Capítulo 16

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Anahi

O ranger suave de uma dobradiça despertou-me.
Pisquei antes de abrir propriamente as pálpebras, mas diferente do que eu imaginava, ainda não havia luz do dia. Apenas a luz pálida do luar atravessava as cortinas.
— Desculpe. Não era minha intenção acordá-la. — A voz profunda ressoou no quarto.
Movi o rosto para cima no travesseiro e sorri ao vê-lo.
Alfonso estava perto da cortina. Vestia somente um calção e estava
completamente iluminado pela luz da lua. O que deixava seus olhos intensos ainda mais misteriosos. Foi uma sensação gloriosa pensar em como a atenção
daquele verde incrível estivera voltada totalmente para mim. Em todas as vezes
que nos perdemos um no outro.
— Tudo bem — emiti e me contorci na cama, como uma gata preguiçosa e saciada.
Ele riu. Iluminando a penumbra do quarto mais que a lua, por alguns
instantes.
Sentei-me na cama para observá-lo melhor.
— Você vai a algum lugar? — inquiri ao perceber roupas nas mãos dele.
— Apenas nadar, como sempre. Antes de amanhecer.
E Alfonso ficou em silêncio. Apenas me olhando e parecendo temeroso de alguma coisa. Uma ansiedade contida transformou os traços do seu rosto,
mesmo que apenas um pouco.
— Anahi — ele finalmente falou meu nome. Mas não soou tão bem quanto horas atrás.
Meu coração começou a se encolher, percebendo as coisas bem antes da
minha mente.
É claro que tudo aquilo havia sido apenas diversão de uma noite. O que eu esperava? Que ele declarasse amor eterno por mim, depois de alguns delírios de prazer?
Francamente, Anahi...
— Gostaria de nadar comigo? — Meu coração disparou. E mesmo tentando me conter, alegria genuína pulsou nas minhas veias. — Quero dizer,a água é um pouco fria demais pela manhã. Não precisa se sentir obrigada, se não quiser...
— Eu quero — falei, sincera. E para demonstrar minha disposição,empurrei os cobertores que estavam sobre mim.
O sorriso de Alfonso ficou maior. Não soube se pela minha resposta
direta ou porque levantei-me da cama nua.
Mesmo envolvidos pela penumbra, consegui enxergar perfeitamente o olhar cobiçoso dele. Ninguém nunca tinha me olhado como Alfonso. Eram nítidas sua aprovação e adoração por cada parte do meu corpo. Ele tinha demonstrado isso em cada toque naquela noite. Talvez por isso eu tenha sentido uma confiança súbita. Então, sem me preocupar em me cobrir, passei ao seu lado para adentrar o closet.
Lá dentro, me curvei, procurando primeiro por qualquer roupa que
servisse para um mergulho rápido e minha toalha. Tinha acabado de achar esse último pertence, quando o ouvi suspirar com sofrimento:
— Se demorar mais dois segundos nessa posição, eu não vou responder
por mim, Anahi.
Ri e, com um short na mão, fiquei tentada a ser uma garota má, como
ele sugerira antes.
— Esqueci que você gosta da ideia de ser uma garota má. — Dei um
salto de susto ao sentir suas mãos no meu quadril, mas ri em seguida
— Mãos na estante. Agora.
Ele sussurrou no meu ouvido, e eu obedeci.
Minha pele se arrepiou com a brisa fria que cruzou o espaço, mas logo todos os meus sentidos estavam concentrados na promessa de invasão dele,enquanto suas mãos corriam pela minha pele.
— Alfonso... — Deixei minha cabeça pender contra a madeira, enquanto arrebitava minha bunda na direção dele, oferecendo-me completamente.
Alfonso afastou meus cabelos para o lado e seu queixo repousou no meu
ombro direito. A barba me arranhando de um jeito sensual.
— Você quer isso? — Gemi quando ele deslizou a cabeça do pênis por toda a extensão da minha fenda. Não contente com isso, ele me abriu com os dedos e se esfregou na minha carne, lambuzando nós dois com a minha excitação — Você está ansiosa para tomá-lo fundo, não está?
Assenti com a cabeça, sentindo todo o meu corpo esquentar. Como podíamos estar tão excitados, depois daquela noite intensa?
