Alfonso
— Anahi! — Tateei, desesperado, na escuridão.
Eu tinha ouvido o barulho horrível de osso se chocando contra rocha,mas não conseguia achá-la.
— Angel, me responda. — Minha voz tremia tanto quanto as minhas
mãos.
Senhor, não permita. Não me deixe perdê-la...
— Alfonso... — A voz dela soou, frágil, em algum lugar à minha frente.
Graças a Deus.
— Não se mova. Eu vou até você — tentei soar firme.
— Alfonso! Alfonso! — A voz dela se tornou estridente de uma hora para outra e meu coração congelou no peito. — Alfonso, onde você está?
— Estou aqui — falei quando minha mão tocou a dela.
Anahi tremia por inteiro e agarrou-se a mim de imediato. Suas mãos
frias se agarraram ao colarinho da minha camisa.
— Eu... Eu não quero ficar aqui. — O pânico dela estava aumentando
—Eu não posso ficar aqui... Eu não consigo respirar.
Ergui-a nos braços e fiquei horrorizado. A aflição dela estava fazendo todos os seus músculos terem espasmos.
— Me tira daqui, Alfonso, por favor.
Apertei-a com um braço e beijei seus cabelos.
— Feche os olhos. Já vai acabar, meu amor — prometi e acariciei suas costas.
E com o braço livre, comecei a tatear a parede de pedras brutas para encontrar a pequena alavanca. Mas não era fácil. Eu já sabia pelo que procurar em teoria, mas também sabia que era um troço minúsculo.
— Estou com você
— prossegui, tentando acalmá-la — Você não está sozinha. Confie em mim, vou tirá-la daqui.
Senti quando ela balançou a cabeça em sinal positivo e procurou abrigo no meu ombro.
Foi aterrorizante. Ver aquela mulher forte, que tinha irrompido pelo meu
escritório para me enfrentar e defender minha própria avó de mim, encolher-se contra o meu peito. Petrificada por um medo crescente.
Toda a minha raiva e indignação, por vê-la destrinchando meu passado com a minha avó no jardim, desapareceram. De repente, eu apenas queria protegê-la do mundo. Colocar-me entre seu corpo pequeno e qualquer coisa que pudesse feri-la. Mesmo que isso não fosse algo palpável.
— Respire fundo
— aconselhei-a, quando outro tremor sacudiu seu
corpo delicado.
Anahi me obedeceu, enquanto minhas mãos continuavam a busca.
Um alívio preencheu meu peito quando finalmente encontrei a velha alavanca úmida. A luz da biblioteca invadiu o espaço apertado e eu nos tirei dele de imediato.
Carreguei Anahi até o estofado azul e a coloquei sentada nele com cuidado.
— Você se feriu? — Ajoelhei-me diante dela, a estudando.
Anahi não me respondeu. Ainda parecia em choque.
Segurei seu rosto com as duas mãos.
— Angel, me responda. Você se machucou? — insisti.
Ela finalmente piscou e deteve sua atenção em mim.
— Não... — Ela disse, mas sua mão se moveu em direção à cabeça.
— Você bateu a cabeça — confirmei ao me lembrar do som tenebroso
que havia escutado quando caímos dentro da passagem. Comecei a me levantar de imediato. — Eu vou chamar um médico...
Mas antes que eu pudesse terminar o movimento, as mãos geladas dela
seguraram meu punho direito e me trouxeram de volta para ela.
— Por favor, não vá — ela pediu com os olhos marejados — Por favor,
Alfonso. Não vá.
— Querida, você precisa de um médico. Pode ter sofrido uma concussão e...
Anahi não me deixou terminar. Seus braços trêmulos envolveram-me pelo pescoço.
— Não se afaste — ela sussurrou ao meu ouvido, completamente
fragilizada — Eu preciso de você.
Era mais do que eu podia aguentar.
Abracei-a de volta, apertando-a contra o meu peito com delicadeza.
— Eu não vou a lugar algum — as palavras simplesmente jorraram dos meus lábios — Não vou.
