Capítulo 2

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Alfonso

Eu mal tinha aberto a porta da minha suíte no hotel, quando a puxei de volta para os meus braços. Segurei sua cintura e enterrei o nariz em sua nuca.
— Isso parece loucura — ela murmurou, arfante. Os olhos azuis,cálidos de desejo, além da máscara brilhante.
— O melhor tipo de loucura, Angel. — espalmei possessivamente uma mão contra a barra do vestido vermelho. Com a outra, agarrei seu longo cabelo com firmeza — Prometo fazê-la adorar cada segundo.
Ela riu. Um som melodioso e pecaminoso.
Fiquei ainda mais duro.
— Você faz promessas demais.
— É porque tenho prazer em cumpri-las.
Sem avisar, ergui-a do chão e a coloquei sentada sobre o aparador de
madeira escura. Algo caiu no caminho, mas nenhum de nós se importou.
Minha boca já estava de volta nela, e quando me aproximei mais, suas pernas me acolheram sem qualquer temor.
Fiquei preso naquela armadilha doce, sentindo seu calor íntimo provocar
o ponto exato da minha virilha. Não resisti ao ímpeto de me movimentar.
Ela gemeu.
Investi contra ela, e o gemido se tornou um grito.
— Alfonso!
Ri, perverso.
— Vamos para a cama. Agora — rosnei.
E com a mesma agilidade, afastei-a do aparador. Ela envolveu meus quadris com as pernas e caminhamos entre beijos até o meu quarto.
Praticamente tropeçamos e caímos juntos na cama.
Ela riu. Eu também me vi rindo.
— Você seduz todas as mulheres aos tropeços? — Ela suspirou embaixo
de mim — Funciona sempre?
— Essa resposta é você quem vai me dar, Angel — falei, permitindo que minha mão subisse pela coxa dela.
Em geral, eu apreciava seduzir uma mulher aos poucos, mas aquela
mulher de vestido vermelho e cabelos de um castanho  mel tinha afastado de mim qualquer civilidade no momento em que se sentou ao meu lado. Ela tinha sido uma distração bem vinda depois dos telefonemas
desanimadores do meu advogado na Inglaterra.
Por isso, quando alcancei o alto de suas coxas, foi mais do que natural arrancar em um puxão brusco aquele tecido íntimo e frágil.
Ela soltou um gritinho, surpresa.
— Quanta brutalidade! — disse, na voz mais erótica que eu já ouvi.
Estava claro que não gostava de doçura. Ela procurava por urgência,assim como eu.
— E eu ainda nem estou dentro de você — avisei enquanto afastava o
vestido até a cintura dela, expondo-a completamente para mim — Agora, vou
provar a melhor surpresa que você tem para mim.
Não a deixei pensar. Em um movimento rápido, segurei suas coxas e as afastei. Então, simplesmente a tomei para mim com a boca.
— Alfonso! — ela berrou e suas mãos foram parar nos meus cabelos.
Tive consciência de que ainda estava de smoking quando ela passou os
dedos pela minha gravata borboleta, antes de chegar à minha nuca. Aquilo estava completamente fora de controle. Eu nunca tinha começado as preliminares em uma mulher antes de me despir. Era quase um ritual.
Também nunca tinha levado uma mulher para a cama sem antes deixá-la a par das minhas condições. Ou sem estar certo de que as mãos dela estariam bem atadas...
Mas eu não conseguia pensar naquele momento para explicar qualquer
coisa. E a ideia de afastar a boca dela não me atraiu nem um pouco.
Principalmente com os quadris dela se movimentando na minha direção daquela forma. Era tão instintivo e natural que atraía ainda mais o meu lado
feroz.
— O que é isso... que você está fazendo comigo? — A última palavra dela saiu mais aguda e a morena iluminada se retorceu, jogando os braços sobre a cabeça e me dando mais acesso ao seu corpo.
— O mesmo que você está fazendo comigo...
— devolvi. — Preciso de
você montada em mim. Nesse momento.
Os olhos dela se arregalaram diante das minhas palavras, mas não lhe dei qualquer tempo. Puxei suas pernas para os meus ombros, segurando-a pelas nádegas redondas e firmes.
— Tão molhada e cheirosa
— falei, deixando minha barba arranhar a
pele lisa da coxa dela. Os lábios dela se entreabriram e seu rosto relaxou em
uma expressão de prazer.
— Precisa ser chupada como merece, Angel.
Então a ataquei. Faminto.
Ela gritou quando minha língua chicoteou o clitóris, macio e molhado.
Mas eu não parei. Continuei sorvendo-a com avidez. Explorando cada parte
úmida de prazer, apenas para perceber com satisfação que a cada toque, ela
ficava ainda mais molhada para mim.
— Alfonso, eu acho que não vou conseguir segurar...
— Ela quase chorou
— Você está me matando...
Ri contra as dobras sensíveis dela. E não resisti. Penetrei-a com um
dedo.
— Não se segure, Angel.
— O espaço era tão apertado que eu precisei