— Então peça, Anahi.
— Alfonso mordiscou minha orelha — Peça para eu me enterrar em você.
— Não posso... — falei, quase sem respirar.
Apesar de todos os limites que eu tinha extrapolado naquela noite, eu ainda não tinha tido coragem de falar qualquer coisa. Essa era a parte de Alfonso.
— Ah, você pode — Ele desceu a língua pelo meu pescoço — E quer.
— Ele começou a manipular meu clítoris de forma torturante. Soltei um gritinho e me contorci contra os dedos dele, buscando por mais. O maldito se afastou com uma risada, entretanto. — Peça, Angel. Peça para mim.
— Porra. Me coma, Alfonso
— desisti, socando a madeira do closet.
—Eu quero seu pau socando forte dentro de mim.
Não tive sequer tempo para assustar-me com as minhas palavras ou meu
tom de voz. Alfonso me virou e suas mãos agarraram meus quadris. Em um movimento ágil, eu estava montada nele e com as costas prensadas contra a madeira fria.
Ele se enterrou em mim, como dissera. E começou a socar forte, como
eu implorei.
Minhas costas batiam contra a madeira diante do ritmo rude, mas isso
aumentava ainda mais meu prazer. Alfonso capturou o bico do meu seio com a boca, mas seu olhar continuou no meu enquanto tomava meu corpo.
Segurei-me em seus ombros enquanto aumentava o ritmo dos meus quadris para acompanhá-lo. Eu estava tão selvagem quanto ele, hipnotizada pelo seu olhar cru e cheio de desejo.
— Isso. Me come, senhor Herrera — balbuciei baixinho contra os
cantos da boca dele, depois de um beijo rápido — Me fode gostoso assim.
Me surra com o seu pau.
— Porra! — ele gemeu. — Você vai me matar, Anahi Herrera.
Mas foi parte de mim que se aglutinou e depois pareceu ter uma pequena
morte, enquanto eu me desfazia nos braços dele. Alfonso se quebrou no
mesmo caminho duas arremetidas depois, soltando um som quase animalesco ao dilatar-se dentro do preservativo.
Nós dois ficamos abraçados. Corpos suados e testas coladas,enquanto nossas respirações se normalizavam juntas.
— Uau. Isso apenas melhora. — Ele sorriu para mim.
Sorri de volta.
— Eu concordo. — Acariciei os pelos escassos e claros no peito dele. —Quando começamos de novo?
Dessa vez, ele riu. Em seguida, me colocou de volta ao chão com delicadeza, mas não me soltou.
— Bem, primeiro, vamos tomar um banho. — Ele me beijou e afagou os
cabelos da minha nuca. Quando se afastou por fim, tinha um sorriso
malicioso nos lábios. — E depois vamos descobrir as margens de criatividade de uma piscina.
— Vocês dois estão fazendo todas as empregadas da casa suspirarem.
Eu ainda estava sorrindo para o celular, após receber uma mensagem de Alfonso. Ele já estava a caminho de casa. Bem mais cedo do que de costume.
E vinha sendo assim, nos últimos exatos onze dias.
— O quê? — Enfiei o celular no bolso, ergui a cabeça e olhei para Yolanda.
Ela tinha um semblante tranquilo e bastante satisfeito, ocupando-se de algumas magnólias no jardim.
Maite tinha ido dormir na casa de uma amiguinha na vizinhança, Riley
Kennedy. O que nos deixava ter uma conversa mais adulta enquanto fazíamos jardinagem. A atividade tinha se tornado uma paixão recente para mim, graças à Yolanda. Ela tinha mãos mágicas. Quase como “o menino do dedo verde”, de Maurice Druon. E eu estava tentando absorver tudo como sua mais nova pupila.
Além disso, canteiros bonitos fariam parte da decoração do baile das Roses of Queen, no próximo final de semana. As magnólias eram o tema do baile beneficente e precisavam não ser nada menos do que perfeitas. Isso, eu tinha ouvido pessoalmente da boca de Bethane Hudson, na última reunião do grupo que fui com Yolanda. Bethane era a presidente da organização e não tinha gostado muito de mim. A avó de Alfonso me garantira que era por puro despeito, já que eu tinha conquistado Alfonso e a neta infame dela ficara chupando dedo.
