Capítulo 15

262 30 0
                                        

Anahi

Alfonso me guiou pelas escadas, em direção ao quarto, com a minha mão
presa a dele.
Meu coração batia acelerado. Por mais que eu negasse, parte de mim
tinha sonhado com um momento como aquele. Ainda assim, parecia quase um milagre que estivesse de fato acontecendo.
Como se para provar, apertei ligeiramente a mão dele enquanto galgávamos os últimos degraus. Alfonso não desapareceu e nem fugiu. Ao invés disso, ele empurrou a porta do quarto.
Nosso quarto.
Alfonso soltou a minha mão. Ele então retirou o relógio calmamente e o
colocou sobre o aparador ao lado da cama, permitindo-me estudar seu reflexo no espelho. A roupa social acentuava seu poder e o cenho franzido evidenciava sua concentração.
De repente, por mais que desejasse aquilo, fiquei nervosa e comecei a
tremer. Todas as tentativas anteriores de uma noite de sexo com Alfonso tinham terminado em desastre. A primeira com o roubo da joia. A segunda com o desgosto dele pela minha falta de experiência.
Abracei a mim mesma e olhei para os meus próprios pés ao sentir minha coragem começar a minguar.
Talvez aquilo entre nós não tivesse mesmo que acontecer.
Talvez fosse um engano sem precedentes.
— Anahi.
A voz dele me fez erguer o rosto de imediato.
Alfonso me fitava do espelho, já sem a camisa. Os músculos totalmente
expostos como quando o espiei na piscina, há alguns dias.
Mas ele não esperou resposta. Ao invés disso, atravessou o quarto. Suas mãos seguraram meu rosto com gentileza.
— Está tudo bem?
Não consegui mentir. Na verdade, sempre pareceu impossível fingir
qualquer coisa diante dele. Eu sempre reagia a ele com honestidade. Não tinha sido assim que havia me metido naquela?
— Apenas estou com medo de decepcioná-lo de novo. Como nas outras
vezes — confessei.
Ele me estudou com os bonitos olhos verdes.
— Você nunca me decepcionou, Angel. — Ele afastou uma mexa de cabelo que tinha se soltado do meu rabo de cavalo, prendendo-a atrás da minha orelha
— Entretanto, preciso que saiba uma coisa. Antes de tudo.
Alfonso estava sério. Como nunca o vi na vida.
Assenti com a cabeça. Ele respirou fundo.
— Estou abrindo uma exceção esta noite — Um quase sorriso escapou
pelos lábios dele — Ao menos estou tentando. Portanto, precisa me dizer se aceitará que tudo seja do meu jeito, e o mais importante, precisa me dizer, em
qualquer momento, se eu machucar você. Precisa me alertar, e então eu vou parar de imediato.
As palavras soaram duras, mas a preocupação em seu olhar era tão real
que ressoou quase dolorida em mim. Alfonso pareceu quase torturado, por um instante. Precisei encontrar uma forma de atenuar aquilo. Não queria vê-lo sofrer.
— Você não vai me machucar, Alfonso. — Foi a minha vez de segurar o
rosto dele. — Eu confio em você.
Ele fechou os olhos diante das minhas palavras. Depois respirou fundo.
— Apenas me prometa que vai me avisar, Anahi.
Senti que as mãos dele tremularam contra o meu rosto.
Meu Deus, o que estava acontecendo com aquele homem?
— Eu prometo — fiz o que ele queria, quase desesperada, para vê-lo se sentir melhor.
E funcionou.
Alfonso abriu os olhos e a expressão no seu rosto se tornou decidida novamente.
— Então está de acordo que tudo aconteça nos meus termos? — A voz
dele tinha um tom aveludado e sensual que me causou um arrepio lânguido entre as pernas.
— Estou — respondi com o coração acelerado pela expectativa.
O sorriso dele foi de plena satisfação.
— Muito bem. — Ele deu um passo para trás — Tire sua roupa para mim, Any.
A ordem, de súbito, me deixou sem fôlego. Assim como o diminutivo do
meu nome que se enrolou de forma sexy na língua dele.
— A-agora? — ouvi-me gaguejando.
— Eu estou no controle, Anahi — ele disse em voz imperiosa. —
Não pergunte. Apenas fique nua para mim.
