|27|⊱ Péssimo Produto

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"Todos podemos controlar a dor, exceto aquele que a sente

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"Todos podemos controlar a dor, exceto aquele que a sente."

William Shakespeare

— Como você conseguiu? — Sinto-me repentinamente fraco, precisando apoiar na cadeira mais próxima a mim.

Sempre esperei por esse momento, a oportunidade perfeita de me vingar e fazer a justiça ao meu modo. Mas o filho da puta sabia se esconder e muito bem, por sinal. Era como se ele não existisse, seus rastros eram imprecisos. Até considerei desistir, no entanto, ao lembrar dos meus pais, me sentia motivado a continuar essa busca insatisfatória.

— As coisas são mais profundas do que você imagina. — Hiroshi se ajeita e senta-se sobre os tornozelos. Põe a lata de cerveja do seu lado e arranca o pequeno lacre de alumínio.

— O que quer dizer? — Seguro a cadeira com mais força ao ponto de minhas juntas ficarem brancas.

— Você conhece alguém que sempre fica no seu pé, buscando uma brecha para tentar te destruir? — Em vez de me responder, me ataca com uma pergunta.

Alguém que tenta me destruir? A lista é bem grande. Pondero minhas opções e uma pessoa surge em minha mente. O indivíduo que procura uma falha, que torce para minha derrota e sonha em me ver preso.

Detetive Amaro.

Ele não esconde a antipatia que sente por mim. Qualquer chance que tem, aparece no armazém procurando algo que possa me incriminar. Até agora, não teve êxito. Se for ele mesmo, não faz sentido algum.

— Tem um detetive, porém, não consigo ver qual seria a ligação. — Se é que existe alguma.

— Você nunca se questionou o porquê de ele ser tão intransigente contigo? — Ele pega o lacre e joga na cesta de lixo que está embaixo da mesa. Observo seu movimento com a pergunta ecoando em minha mente.

— Não. Não me debrucei sobre as razões. Só imaginei que ele não gostasse de mim. — Dou de ombros.

— Bem, Alexzinho, o fato é que o detetive tem um irmão mais novo. Um irmão problemático que sempre recorria ao mais velho. Muito fácil, não acha? O moleque aprontava e o bom irmão mais velho aliviava a barra, apagava os registros.

— Então quer dizer... — Fico um pouco zonzo com a proporção das informações.

— Sim. O nosso precioso detetive é o irmão mais velho do vagabundo que assassinou sua família.

O choque não me permite falar. O detetive sabia quem eu era o tempo todo. Acobertou um assassino de pessoas inocentes. Foi injusto com uma criança que cresceu se culpando por não ter morrido junto com sua família.

Meu estômago dói como se tivesse levado uma sucessão de socos. Não faz sentido ele querer me derrubar, não quando o seu irmãozinho é tão sujo quanto eu. Ou, talvez, ele estivesse com medo. Medo de que eu descobrisse sobre o seu segredo. Comigo fora da jogada, o irmão teria mais liberdade para assassinar mais inocentes por aí.

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