— Gwen me alertou de que você e Alfonso andam se esgueirando pelos
cantos, pouco antes do sol nascer. Piscina, jardins, a quadra de badminton...
Enrubesci de imediato, ao me lembrar de Gwen, a empregada de meia-idade, nos flagrando aos amassos no chão encerado da quadra. Alfonso tinha insistido naquela manhã que sabia o jeito correto de estimular a melhora das minhas habilidades no jogo.
Strip-badminton! Ele declarara. Ainda bem que não tínhamos sequer
conseguido começar o jogo, ou a situação poderia ter sido pior.
—Ah, não se envergonhe, querida. Vocês são jovens — Yolanda deu
um tapinha amigável na minha mão, depois de abandonar o regador — Além disso, nunca vi Alfonso tão alegre. Nunca, em todos esses anos, vi meu neto
sorrir tanto ou provocar alergia em tantos empregados ao encher a casa de rosas.
Ri. Não pude evitar. Alfonso estava mesmo com aquela mania. Quase sempre voltava de Londres com um buquê de flores caras ou mandava algum entregador, com um bilhete irônico e sexy, no meio da tarde.
Para retribuir, eu o esperava apenas de robe no quarto. Às vezes segurando nas mãos as correntes que descobri serem sua brincadeira
maliciosa preferida.
Estava se tornando um ritual. Nosso ritual. E eu o estava adorando.
— Você faz bem a ele como ninguém, Anahi
— Yolanda suspirou e
afofou a terra do canteiro — Claro que vocês também me fazem lembrar de Edward — ela riu. — Quando éramos mais animados e usávamos as passagens secretas desta casa para coisas mais interessantes.
— Há passagens secretas nesta casa? — Parei de afofar a terra, surpresa.
— Várias — Yolanda concordou. Depois passou o antebraço pela testa
— Edward reformou a casa e as construiu durante a segunda guerra mundial.
Tinha medo de que os nazistas chegassem a mim e Lucinda.
— Lucinda...
— A mãe de Alfonso — Yolanda confirmou com os olhos melancólicos
— Nossa Lucinda.
Não soube o que dizer em um primeiro momento.
Embora eu tivesse falado sobre meus pais, naquele jantar que mudara
tudo entre nós, Alfonso não dissera nada sobre os dele. Na verdade, eu já tinha percebido que ele tinha uma certa resistência sobre falar do passado. Por isso,
tinha optado por não o pressionar.
Mas diante da menção de Yolanda, eu tinha ficado curiosa.
Reuni coragem.
— O que aconteceu com ela?
Yolanda não me respondeu de imediato. Como Alfonso, eu já tinha
notado que os dois, às vezes, precisavam de pausas entre as conversas. Eles
sempre pareciam ponderar cada palavra antes de dizer. Era um traço de família.
— Ela faleceu. Suicidou-se com comprimidos, na verdade. Depois de ter
o psicológico destruído em seu casamento com o pai de Alfonso.
— Nós tentamos de tudo para ajudá-la, mas estava arruinada por Carl.
As agressões físicas e emocionais tinham ido muito longe. — Yolanda
prosseguiu — Luci tentou esconder tudo por tempo demais. Quando
descobrimos a verdade e tentamos salvá-la, simplesmente era tarde...
Meu Deus...
Tentei não levar as mãos aos lábios, horrorizada. Ao invés disso,
coloquei minha mão sobre a de Yolanda, que segurava a pá.
Ela me lançou um olhar grato e marejado.
— Eu sinto muito, Yolanda. — Não resisti a abraçá-la.
Ela não se importou. Na verdade, apertou-me de volta nos braços.
— Edward e eu nos culpamos tanto. Mas ela nunca nos disse. Ela escondia todas as marcas. Todas. Acho que acreditava que precisava suportar tudo... Minha doce Luci — Yolanda afastou-se dos meus ombros e me olhou nos olhos — No final, Alfonso foi o único que conseguimos salvar. Mas até mesmo ele tem marcas.
Sim. Eu podia perceber agora. Começava a entender...
