Capítulo 6

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Alfonso

A ideia insana me ocorrera no meio da conversa, mas não pensei que ela
realmente sairia da minha boca. Até que, me perdendo naqueles olhos azuis
tentadores, as palavras simplesmente escaparam.
Agora, a mulher que eu devia afastar da minha vida, por razões de segurança, estava mais próxima do que nunca e tinha solicitado uma reunião de negócios. Para discutirmos um casamento de conveniência.
E o que ela precisara fazer? Apenas piscar aqueles cílios longos e derramar lágrimas por uma irmã que, aparentemente, não merecia nem metade daquela consideração.
Você realmente perdeu todo o controle, Alfonso. Parabéns. Pensei enquanto aguardava pacientemente a chegada do elevador privativo.
De qualquer maneira, estava feito. E não havia formas de voltar atrás.
Christian dissera que uma esposa ocasional seria um grande contrapeso
durante as ações pela guarda. Seria apenas uma questão de formalidades.
Papéis assinados para fundamentar uma argumentação às pressas contra Tessa Perroni, a mãe de Maite, nos próximos meses.
Mas o casamento precisava acontecer em um espaço de semanas, no máximo. Sendo assim, eu não dispunha de tempo para fazer buscas com
propriedade.Maite corria o risco de ser tirada de nós a qualquer momento.
Além disso, manter Anahi por perto até que a joia da minha avó fosse recuperada era fundamental. E eu já tinha verificado seu passado sem encontrar nada de questionável. Muito pelo contrário.
Ao que parecia, Anahi Portilla era uma mulher responsável.
Formara-se cedo em uma universidade de prestígio do país e era muito
dedicada ao trabalho de cuidar da carreira da irmã. Com um pré-nupcial, os
riscos eram mínimos.
Todas essas divagações pareciam bons pretextos para a proposta que eu
tinha feito há quatro dias. Elas pareciam tornar tudo mais racional,exatamente da forma como eu apreciava que as coisas acontecessem na
minha vida.
Mas tudo isso desapareceu quando ela surgiu. Não das portas do elevador, mas do lance de escadas ao lado.
Desta vez ela vestia um terninho. Cinza e sem qualquer expectativa, a
princípio. O que não aplacou em nada as minhas expectativas.
Desejo. Sim. Isso poderia resumir muito mais a minha escolha impulsiva
e perigosa por Anahi como uma esposa de conveniência.
O longo cabelo mel estava preso em um coque profissional e isso desafiou meus dedos de imediato a causarem o caos naqueles fios sedosos.
Não havia muita maquiagem em seu rosto, e a cor nas bochechas era
resultado de um esforço natural da subida, porque se tornou mais intensa
quando seus olhos encontraram os meus.
— Alfonso — ela disse com a respiração alterada pelo exercício.
Gostei de imediato de ouvi-la me chamar pelo primeiro nome. A cadência do sotaque o tornava um som quase erótico.
De repente, os próximos meses se tornavam algo muito mais interessante.
Ela veio até mim. O som dos saltos sobre o mármore ecoando no ambiente silencioso.
Anahi olhou para a bancada onde minha secretária costumava ficar.
Depois para os demais lados do andar.
— Nós estamos sozinhos? — inquiriu por fim.
— Estamos — respondi, tentando não deixar meus olhos caírem para o
decote casto que quase não continha os seios magníficos. Será que ela tinha
noção do quanto seu corpo me afetava? — Presumi que se sentiria mais
confortável.
E foi uma presunção idiota. Porque eu não estava mais confortável.
Estava ficando duro apenas de olhar para ela, e saber que estávamos sozinhos
no andar, não ajudava em nada.
— É claro — ela disse.
Mas ela também não parecia mais confortável do que eu. Seus olhos se detiveram nos meus lábios e depois desceram para o meu colarinho aberto,
sem gravata. Então a garganta dela se moveu e seus lábios rosados
entreabriam-se.
Ah, aquela boca apetitosa seria o meu fim.
— Nós vamos para a sala de reuniões?
A voz dela me arrancou do transe.
Fiz um gesto para que ela tomasse a dianteira e comecei a segui-la
quando o fez. Fui incapaz de me conter e pousei minha mão no meio de suas costas. Ela estremeceu com o gesto e fechei os olhos por um instante, quando
a eletricidade familiar me atingiu com força.
Apesar de tudo, me mantive em silêncio até chegarmos às portas duplas.
Abri-as e aguardei que Anahi entrasse.
Eu mal tinha fechado a porta, quando a voz dela soou às minhas costas.
— Não posso aceitar sua proposta.
Virei-me lentamente.
Anahi estava de pé, com o quadril encostado no vidro escuro da mesa e torcendo os dedos de forma ansiosa.
