazerosa diretamente para a minha espinha.
— Pensei que conhecia todos os convidados dessa noite, mas vejo que me enganei — ele continuou quando recolhi a mão, atrasada demais —
Embora eu tenha a impressão de já tê-la visto, apesar dessa máscara.
Procure algo para dizer, Anahi. Não fique babando por um estranho tão
claramente!
— O senhor... — Coloquei o garfo sobre o prato, tentando não notar que
tinha comido como uma descompensada na frente daquele homem perfeito.
Que fiasco! — O senhor não me conhece.
— Presumo que não deva ser modelo. — Seus olhos verdes caíram para o meu decote e cintura.
Claro que ele presumia, pensei com amargor. Ali estava mais um para
me julgar. Mas eu estava cansada de deixar as palavras cruéis para lá ou me
esconder.
— Infelizmente, não tenho talento para viver de vento, senhor Alfonso.
Ele sorriu, parecendo muito satisfeito com algo, e seus olhos se levantaram para os meus.
— Eu já percebi.
Foram apenas três palavras, mas pareciam conter um encanto
potencializado, pela forma como aqueles olhos se concentravam em mim.
Aquele olhar me fez pensar nas minhas fantasias mais secretas e temidas.
Minha parte racional considerou que aquilo não era bom sinal.
— Mas isso não muda o fato de sentir que a conheço — ele insistiu com voz suave — E dificilmente perco o controle sobre meus sentidos, senhorita.
Ele estava flertando, é claro. E poderia muito bem ser um flerte inocente, se não fosse a forma pecaminosa como aqueles lábios se moviam.
Minha boca ficou seca e precisei passar a língua pelos lábios. Os olhos dele acompanharam o movimento, e os músculos internos do meu ventre se
contorceram.
— Bem, isso é triste — finalmente encontrei as palavras.
— Triste? — Uma sobrancelha dele arqueou-se.
— Um homem que controla tudo não pode aproveitar as surpresas que surgem.
Os olhos dele brilharam em... Apreciação? Seria possível?
Seja lá o que fosse, eu não tive tempo de registrar, porque uma das mãos
dele amparou meu queixo e o aproximou do seu rosto.
— E por acaso, a senhorita estaria disposta a me oferecer mais surpresas
esta noite?
Precisei de toda a minha concentração para respirar.
— Mais surpresas?
Ele sorriu. Quase um predador. O que não duvidei ser a realidade escondida naqueles olhos verdes. Mas a pior parte era o discernimento que
brotou em mim. Eu estaria mais do que satisfeita em ser a presa.
Que absurdo, Anahi!
— Sim. Além desse seu corpo espetacular e essa sua língua astuta. — A
outra mão dele alcançou a minha cintura. O verde do olhar dele ficou mais
escuro. — Eu poderia fazer coisas maravilhosas com os dois.
Se antes eu estava fantasiando, agora estava prestes a delirar. Uma
coragem nada familiar começou a correr pelas minhas veias. Eu sabia que
devia me afastar. Deus, aquele nunca fora o meu tipo de jogo. Flertar com um
desconhecido tão diretamente! Mas eu não queria parar. Simplesmente não conseguia parar.
Aquele homem parecia confiante e experiente. Ele transpirava liberdade
e sexo selvagem. Duas coisas que eu vinha ansiando por muito tempo, mas
não ousava admitir.
Talvez, por isso, aquelas palavras de desafio saíram dos meus lábios muito antes que eu pudesse racionalizá-las bem.
— Verdade? Quem sabe o senhor poderia ser gentil e me conceder uma amostra?
Arfei em seguida quando, sem aviso, ele me puxou para os braços. Sua boca correu pelo meu pescoço e seus dentes prenderam por um instante o lóbulo da minha orelha.
— Não dou amostras, senhorita. Porque não faço nada pela metade. —
Ele sussurrou com voz profunda em meu ouvido, fazendo meus joelhos
tremerem mesmo eu estando sentada — E quando possuo uma mulher, não
sou gentil.
Não consegui conter um gemido, baixo e imoral.
Ele riu contra o meu pescoço.
— Não... Nós não podemos fazer isso aqui — falei sem convicção
alguma e já inclinando a cabeça para dar acesso àqueles lábios ardentes que
exploravam minha pele.
— Tarde demais, Angel. Nós já estamos fazendo.
Seus lábios finalmente massacraram os meus. Não consegui pensar em
mais nada, além de retribuir. Não foi nada parecido com qualquer beijo de
antes. Nem mesmo quando eu estava no auge dos meus sentimentos por Rodrigo,
havia tanta intensidade e necessidade.
A boca dele era exigente. Sua barba me marcava a cada toque e, no entanto, seus dedos suaves contra o meu pescoço criavam o contraste
perfeito. Tudo que pude fazer foi me agarrar a ele, passando os braços pelo
seu colarinho impecável.
— Gosh. Quero sair daqui com você agora. — Ele se afastou com relutância.
Ambos respirávamos com dificuldade.
— O quê?
— Venha comigo, Angel. — Ele contornou meu queixo com o polegar.
— Posso prometer que não vai se arrepender.
Eu não sabia o que fazer.
Nunca tinha sentido uma atração tão intensa assim por um homem.
Mas também nunca tinha... Nunca tinha realmente estado com um homem.
— O que me diz? — ele insistiu e se levantou, oferecendo-me a mão.
Sei que é pouco capaz de ser espontânea, ou vai demorar mais dez anos para conseguir outro namorado...
As palavras de Giovanna voltaram como flechas à minha mente no melhor
momento possível. Depois de toda aquela noite agindo como uma covarde,
estava na hora de fazer algo por mim mesma.
— Vou com você.
Alfonso sorriu. E nós fugimos da festa.

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