|12|⊱ Equilíbrio

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"Nem todas as verdades precisam ser contadas

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"Nem todas as verdades precisam ser contadas."

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O movimento desta tarde está muito lento. Suzana e eu trocamos breves palavras, mas nada significativo. Não gosto disso, porém, não estou afim de ouvir outro sermão. Jiang não deu as caras e eu fiquei aliviada por isso. Vi suas mensagens ameaçadores e senti um déjà vu. Aproveito que o movimento está baixo e ligo para o detetive Loyola, talvez a polícia possa ajudar de alguma forma. Saio do estabelecimento e fico na calçada para fazer a ligação.

— Detetive Loyola. — Ele atende no primeiro toque.

—  Boa tarde, detetive. Aqui quem fala é a Eliza.

—  Estou ouvindo.

—  É que vieram no meu trabalho e me ameaçaram. Queria saber se a polícia pode fazer alguma coisa...

—  Eliza, você precisa prestar queixa e ficar atenta. — Diz, calmamente.

—  Sei, mas e se não adiantar?

—  Olha, é como te disse da última vez: eles virão atrás de você, é inevitável.

—  Enquanto isso devo contar com a sorte para me manter segura?

—  Ainda está com o Villalobos?

— Sim, mas ele não é meu segurança! Tem suas próprias coisas para resolver.

—  Se eu fosse você, falava com ele.

—  Claro, por que não? Vou chegar para ele e dizer: ei, Alex, além de você me dar um lugar para morar, roupa e comida, teria como ficar grudado comigo 24 horas por dia para que nenhum traficante venha me importunar? Devo dizer isso batendo os cílios para ficar mais fofo? — Digo sarcasticamente.

—  Não seria uma má ideia.

—  Inacreditável! Parece que a polícia não quer se envolver nesse caso.

—  Está certa. — Ele abaixa o tom de voz para um sussurro — Têm muitos policiais envolvidos com propina, os traficantes pagam bem para que a polícia não se meta em seu negócio.

—  Então por que a polícia existe, se ela não é capaz de ajudar o cidadão de bem?

—  As coisas são mais complicadas do que parecem, Eliza. As coisas não saem do jeito que desejamos.

—  É, percebi. Vou desligar para evitar estresse.

—  Boa tarde, Eliza.

Desligo a chamada inconformada. Talvez eu realmente deva conversar com Alex sobre essa situação. Pensando bem, o máximo que ele pode fazer é não querer me ajudar. Não, melhor não. Continuo no debate interno quando percebo a tão conhecida Mercedes, estacionada do outro lado da rua.

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