Com a falta de dois membros da Divisão Vermelha na equipe Beta, Silver designou a número Um, da Divisão Verde, para auxiliá-los. Nove deu ordens a Dois seguir Três na missão a campo, enquanto Um seria parceira de Cinco.
Um era uma garota muito inteligente, e criativa. Assim que soube de sua nova designação, preparou um dróide de reconhecimento e um dróide reparador. O primeiro teria missão de ir a campo à frente da equipe, para que fizesse a varredura, e não acontecesse surpresas como a que Oito e Três tiveram naquela missão. O segundo dróide faria companhia a Quatro na nave, obedecendo a suas ordens e cumprindo a antiga função de Dois. Como era sua primeira vez em uma missão da divisão vermelha, ainda estava aprendendo a atirar com o armamento, e foi muito auxiliada por Cinco.
Pelo êxito da missão, Nove concluiu que a equipe Beta da Divisão Vermelha necessitava de um membro de outra divisão. Por essa razão, ele chamou uma reunião com Silver para pedir permissão de Um continuar na equipe. Para sua sorte, Beta da Divisão Vermelha se tornou a primeira equipe com um membro de outra divisão.
Era horário de almoço, e todos se deslocaram para o refeitório, incluso Oito e Zero. Os dois sentaram em uma mesa localizada mais ao canto do grande refeitório, com seus almoços já servidos. Conversavam bem animados, por vezes seguravam as mãos. Por mais que Oito estivesse tímida perto de todos, nem ela conseguia esconder o que estava acontecendo.
Sete desconsertou-se totalmente quando viu aquela cena.
- Você devia ter dito a ela como se sente – sussurrou Dois para Sete.
- O quê?
- Desculpe, amigo, mas já faz um tempo desde que você parou de nos enganar sobre não ter sentimento algum sobre aquela parceria.
- Zero é meu irmão e eu jamais o prejudicaria em qualquer circunstância. Não sei sobre o que está falando.
- Tentativa falha de ilusão, Sete!
Sete e Dois sentaram-se junto com a equipe em uma mesa distante de Oito e Zero. A novata da equipe, Um, se juntou à mesa logo em seguida. Nove fez questão de mostrar a dupla que logo se juntaria a eles novamente para as missões.
- Eles formam um casal muito bonitinho – disse Um, inocentemente.
Cinco lançou-lhe um olhar imediato, numa tentativa desesperada de comunicar mentalmente a ela que não era uma boa ideia falar sobre eles naquele momento. Ele gesticulou com a cabeça na direção de Sete, e ela logo compreendeu a mensagem que ele queria passar. Sete não tirava os olhos dos dois, suas feições mostravam uma confusão de tristeza e felicidade.
Sete estava feliz que seu melhor amigo estava bem e havia encontrado alguém para compartilhar sua vida. E estava triste porque quem estava ao lado de Zero era a pessoa que ele desejava.
- Hoje à tardinha temos uma missão específica de extermínio. Então vamos nos carregar com as granadas, para concluirmos rapidamente – Disse Nove, tentando trazer o olhar de Sete de volta para a mesa em que estavam.
- Podemos deixar o dróide de reconhecimento de Um encontrar as concentrações de Mantus, assim nos facilita e nos poupa granadas – Respondeu Quatro.
- É uma concentração de Mantus maior que a daquela mansão, então devemos ficar muito alertas – Emendou Três.
- Temos proteção para todos?
- Sim Cinco, mas precisaremos solicitar mais um uniforme, visto que Um está usando o equipamento de Oito.
- Nove, eu já havia feito essa solicitação, então deve estar a caminho o uniforme dela.
- Obrigado, Dois.
Sete continuava disperso mentalmente. Quem lhe contou os detalhes da missão foi a número Um, na tentativa de se redimir pelo que acabou dizendo na mesa.
A execução da missão foi um êxito. A número Um sofreu alguns ataques dos Mantus, o que foi ótimo para que ela testasse as proteções que eram desenvolvidas pela sua divisão. Cinco tornou-se um Serial Killer de Mantus quando percebeu o interesse deles pela sua parceira de equipe.
A número Um já tinha ouvido falar da personalidade psicopata/assassina de Cinco quando se tratava de eliminar Mantus e proteger as pessoas de sua equipe, mas era a primeira vez que presenciava essa transformação. Era realmente como se outra pessoa tomasse seu corpo, e sua sede de matar só acabasse quando todos os Mantus estivessem se decompondo no chão.
Muitos já viram isso e se assustaram. Parte do medo que as outras divisões possuem da equipe Beta da Divisão vermelha provém desse instinto assassino de Cinco, embora ele já tenha provado que não faz mal a nada que não seja um Mantus. Porém, Um achou isso incrível. Se ela já o admirava pelas histórias que escutava, agora era sua fã número um. Por ser sua parceira, conhecia o "outro" Cinco, e não conseguia decidir qual dos dois ela admirava mais. O que um tinha de sério e centrado em matar Mantus, o outro tinha de atencioso com seus parceiros de equipe. Era um equilíbrio estranho, mas que funcionava muito bem.
Enquanto isso, Zero e Oito continuavam vivendo suas "vidas de humanos". Acabaram por ler aquele livro da noite anterior juntos, passaram parte do tempo sentados numa área aberta da S.J.Y, destinada geralmente à Divisão Azul, em períodos de pausa, muito visitada por pessoas em recuperação, sejam agentes ou não. Era um lugar realmente bonito, bem trabalhado para que parecesse uma praça, com muitas flores, algumas árvores, e um chafariz ao centro, onde possuía a escultura de um anjo.
As últimas 24 horas de afastamento de Oito e Zero foram passadas com muito carinho, mas também com responsabilidade, pois sabiam que precisavam voltar às suas funções na manhã do outro dia. Por essa razão, evitaram certos momentos.
Combinaram em não deixarem aquela relação morrer, e que não deixariam isso interferir em suas missões. Ambos eram agentes de alto nível, por mais que acreditassem que esse trato não precisava ser feito, preferiram garantir.
Eles acabaram por dormir bem cedo. Oito invadiu a parte de baixo da cama, que pertencia à Zero, e os dois dormiram abraçados. Zero adormecera com um sorriso no rosto.
No dia seguinte, a equipe Beta estaria reunida com todos os nove agentes. Era uma missão de resgate em um velho assentamento.
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APOCALYPSE
Science-FictionPor onde passo, vejo pânico. O mundo que você conhece, para mim não existe mais. As cidades foram tomadas por seres que perderam sua humanidade, que infectam as pessoas quando são mordidas por eles. Nós ainda não sabemos como isso tudo começou, e ta...