E para selar minhas palavras, eu beijei seus cabelos. Depois sua testa e suas têmporas. Arrastei minha boca pelas bochechas molhadas por lágrimas e as sequei com meus lábios.
— Você não devia chorar, Angel. Não posso suportar vê-la chorar. Por favor, pare.
— Então me beije, Alfonso — ela pediu, apoiando sua testa na minha
—Por favor, me beije.
Mas Anahi não esperou. Seus lábios avançaram sobre os meus.
Primeiro, com toques leves, carentes. Lábios que buscavam por apoio e
segurança. Quando ofereci os dois a ela, entretanto, eles exigiram mais e eu entreguei isso também.
— Anahi... — murmurei o nome dela por completo enquanto enfiava meus dedos por entre os cabelos da sua nuca.
— Por favor, Alfonso. — Ela nocauteou a boca do meu estômago com
aquele azul sensível no olhar. — Faça amor comigo.
Foi como um espinho cravado direto no meu peito.
Como eu iria explicar a ela que não poderia atender seu pedido? Como poderia mostrar que era um homem defeituoso? Aleijado naquele tipo de demonstração de afeto?
— Não sei se consigo fazer isso, Angel — confessei. Porque Anahi
merecia ao menos essa verdade de mim — Eu apenas... Não consigo.
Pensei que ela fosse se afastar. Recuar como a maioria das mulheres,
quando enfim descobriam o que havia por trás da performance sexual: um
homem completamente vazio. Sem mais nada para oferecer a elas.
Entretanto, Anahi não recuou.
Ela se aproximou e beijou meu queixo. Depois me olhou com aqueles grandes olhos cheios de afeto sincero.
— Nós conseguiremos juntos. — Ela beijou minha bochecha —Qualquer coisa que quisermos, Alfonso. Nós podemos conseguir juntos.
E eu não resisti. Deixei que ela me beijasse e a beijei com mais desejo ainda de volta.
Quando suas mãos correram pela minha camisa, desabotoando-a, eu a ajudei. E assim removemos cada peça de roupa do corpo um do outro. Com as roupas, eu sentia que, na verdade, estava deixando cair muito mais.
Mas não me importei. Porque, de repente, tudo em mim mesmo ficou
em segundo plano. Minha prioridade se tornou ela. Deitada embaixo de mim
naquele sofá, abraçando-me e me recebendo em seu corpo.
Ela era uma dádiva. A minha dádiva.
— Minha... — repeti em voz alta, tomando o delicado bico do seio entre os meus lábios. — Você é minha, Anahi.
Eu já não me importava mais com o fato de que não a merecia. Nem com o fato de ter me esforçado tanto antes para evitar justamente aquilo. Para não a arruinar.
Ao menos, no final de tudo, quando ambos estivéssemos destroçados,Anahi também teria levado a melhor. Porque eu sentia que ela também
era minha mais doce ruína.
— Eu sou, Alfonso — ela me prometeu, cravando seu olhar no meu. Sua
mão delicada acariciando os cabelos da minha nuca — Cada parte de mim
pertence apenas a você.
Aquelas palavras foram a minha derrocada final.
Preenchi-a, e ela me acolheu com perfeição.
Eu nunca tinha tido uma mulher daquela forma tão íntima. Olhos nos
olhos. Nossos corpos entrelaçados por completo como se fôssemos apenas
um. Eu precisava controlar tudo sempre. Precisava manter sob domínio todos
os meus demônios. Jamais me arriscar a deixá-los em evidência para alguém.
Mas se Anahi os enxergou no meu olhar, ela simplesmente não se importou. Porque me apertou ainda mais. Suas unhas cravaram-se nas minhas costas, e eu cedi todo o meu controle a ela. Incapaz de negar qualquer coisa
diante daqueles olhos.
Ela se movimentou, e eu a segui. A cada investida, mergulhando mais
fundo. Perdendo-me no seu desejo doce.
— Anahi... — murmurei quando já não conseguia mais me conter
— O que você está fazendo comigo?
Anahi não me respondeu. Ela gemeu e me sugou ainda mais para dentro dela.