me concentrar para perder o controle antes da hora
— Deixe vir.
Uni um segundo dedo ao primeiro e deixei-os fazerem as invejadas vezes do meu pau que latejava dentro da calça. Ela continuou me seguindo com os quadris, esfregando-se contra a minha mão. Sem vergonha alguma de me olhar nos olhos, gemer e reagir a cada uma das minhas investidas brutas.
Era magnífico, e eu precisei de um esforço hercúleo para não me render com ela, quando senti os espasmos apoderarem-se de seu corpo delicado. Ela se contraiu ao redor dos meus dedos e depois deixou a cabeça tombar,desamparada, nos travesseiros.
Aquilo foi ainda mais incrível. Eu não me lembrava de qualquer outro
encontro casual onde tudo havia sido tão perfeitamente real. Onde não havia
qualquer fingimento das partes para agradarem a outra.
— Eu... Minha nossa... Você nem tirou o smoking.
Ela estava ofegante e corada, enquanto me fitava sob a luz tênue do
abajur.
Ela.
Foi quando percebi que sequer sabia seu nome. Ou seu rosto por completo, já que a máscara ainda escondia boa parte dele. Não que isso houvesse sido um problema antes. Eu já tinha perdido a conta de quantas mulheres sem rosto ou nome estiveram na minha cama.
E, no entanto, aquela deusa de cabelo castanho mel tinha conseguido prejudicar meu raciocínio frio em questão de minutos.
Eu precisava saber.
— Quem é você, Angel? — Estendi a mão para afastar a máscara do
rosto dela.
Mas então, meu celular começou a vibrar no meu bolso.
Eu não queria atender. Não mesmo. Entretanto, tinha a maldição de um
senso de responsabilidade que nunca conseguia abandonar completamente.
— Qual o problema, Michael? — falei, afastando-me com relutância da morena embaixo de mim.
Achei graça quando ela pareceu encabulada ao se dar conta da posição
em que estava, para o meu prazer. Como uma virgem casta, ela se enrolou no
meu lençol e sorriu, nervosa.
— Um momento — pedi enquanto voltava a dar atenção ao chefe da
minha segurança no México. — Repita o que disse, Michael.
— Um dos colares do desfile, senhor Herrera — A voz de Michael era temerosa — Foi roubado no final do evento. A modelo que estava com
ele simplesmente desapareceu.
Precisei de alguns segundos para compreender o que ele queria dizer. E,ainda assim, me pareceu um absurdo.
— Você tem certeza do que está falando?
— Sim, senhor.
— Inferno, Michael! Como alguém pode ter conseguido fugir do prédio com um colar de um milhão de libras?
Eu não podia acreditar. Aquela coleção era uma das primeiras da joalheria. Meu avô tinha inspirado cada peça na personalidade da minha avó.
— Nós pedimos perdão, senhor. Ainda estamos tentando entender como
isso aconteceu. Mas, ao menos sabemos o nome da modelo, é Giovanna Portilla.
Não quis saber de mais nada. Apenas desliguei o telefone com a ira crescente borbulhando dentro de mim.
Eu sabia bem quem era a modelo. Após uma conversa, sem valor algum,
durante uma seção de fotos para o evento de comemoração dos trinta anos
das joalherias Blackwood no México, a mulher tinha decidido ter minha cabeça
como prêmio.
Ela chegou a ir ao meu escritório no prédio Safira. Eu apenas não havia
a retirado do casting porque desestruturaria toda uma campanha que já
custeava o suor de muitas pessoas há meses.
— O que aconteceu, Alfonso? — A morena se aproximou de mim, ainda enrolada no lençol.
— Nada. É melhor que você se vista e saia.
Ela ia me tocar, mas recuou, assustada.
Senti-me um cretino de imediato. Seja lá quem fosse a garota, não tinha
culpa do desastre que acabara de me acontecer.
— Desculpe-me — Respirei fundo e me apoiei no pequeno bar próximo
à janela —, mas nossa noite terá de ser interrompida. Acabo de saber que fui roubado.
Ela levou as mãos à boca, num gesto tão inocente que não poderia ser
calculado.
Mas o gesto a fez tocar a máscara, e apenas então ela pareceu se recordar de que a usava. Com um movimento rápido, ela a afastou do rosto.
Não pude acreditar no que meus olhos enxergavam.
— Quem roubou você, Alfonso?
Precisei cerrar meus punhos quando a ira pulsou, desenfreada, pelas minhas veias.
Como eu podia ter caído em uma armadilha tão antiga e idiota? Logo eu,que àquela altura me orgulhava de saber antecipar todos os movimentos
enganosos ao meu redor.
— Você tem cinco segundos, senhorita Portilla — avisei, apertando a madeira da janela — Cinco segundos para me devolver o que me tirou. Ou vou fazer com que a polícia venha até aqui e arraste seu nome de volta para a lama, de onde ele nunca deveria ter saído.

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