Para minha surpresa, meu corpo respondeu com outro arrepio íntimo de
excitação.
Eu queria aquilo?
Eu queria aquilo. Muito. Nos últimos quatro anos, tinha passado a vida
tendo que assumir o controle de tudo. Da nossa pequena família, das finanças, da carreira e dos caprichos de Giovanna... De repente, descobri que
aquele poderia ser um momento único de liberdade. Ali. Com Alfonso.
Simplesmente aproveitando o que ele estava disposto a oferecer.
Alfonso esperava pacientemente e há uma distância segura. Dando-me
liberdade para apenas me virar e desistir se eu quisesse. Eu podia ver no seu olhar que ele estava preparado para aquilo.
Mas seu rosto mudou quando movi a mão para o laço do robe e o desfiz.
Ele se enrolou ao redor dos meus pés segundos depois, revelando apenas
minha lingerie branca de renda.
Foi com certa dose de satisfação que o ouvi arfar e praguejar baixo em seguida.
— O que aconteceu com a camisola de convento? — A surpresa em sua
voz me fez sorrir um pouco.
— Deixei de usá-la, depois daquela primeira noite — contei.
Alfonso me olhou, confuso.
— Por quê?
Eu não pretendia contar tudo. Não iria revelar que começara a usar
lingeries bonitas porque vinha devaneando com uma noite como aquela. Ou que esperava que ele chegasse mais cedo do escritório um dia e me flagrasse saindo do banheiro. Qualquer coisa para que aquele homem bom e protetor  me notasse. Que voltasse a me desejar.
Por isso, decidi falar apenas o essencial.
— Eu estava esperando por você.
Os olhos verdes reluziram de um jeito perigoso.
— Ah, tomara que sim, my Angel.
Com uma única passada, Alfonso me tinha nos braços.
Seu beijo foi tudo que pensei que seria. Quente, forte e urgente. Com lábios firmes e barba que fora ignorada pela manhã, criando um atrito
delicioso na minha pele. Sua língua desnudando a minha boca de forma quase perversa. Cada toque com a mesma sentença: ele exigiria cada parte de mim
naquela noite.
E eu entregaria. Tudo o que pudesse.
— Você me afasta do bom senso, Angel — ele ofegou contra a minha
orelha — Eu quero ser gentil com você.
— Não quero que seja gentil, Alfonso.
— implorei, esfregando minha pele
nua contra a dele — Quero que seja você. Eu quero você.
Ele soltou um som profundo que fez todo o seu peito vibrar. Em seguida, Alfonso me ergueu e eu abracei sua cintura com as minhas pernas.
Suas mãos apertaram minhas coxas.
— Vou compensá-la por tudo, Anahi — ele disse com sua testa encostada na minha. Nossas respirações se misturando — Todo o prazer que desejar será seu esta noite. Eu prometo.
Alfonso atacou minha boca de novo, mas dessa vez finalizou o beijo
mordiscando meu lábio inferior. Então, subitamente, me colocou no chão.
— Vire-se — ordenou com a voz crua que fazia os músculos do meu
ventre tremerem.
Obedeci. Percebi, com surpresa, que estávamos aos pés da cama e diante
do espelho. Alfonso estava atrás de mim. Poderoso. Com um ligeiro suor explodir. Sua mão grande tomou posse do meu quadril, enquanto a outra desfez o coque e reuniu meu cabelo em um rabo. Alfonso puxou
delicadamente as mexas até tombar minha cabeça para ter acesso ao meu
pescoço.
— Veja como você é linda, Anahi — ele murmurou junto à minha pele. E para provar, ele pressionou meu quadril contra a sua ereção — E sinta como me deixa.
— Alfonso... — murmurei diante da cena erótica que éramos nós no
espelho.
— Sabe quantas vezes me toquei nos últimos dez dias, pensando em
você? Como a porra de um adolescente, no banheiro do meu escritório? —
ele continuou, e sua mão desceu até o meio das minhas coxas e afastou a
lateral da minha calcinha — Quantas vezes sonhei em estar aqui dentro?
Sentindo você empalada no meu pau.
A mão dele desceu e seus dedos me abriram. Minhas pernas fraquejaram
e fui obrigada a desviar o olhar do espelho, diante da sensação intensa.