Nós estávamos prestes a atingir um ponto sem volta. Eu tinha completa
noção disso. Sabia perfeitamente do estrago que viria depois.
Mas fiquei. Porque não tinha mais forças para me afastar.
— Goza para mim, Alfonso — ela disse, doce, e beijou o canto esquerdo
da minha boca — Goze, meu amor.
E foi a minha sentença.
Meu corpo estremeceu ao mesmo tempo em que o dela desfalecia embaixo de mim. De uma forma magnífica. Quase surreal. E quando eu olhei para o rosto da mulher linda abaixo de mim, eu tive uma nítida compreensão:
Eu estava acabado.
— Eu estou tomando pílula
— ela disse, segundos depois, quando a puxei para o meu peito e nós nos deitamos mais confortavelmente no sofá.
—Fui ao médico e comprei em Londres, na última terça-feira. Quando fui com a sua avó e Maite provar os vestidos para o baile das Magnólias.
Eu devia realmente estar preocupado com aquilo. Nós havíamos acabado de transar na minha biblioteca, sem camisinha, e Anahi poderia já estar perto de gerar um filho meu.
No entanto...Aquilo parecia um mero detalhe, diante do que tinha acabado de
acontecer entre nós. Por isso, não respondi de imediato. Apenas deixei meus dedos acariciarem a pele delicada de seu braço atravessado sobre o meu peito.
— Está tudo bem? — Anahi afagou meu esterno e depois apoiou seu queixo nele.
Suspirei diante da beleza da minha esposa.
— Sim. Está tudo bem. — Afastei uma mecha de cabelo que caía sobre a testa dela. E por não me sentir preparado para qualquer questionamento
sobre o que acabara de acontecer entre nós, inquiri primeiro: — Por que você tem fobia do escuro?
Tinha ficado claro para mim que aquela reação de Anahi, dentro da passagem secreta, ia muito além de simples medo.
Foi a vez dela de suspirar. Em seguida, ela deixou de me olhar e voltou a
repousar sua bochecha no meu peito.
— Não é nada com o escuro — revelou por fim.
— É claustrofobia. Não
sei se percebeu, mas não ando de elevadores e tomei remédio para dormir quando pegamos o voo para Londres.
Eu não tinha notado, mas as memórias vieram de imediato. Lembrei-me
da segunda vez em que nos encontramos no edifício Safira,em Cancún.
Anahi estava corada por ter subido vários lances de escada. E no nosso
voo em meu jato particular, eu não a tinha visto deixar a cabine.
Senti-me um idiota. Eu tinha me comportado como um imbecil naquela
viagem. Um bastardo arrogante sem ideia do que a mulher ao meu lado
estava sofrendo.
Mais uma onda de culpa se acrescentou ao mar que eu já carregava ultimamente. Por isso, só consegui ficar calado e aguardar. Os dedos dela
contornaram minhas costelas antes que sua voz voltasse a soar:
— Começou quando eu tinha sete anos. No orfanato que foi meu lar e o de Giovanna, por algum tempo.
— O que aconteceu? — instiguei-a, contornando suas vértebras com os
dedos, devagar.
Anahi apertou seu corpo um pouco mais contra o meu. Recebi-a,
tentando tornar meu abraço ainda mais reconfortante.
— Tinha um velho poço, no terreno de fazenda do orfanato. Claro, nós
não tínhamos permissão para chegar sequer perto dele e o lugar costumava
ser vigiado pelas freiras que tomavam conta de nós. — Ela deu de ombros —Mas, um dia, simplesmente não tinha ninguém lá. Eu me lembro de ter ouvido um dos contos dos irmãos Grimm. Um sobre uma luz azul no fundo de um poço e que poderia me conceder um desejo. Eu queria muito ter pais que me amassem na época, então foi muito natural me curvar na beirada daquele velho poço e procurar pela luz azul.
Tudo em mim estremeceu.
— Não me diga que...
— De alguma forma, eu me desequilibrei e caí. O poço não tinha água
mais. Mas tinha lama e era completamente escuro. — A voz dela falhou um pouco e eu a apertei mais.