— Ele acredita que é como o pai, Any.
— Ele não é — defendi-o de imediato.
Nunca. Ele jamais seria. Alfonso era o homem mais nobre que eu já tinha conhecido. Por baixo de toda desconfiança e do cinismo, estava um neto
atencioso e um irmão protetor. E eu começava a descobrir o amante
apaixonado e gentil. Que me puxava contra o seu peito e às vezes cantava,
desafinado, para me fazer rir até meu sono chegar.
— Ele nunca poderia ser como o pai — insisti.
Yolanda abriu um pequeno sorriso e piscou para afastar as lágrimas.
Mas então, seu rosto mudou quando ela girou o corpo para trás:
— Alfonso.
Também me virei de imediato.
Alfonso estava atrás de nós. Em seu terno do dia. Com um buquê de rosas
brancas nas mãos. Seu rosto, entretanto, estava duro como pedra.
— Esse assunto não diz respeito a nenhuma de vocês.
Meu coração retesou com o som gélido da voz. Pensava que aquele tom
já havia se perdido em algum lugar no passado, assim como aquele olhar
desconfiado na minha direção.
Levantei-me e limpei as mãos no avental.
Alfonso, entretanto, não me deu chances para falar. Ele deixou o buquê
nos meus braços e simplesmente se virou.
— Vou trabalhar na biblioteca e não quero ser perturbado. Por nada..
Foi a única coisa que ele emitiu antes de se afastar.
Uma pena para ele que eu não estava nem perto de deixá-lo levar a
melhor.
— Qual a parte de “não quero ser perturbado” você não entendeu?
Alfonso se levantou, calmo. Quase glorioso em suas roupas sociais.
Contrastando com a forma dramática, quase teatral, com a qual irrompi pelas
portas da biblioteca.
— Se você não queria ser perturbado, não devia ter arranjado uma
esposa. — Atirei as flores na mesa de nogueira dele — Somos conhecidas
pela perturbação da ordem, de acordo com o velho ideal machista e desprezível. Entretanto, nada foi mais desprezível do que a forma como você acabou de tratar sua avó.
— Anahi...
Ele começou, em tom de repreensão. Repreensão o caramba!
— Não, não. Você vai me ouvir, Alfonso Herrera! — Coloquei-me
diante dele — Mudei com você desde que descobri sobre como deseja
proteger Maite. Fui paciente, mesmo quando me ignorou por dias depois de me prometer sua amizade. Mas uma boa atitude não lhe dá carta branca para outras ruins. E não vou deixar que você magoe uma mulher tão boa como Yolanda.
— Não vai deixar? — Ele cruzou os braços sobre o peito. Não parecia
estar levando nada a sério.
E isso me deixou ainda mais irritada.
— Escute bem... — recomecei, ainda mais fervorosa, e dei um passo na direção dele.
Mas foi um erro. Porque seus braços rapidamente se descruzaram e me
agarraram, prendendo-me contra o peito dele.
— O quê? O que você está fazendo? — Tentei me afastar, e ele
respondeu meus esforços com um beijo cálido no meu pescoço — Eu estou
brigando com você, seu cretino!
Alfonso riu.
— E esse é meu jeito de brigar com você, Angel.
Arfei quando ele afagou minha nuca com as pontas dos dedos. Meu
carinho favorito.
— Isso é golpe baixo — tive de me esforçar para manter a voz alta e não
ronronar como uma gatinha — Não pode tirar vantagem de mim.
— Sim. É assim que eu ajo, Anahi. É assim que eu sou — ele prosseguiu, mas a voz não tinha qualquer traço de humor — Eu tiro
vantagem. Sou um canalha desprezível. Eu avisei que não era homem para
você, my Angel.
Alfonso se afastou e me encarou, finalmente.
Seus olhos estavam vazios. Foi horrível de ver. Mas a visão não durou muito, porque quando Alfonso se aproximou de novo e colocou sua mão na estante atrás de nós, tudo ao nosso redor girou.
Minhas costas perderam o apoio e Alfonso também não conseguiu se
segurar. Rolamos juntos por sobre pedras úmidas e meu corpo só parou
quando uma delas encontrou minha cabeça, apagando toda a minha existência
em segundos.

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