Capítulo 10 - Olhos Malignos

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Karina Coast

  Estávamos comendo vários pães recheados na sala. Eu fui a que mais comeu, já que todos os outros tinham almoçado há pouco mais de duas horas. Na verdade eu também, mas eram realmente muito bons.

—Como tudo isso de comida cabe em você? —Maxwell perguntou sendo totalmente inconveniente.

—Não se pergunta isso pra uma garota —Mochila disse, tirando os olhos do celular.

O playboyzinho deu aquele sorriso de lado irritante, que eu estou aprendendo a detestar, e soltou:

—Sabe… é que às vezes eu esqueço que essa bruta é uma garota.

Mostrei o dedo do meio, muito ocupada com os pães para retrucar.

Mas eu não pude deixar de pensar nos fantasmas. Vou escrever sobre isso para a vovó e ela vai me dizer o que fazer.

Alguma coisa, que eu não sei nomear, me fez colocar a mão no bolso da minha jaqueta.

Senti uma coisa dentro dela. Uma bolinha de papel?

Abri a bolinha e prendi a respiração por alguns segundos.

—Isso é... —falei baixinho olhando chocada para a letra da minha avó.

  Por que você só ama os vivos? E comece a ajudar os que estão próximos primeiro. Estava escrito com a caligrafia que eu conhecia muito bem.

—Gente! —falei de boca cheia soltando algumas migalhas de pão pra fora.

—Eca —Cake olhou para a minha boca cheia de pão.

Maxwell fez uma cara de nojo também e abriu a boca para dizer alguma coisa, mas eu fui mais rápida.

—Esse bilhete é da minha avó! —Falei depois de engolir todo o pão de uma vez.

—Da onde você tirou isso? —Mochila perguntou pegando o papel da minha mão.

Apontei para o bolso da jaqueta.

—Você colocou alguma carta pra ela aí? —Maxwell perguntou olhando para o bolsinho de perto.

—Eu só estava pensando em pedir conselhos sobre uma coisa e minha mão se moveu sozinha pra dentro do bolso.

—Isso nunca aconteceu desde que você começou a mandar as cartas para a vó Mili —Mochila disse tão perplexo quanto os demais.

Só o William que parecia estar pensando alguma coisa.

—O que você acha? —Perguntei pra ele.

—Seus poderes ficaram mais fortes, por causa do terceiro e quarto cavaleiro —ele respondeu com o olhar vago. —Assim como os meus. Eu apenas tinha sorte com acessórios mágicos, conseguia fazer funcionar. Agora se tornou algo intuitivo.

—Eu acho que eu também —Cake disse coçando os olhos.

Olhei para o Maxwell me perguntando se ele tinha mudado de alguma forma também.

Ele me olhou de volta e, como se ele soubesse exatamente o que estou pensando, respondeu:

—Eu acho que fisicamente. Parece que fiquei mais forte e com reflexos melhores.

Fui até a ampla janela aberta para refrescar a mente.

  Eu não consigo assimilar isso. É tudo tão maluco, mas ao mesmo tempo parece tão certo. É a coisa mais real que já aconteceu comigo.

Enfiei a metade do corpo para fora da janela e observei o movimento quase inexistente dos carros na rua.

Meus melhores amigos não podem estar se dando bem com o Maxwell! Não vou dividir os dois.

Cartas aos Mortos (Delphine E Os Doze Cavaleiros - Livro 1)Onde histórias criam vida. Descubra agora