— Olhe — ele ordenou na mesma hora, ríspido.
E Alfonso não me deu outra alternativa. A mão que estava no meu cabelo
o soltou. Ele segurou meu queixo e me fez encarar o espelho. Seus olhos
cravaram-se nos meus.
— Nunca desejei alguém como desejo você. Sou uma merda de homem,
mas não consigo mais evitar isso. — Alfonso provocou meu clítoris, fazendo-me gemer. Seus lábios beijaram minha nuca — Agora busque seu prazer,Angel. Mostre-me o que quer. Agora.
A voz imperiosa, somada à sua provocação lenta, não me deixava pensar
em mais nada. Aqueles olhos verdes exigiam obediência e me faziam
ultrapassar as barreiras da vergonha. Comecei a me movimentar contra a mão dele, completamente chocada e excitada pela minha própria imagem.
— Alfonso... — delirei.
Ele apenas sorriu de um jeito sexy.
— Veja como você é incrível, Angel. — Ele apertou ainda mais a palma da mão contra mim, permitindo-me esfregar-me em toda a sua extensão.
Veja como está pingando e se esfregando, sem vergonha, contra a minha
mão.
Não respondi. Solucei quando Alfonso friccionou sua palma com vigor.
Mas quando meu corpo começou a tremer, ele se afastou.
— Não. Não ainda. — Soltei um gemido de sofrimento, mas ele me deu uma palmada seca na nádega. — Você só vai gozar com o meu pau dentro de você. Agora tire o resto da roupa, suba na cama e sente virada para a beirada.
Ele me soltou e eu tropecei, devido aos joelhos trêmulos, mas obedeci.
Alfonso terminou de se despir, e eu não consegui afastar os olhos da
poderosa ereção que surgiu quando ele se livrou da cueca boxer.
— Mostre-se para mim — ele ordenou, e sua mão envolveu a base do seu pênis.
— O quê? — arfei.
— Abra suas pernas para mim, Any. Me ofereça o que tem.
A vergonha surgiu novamente, mas minha excitação e o poder daqueles olhos verdes eram maiores. Afastei os joelhos, devagar, e o vi gemer ao final da operação.
Alfonso mordeu o próprio lábio e começou a se masturbar. Ali. Diante
dos meus olhos.
Foi uma visão incrível.
Meu sangue começou a correr rápido nas veias.Mas continuei imóvel,como seu olhar comandava. Mesmo depois que a atenção dele se concentrou entre as minhas pernas e senti meu corpo prestes a entrar em combustão.
— Toque-se para mim, Anahi.
Não havia maneiras de resistir àquilo. Eu apenas fiz.
Entretanto, eu mal tinha começado a gemer, quando escutei um rosnado.
Então fui subitamente derrubada na cama e minhas pernas foram afastadas quase ao seu limite.
Gritei quando a boca de Alfonso me tomou e enterrei meus dedos nos
cabelos escuros dele. Ele estava tão ávido, que pensei que me marcaria, e a ideia me deixou ainda mais excitada.
— Fique de bruços — ele disse, quando emergiu das minhas pernas e
me beijou nos lábios, deixando-me sentir o meu próprio gosto. Com a
respiração acelerada, virei-me na cama — Estenda as mãos para cima e não se mexa.
Estendi as mãos e aguardei. Senti quando o peso sobre o colchão mudou e escutei o barulho de uma das gavetas do closet. Mas não me movi. Nem mesmo quando ouvi o barulho metálico e vi que deviam ser algemas.
Algemas com correntes.
— Confia em mim, Anahi? — Ele repetiu a pergunta do começo,mas com ainda mais solenidade. Sua voz soava acima da minha cabeça.
Eu devia estar assustada, mas não estava. Por isso, respondi sincera:
— Confio, Alfonso.
As algemas se fecharam nos meus pulsos e percebi diamantes incrustrados nelas.
Adrenalina e excitação controlavam meus batimentos cardíacos. Eu já tinha me imaginado vivendo coisas assim, mas eram anseios tão ousados e secretos... Pensava jamais ter coragem de pedi-los a um homem. Mas, com Alfonso, eu simplesmente não precisei.
