|15|⊱ Testar os limites

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"Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier

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"Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier."

⁓✿ Provérbio Chinês

Sinto um leve toque em meus ombros e abro os olhos preguiçosamente. O aroma de seu perfume amadeirado invade meus sentidos e me deparo com Alex vestido para o trabalho. O terno azul marinho o deixa ainda mais bonito, os cabelos úmidos e penteados moldam o seu rosto marcante. Lindo, perigosamente lindo.

— Preciso resolver algumas coisas. Talvez passe o dia todo fora. — Com uma expressão pacífica, me comunica seus planos.

— Você está melhor? Ontem queimava de febre. — Digo, à medida em que me ponho sentada no sofá.

— Sim. Foi só um resfriado, mas já estou melhor. Dália virá hoje. Para ser mais exato, daqui a meia-hora. —Diz, olhando para seu relógio.

— Ok. Obrigada por me avisar. Será que eu deveria sair para ela ficar mais à vontade? — Talvez ela não goste que tenha pessoas na casa enquanto trabalha.

— E para onde você iria? — Alex ergue uma sobrancelha negra para mim.

— Não sei. Acabei de acordar, me dá um desconto. — Respondo, me espreguiçando.

— Não precisa ir a lugar nenhum. Bom, sair agora. Se tiver necessidade, pode me ligar.

— Tudo bem. Bom trabalho e até mais tarde. — Aceno para ele. Então vejo-o atravessar a porta e partir.

Será que ele se sente solitário? Será que se arrepende se viver desse jeito? Será que algum dia se sentirá completo?

Massageio as têmporas e me levanto do sofá. Preciso de um café e não de ficar pensando sobre como ele se sente. Como Alex já fez, vou para o banheiro lavar a cara para acordar de uma vez.

Me olhando no espelho, faço uma autoanálise sobre as mudanças repentinas em minha vida. Se alguém virasse para mim e dissesse que em menos de um mês eu descobriria que meu pai não era realmente meu pai e que ele morreria, eu acharia uma coisa absurda, a parte dele não ser meu pai.

Ou, dissessem que eu moraria com o cliente mais estranho do bistrô, eu riria e diria para pararem de "viajar". Mas eu estou aqui, no banheiro dele, ainda sentindo seu perfume. Realmente, a vida da voltas e te leva a lugares inesperados.

Terminando a sessão de reflexão, saio do banheiro a tempo de ouvir a porta da sala sendo aberta. Vejo a senhora de cabelos negros e um pouco baixa, entrando com algumas sacolas plásticas. Atrás dela, há um dos homens do Alex, carregando o resto que ela não foi capaz de trazer sozinha.

— Gracias, mi hijo. Depois faço aquele doce que gosta. — Bate suavemente nos ombros dele.

— Dália, você é minha salvadora. Mas não te ajudei para ganhar o doce... — Ele diz um pouco envergonhado.

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