— É uma loucura me casar com alguém que não se conhece direito.
— Perdoe-me, mas já conheço boa parte da senhorita, no sentido mais bíblico da palavra. — Deixei meus olhos se demorarem nas coxas macias.
O rosto dela se aqueceu por completo.
— Aquilo foi um erro. Um comportamento muito atípico da minha
parte.
Comecei a me aproximar dela.
— Também foi um comportamento atípico para mim, Anahi.
— Que bom que concorda. — Ela abraçou a bolsa que estava pendurada
em seu ombro — Se é assim, acredito que não tenhamos mais o que discutir,
senhor Herrera.
Ela tentou passar por mim quando eu estava prestes a prendê-la contra a
mesa, mas eu a contive pelo pulso delicado.
— Concordei com nossos comportamentos atípicos, não com a sua negativa, Angel. — Incapaz de resistir, levei seu pulso aos meus lábios e beijei-o.
Ela ofegou com o toque, e o cheiro floral de sua pele me fez delirar por um momento.
— Isso... É exatamente por isso que não podemos. Alfonso, isso não é normal!
— O que não é normal, Angel? — Passei meus braços em torno da sua
cintura.
Anahi tentou resistir, mas seu corpo derreteu quando acariciei suas costas.
— Essa atração. Essa intensidade. — Ela finalmente me olhou nos
olhos. — Coisas desse tipo não acabam bem.
— Pela minha experiência — Movi minha mão para o seu traseiro e apertei-o. Em seguida, beijei a curva do seu queixo —, acabam
maravilhosamente bem. Poderia acabar com você sobre esta mesa agora.
Bochecha contra o vidro e as pernas abertas para mim.
Ela gemeu baixinho.
Não pude mais resistir. Virei-a de costas para mim e apertei aqueles
seios exuberantes. Com a outra mão, procurei o caminho por baixo da saia
simples até alcançar o ponto que eu mais desejava dela.
— Alfonso! — Ela soltou um grito quando a invadi sem aviso.
Suas coxas me prenderam em uma armadilha deliciosa.
— Você gosta disso, não gosta? — sussurrei contra o pescoço dela.
Realizei minha fantasia e deixei meus dedos produzirem o caos naquele
coque perfeito. Quando os cabelos caíram em ondas, enrolei-os no punho e os
puxei levemente.
Anahi gemeu de novo e suas coxas se esfregaram contra a minha mão.
— Eu também gosto disso. Veja. — Empurrei minha ereção contra o
traseiro macio dela — É assim que você me deixa toda vez que a vejo. Duro.
Rude. Incapaz de me controlar.
Ela murmurou alguma coisa ao mesmo tempo em que seus quadris começavam a buscar por mim.
Não consegui me negar a ela e comecei a me mover. Anahi
começou a gemer quando a invadi com um segundo dedo. Mas quando
percebi que seu corpo delicado começava a tremer, parei.
— Não pare, porra! — Ela enfiou as unhas longas na minha camisa,como uma gata selvagem.
Ri contra a orelha dela, mas continuei quieto.
— Diga sim primeiro, Anahi. — Torturei-a, prendendo um pouco mais seu cabelo. Ela se derreteu mais um pouco nos meus braços — Diga sim
e teremos três meses incríveis disso.
— Você não está jogando limpo, seu canalha. — Ela respirava ofegante.
— Não jogo limpo, Angel. Eu jogo para ganhar.
— Você é sujo, baixo, vil.
Ela não sabia o quanto estava certa.
— Sim. E é isso que te atrai — falei, mordiscando seu pescoço
—Vamos, Anahi. Me dê seu sim e venha comigo para a Inglaterra.
Por um momento, houve apenas o som das nossas respirações descompassadas e a eletricidade de toda aquela atração ao nosso redor.
Tive um medo terrível de que ela dissesse não.
Aquela mulher tinha despedaçado o meu autocontrole e eu o queria de
volta. Mas só o recuperaria depois de me saciar dela. Depois de ter seu corpo
e seu prazer de todas as formas.
Talvez fosse um risco grande a se correr. Anahi me fazia chegar perto demais do que eu mais temia ser. Mas não havia mais volta. Minha
necessidade dela era maior do que qualquer razão. Do que qualquer senso de
autopreservação.
Foi então que a boca dela encontrou a minha. Afrouxei minha pegada em seus cabelos e deixei que ela me beijasse. No final do contato ardente, nós dois estávamos trêmulos.
— Sim, Alfonso. Eu digo sim.
O gemido escapou de mim quando a penetrei com força novamente.
Anahi gritou em seguida e se derramou sobre mim.
Todo o seu corpo ficou amolecido em instantes, mas eu a sustentei,passando o braço por trás dos seus joelhos e erguendo-a contra o meu peito.
Beijei sua boca tentadora quando seus olhos torpes se detiveram nos meus.
—Esse é um futuro promissor para o nosso casamento, Anahi Portilla.

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