— Lembro-me de sentir dor em um dos pés e do
sangue nas pontas dos dedos enquanto eu tentava escalar, mas o pânico era o
pior... Parecia que as paredes estavam se fechando. Foi a noite mais horrível da minha vida.
— A noite toda? — Segurei seu queixo e a fiz me olhar.
Ela assentiu.
— Anahi...
— Se não fosse por Giovanna, eu não sei o que teria acontecido. — Os
olhos dela marejaram — Ela foi a única que deu por minha falta. Nem
mesmo as freiras notaram meu sumiço, em meio a tantas crianças. Mas Giovanna quebrou as regras e saiu à minha procura. Ela me encontrou pela manhã,
gritando no poço — Anahi deu um pequeno sorriso e sua atenção desviou-se para algum lugar no passado — Ela tentou me acalmar e me jogou a corda velha do balde. As freiras a encontraram tentando me puxar para fora,horas depois. Ela ficou com as mãos feridas por semanas.
— Você sente que ela a salvou — falei, chamando sua atenção para mim novamente.
Anahi se concentrou em mim mais uma vez.
— Não sinto. Ela me salvou — ela disse, francamente emocionada. —Giovanna ainda diz que é essa nossa ligação. Coisa de gêmeas. Talvez seja verdade, mas no final não importa muito. Poderiam ter demorado tempo demais para me encontrar naquela região afastada, se não fosse por ela.
Amparei sua bochecha.
— E desde então você quer retribuir, a salvando de tudo e todos.
—Compreendi por fim.
Aquela mulher era demais para um desgraçado como eu.
— É o papel de um irmão mais velho. Proteção. — Foi a vez de Anahi acariciar meu rosto — Você também sabe disso. É o que tem feito
por Maite desde que ela nasceu.
Ela me olhava como se eu fosse uma espécie de cavalheiro de armadura.
Aquilo acabou comigo.
Não, Angel, não se engane. É apenas um rostinho bonito.
Incapaz de suportar, a afastei com delicadeza de mim e sentei-me no estofado.
— O que aconteceu, Alfonso?
Era o momento. Eu precisava contar a verdade. Era a minha chance de justificar, ao menos, um pouco das expectativas dela. Mas quando olhei
naquele azul repleto de admiração... Não consegui encontrar forças.
— Alfonso... — Anahi tocou meu ombro — Se for por causa do que
sua avó disse sobre o seu pai...
— Ele era um demônio! — Cerrei os punhos. Com raiva por não fugir
dele. Por não conseguir fugir de quem eu era — Meu pai era um homem sem escrúpulos. Que agredia a própria esposa quase todos os dias. E eu não sou muito melhor do que ele, Anahi.
A última frase foi dita em um berro, e Anahi recuou, assustada.
Achei que ela, enfim, tinha encontrado alguma prudência, e continuei
implacável.
— Quando minha mãe se suicidou por causa dele, eu o amaldiçoei no
funeral. Carl morreu, anos depois. — Não afastei meu olhar do dela.
Anahi precisava entender — Câncer de esôfago. Uma maldição evocada
por mim!
— Alfonso...
Ela tentou me tocar, mas eu me afastei. Fiquei de pé e vesti minha cueca
antes de parar diante da lareira.
— Não é o suficiente para você? Então saiba disso também — Levei
minhas mãos ao cabelo — Anos atrás, eu tive uma noiva. Uma modelo
francesa, e ela engravidou. Mas temia pelo seu corpo, então simplesmente
abortou meu filho. Sem me dizer nada.
— Meu Deus, Alfonso!
Anahi fez menção de se levantar, mas eu a impedi com um gesto.
Então, virei-me de costas, procurando me concentrar. Eu estava prestes a voltar a uma das piores partes do meu passado. Mas não tinha escolha.
Ela precisava entender de uma vez quem eu era.
O que eu era.
— Eu fiquei com tanta raiva quando descobri os papeis... — Agarrei o
console de mármore. Torcendo para que fosse o suficiente para aplacar tudo o que se passava dentro de mim — Então eu bebi muito e esperei por ela
—Soltei uma risada feia. — Quando Aurélie chegou, eu acusei-a de coisas terríveis, mesmo sabendo que ela tinha direitos. Afinal, o corpo era dela. Eu gritei com ela e quebrei coisas, eu...