Porque ele sabia. Parecia conhecer meu corpo e cada uma das minhas
reações. Tinha sido assim desde o começo.
Por isso, eu soltei um gemido satisfeito quando senti seu peito se colar
às minhas costas. E até mesmo sorri quando suas mãos reuniram meu cabelo e os puxou, erguendo minha cabeça.
— Quero que você olhe para o espelho enquanto te como por trás. — ele
sussurrou ao meu ouvido — Como uma boa garota, Any.
— Sim — prometi, encontrando seu olhar no espelho.
— Sim, o quê? — Ele me surpreendeu com uma palmada que me fez
pingar nos lençóis.
— Sim, senhor Herrera.
— Ótimo.
E ele me invadiu. De forma brusca. Sem gentileza e com um sorriso perverso nos lábios.
— Vou te foder do meu jeito, Angel. E você só vai assistir — Minha boca se abriu em formato de “O” quando ele segurou meu quadril e se
arremeteu, seguro e com força. — E depois eu vou foder essa sua boca
gostosa também.
— Sim, senhor Herrera — respondi e me permiti sorrir como ele.
Fui recompensada com outra arremetida mais rude que fez um cacho
escuro cair sobre sua testa.
— Acho que me enganei. Você não é uma boa garota — Alfonso disse
depois de se curvar e beijar meus ombros — O que a torna perfeita para mim.
Puxei as correntes longas a cada nova estocada dele e não me desviei do
espelho. Alfonso também não se desviou, apenas afundou ainda mais a mão no meu quadril, trazendo-me de encontro a ele enquanto seu olhar dominava o meu.
O suor começou a brilhar na minha testa e a reluzir nos ombros de Alfonso, ao mesmo tempo em que algo me fazia tremer por dentro. Primeiro em pequenos espasmos e depois crescendo mais. Formando ondas que
ameaçavam me quebrar por completo.
— Alfonso... — murmurei, inconsolável.
Ele soltou meu cabelo e suas mãos encontraram meus seios, enquanto
seu peso me prendia no colchão.
— Faça — ele ordenou, ofegante. — Goze no meu pau, Angel.
Uma última ordem que fez a onda me partir.
Gritei.
Alfonso urrou em seguida e eu o senti expandir-se dentro de mim,enquanto meus músculos o faziam meu prisioneiro.
Meu.
Foi o último pensamento que tive. Completamente errado e irracional.
Mas, ainda assim, tão forte quanto as batidas frenéticas do meu coração.
Ah, não. O que eu tinha permitido acontecer?
Meu corpo ainda estava amolecido pelo êxtase, quando senti as
correntes serem removidas com cuidado. Em seguida, meu corpo foi puxado contra a pele macia e perfumada por fragrância masculina cara.
— Está tudo bem? Eu a machuquei?
Quando abri os olhos, encontrei o rosto de Alfonso pairando sobre o meu.
— Não — falei, sentindo-me subitamente frágil.
Ele ergueu meu pulso e passou gentilmente o polegar pela marca da algema. Depois o beijou.
— Tem certeza de que não fui longe demais?
Neguei com a cabeça.
— Não. — Mas talvez eu tivesse ido. Provavelmente trilhado um caminho que não tinha retorno. — Você foi perfeito. Foi incrível, Alfonso.
Alfonso sorriu. Não como um homem que acabou de fazer sexo selvagem. Era mais como um garoto que recebe um elogio.
E aquilo fez meu coração doer um pouco. Só um pouco.
— Bem, acho que lá se vai a minha já pouca disposição de não a tocar.
— Ele envolveu minha cintura e acariciou entre as minhas escápulas.
— Já vai tarde — respondi, me aconchegando mais a ele. Ele riu e seu peito vibrou — Acho que preciso dormir um pouco. Podemos conversar
sobre qualquer coisa importante depois?
— Sim, Angel — ele concordou de imediato — Descanse.
Assenti com a cabeça, movimentando a bochecha direita sobre a pele
quente dele.
Mas quando adormeci e comecei a sonhar, senti seus lábios na minha
testa.
— Você sempre foi meu sonho, Alfonso — falei, desinibida, para o
rosto dele no meu mundo surreal
— Que bom que finalmente te encontrei.

Algemas de Diamante.Onde histórias criam vida. Descubra agora