Capítulo 2 - A Troca das Almas

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Fui até a fila da cantina e comprei um hambúrguer com bacon triplo e um copão de milk shake de chocolate. Calórico? Claro! Mas eu sou igual a uma tábua e não engordo nem comendo um elefante. E mesmo se engordasse, seria redonda igual a um bolinho de arroz feliz!

-Por isso recusou sentar com os Corujas rei e rainha?

Que susto! Eu estava praticamente babando no meu lanche e o William vem falar comigo com a voz seca dele.

-Também. Aquelas patricinhas com toda a certeza teriam um ataque cardíaco, levando em conta as saladas que elas trazem -Respondi revirando os olhos. -Senta aí.

Ele segurava um sanduíche natural e um milk shake de morango.

-Por que quis que esse trabalho fosse na sua casa? -perguntou como quem não quer nada.

-Por que não? -Perguntei de volta de boca cheia sem tirar os olhos do lanche que devorava e com a maior cara lavada.

-Se fosse um desses paga-pau, com certeza iria querer levar os populares na sua casa, mas você não pareceu querer papo com eles -perguntou com o mesmo tom seco, mas agora me olhando diretamente.

Bom, eu não conheço ele, mas sinto que posso confiar nele. E como uma pessoa totalmente anormal que não liga nem para a própria razão, fui pelo instinto.

-Okay, você venceu, eu falo. -Tomei mais um pouco do meu milk shake antes de responder -Eu tenho medo do que poderia ver se fosse na casa deles.

Uma meia verdade, porém ainda não é hora de contar tudo.

-Medo do quê? -Me olhou com tanta curiosidade que eu não pude mentir.

-Dos mortos.

O olhei esperando ele rir das minhas maluquices, mas não, ele estava com um olhar atento e pior, parecia concordar comigo.

-Sabe, eu não tenho exatamente medo... porque eu estou bem acostumada a ter minha privacidade invadida por almas penadas, mas eu já encontrei seres que pareciam bem... perigosos.

-Eu entendo, na verdade eu já li algumas coisas sobre isso.

-Senhor! Não diga que é satanista!? -falei me afastando.

O garoto apenas revirou os olhos para o meu drama.

-Não, eu não sou satanista. Eu acredito em magia e fantasmas, mas não adoro o Diabo, sequer acredito na existência de divindades.

-Ufa! Estava cogitando jogar meu precioso milk shake na sua cara e fugir -confessei o fazendo soltar algo parecido com um riso.

Ele realmente parecia saber sobre coisas paranormais. Tanto que ficamos praticamente o intervalo todo conversando sobre esse assunto em comum.

-Pra mim seria bem mais prático lavar o quintal com água benta. Quero ver aparecer qualquer coisa esquisita depois disso -aconselhei o garoto.

Ele deu de ombros.

-Antes que eu me esqueça... -Tirou da bolsa um colar com uma pedra verde clara em formato de gota como pingente. -É pra você.

Aceite o medalhão.

Toda a minha coluna ficou gelada. Nunca uma previsão da minha avó tinha sido tão específica.

-Pra mim? -Perguntei estendendo a mão para o objeto que ele estendia na minha direção.

-Um amigo meu que trabalha vendendo objetos místicos, disse pra eu dar esse colar para a primeira pessoa maluca o suficiente para aceitar.

Segurei o colar pela pedra. Meu coração falhou uma batida.

Cartas aos Mortos (Delphine E Os Doze Cavaleiros - Livro 1)Onde histórias criam vida. Descubra agora