De repente, minha força simplesmente se exauriu.
Era aquilo. Eu tinha chegado ao meu limite.
— Eu agi como um monstro. — Deixei tudo ruir, ao mesmo tempo em
que meus ombros caíam. Minha voz também pareceu prestes a desaparecer
—Você não entende? Eu sou igual a ele. Sempre fui. Anahi, eu também
sou um monstro.
Meus músculos cansados tremiam e minha mão sobre o piso também.
De repente, braços delicados envolveram a minha cintura.
— Não, Alfonso. Você não é — a voz dela estava embargada — Você apenas estava triste e surpreso. Mas você não é um monstro.
Ri com amargor.
— Na sua primeira noite, eu a amarrei. Quando tentei acertar as coisas
depois, eu a acorrentei na minha cama e a possuí de forma rude e sem
arrependimentos, Anahi. Porque sexo só funciona assim para mim. Dessa
forma doentia, controlando os corpos das mulheres. Marcando-as com a minha brutalidade. Como meu pai.
Sim. E era por isso que eu tinha me acostumado a usar correntes, cordas
ou qualquer coisa que atassem as mulheres. Para não ser tocado. Para não ter a chance de compartilhar carícias e machucá-las com o meu toque.
— Isso não é verdade — Anahi disse, ríspida, e apertou-me
momentaneamente — Você só me acorrentou porque eu permiti, Alfonso. Só aceita o controle que é dado a você — A mão dela acariciava meu abdômen agora — Você teria parado se eu pedisse. E eu não pedi, porque isso sempre foi justamente o que eu quis. Estar isenta de me preocupar com o controle.
Liberdade. Você me tornou livre desde o momento em que nos conhecemos,Alfonso.
Dedos invisíveis apertaram meu coração quase a ponto de esmagá-lo.
— Tudo em você é perfeito para mim — ela sussurrou.
Não, Angel...
Aquilo era impossível. Como ela podia simplesmente olhar para os meus demônios e aceitá-los? Desejá-los...
Meu Deus, aquilo era mais do que impossível. Naquele momento, era
dolorosamente trágico.
— Eu chantageei você para estar aqui, Angel — fiz uma última tentativa
ridícula de encontrar coragem para lhe dizer a verdade. — Eu tenho sido
desprezível...
Mas Anahi me apertou mais, sem me dar tempo para terminar.
— Uma dívida existe, Alfonso. E eu me ofereci para pagar. Eu concordei com tudo
— ela insistiu, e sua cabeça descansou nas minhas costas — Não há nada desprezível em você. Eu sei disso.
Não consegui responder.
Não tinha mais forças para fazê-lo.
Além disso, sentia que havia chegado na reta final com Anahi. Não havia mais para onde escapar. E se me restasse alguma dignidade, eu não o faria.
Não.
Dessa vez seria diferente. Eu agiria diferente.
Por isso, virei-me e dei a ela o que desejava naquele instante. Abracei-a com força e me permiti enterrar meu nariz em seu ombro perfumado.
— Você é bom, Alfonso. O melhor homem que já conheci.
— Ela enfiou seus dedos entre os meus cabelos e confirmou que eram para mim as palavras que tinha dito dias atrás, quando estava prestes a dormir nos meus braços.
—Você é o meu sonho.
Apena assenti. Uma dor quase incapacitante brotando do fundo do meu peito enquanto eu tentava me concentrar em guardar o cheiro dela na memória para sempre. Porque, em algum momento, isso seria tudo o que eu teria.
Em algum momento, logo em breve. Quando eu, inevitavelmente,
partisse o coração da mulher por quem eu havia me apaixonado.
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Algemas de Diamante.
RomanceSinopse: Anahi e Giovanna são irmãs gêmeas. Idênticas na aparência e diferentes na alma. Anahi sempre muito correta e doce. Giovanna caprichosa e ambiciosa. E por serem tão diferentes Anahi poderá pagar um preço muito caro por causa das ambições de...
