|28|⊱ Alma quebrada

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"Meu corpo, minha alma e meu coração carecem de um bálsamo redentor

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"Meu corpo, minha alma e meu coração carecem de um bálsamo redentor.'' 

⁓★

— Alex... — Minha voz soa empática mesmo que eu não tenha certeza do que aconteceu.

— Eu passei anos esperando por este dia, tinha a falsa sensação que se resolvesse isso, a dor diminuiria e o passado teria o seu devido sepultamento. Acho que me agarrei a isso com o simples intuito de ser capaz de sobreviver por todos esses anos. Mas agora que consegui, me sinto oco.

Suas palavras estão repletas de dor e ressentimento, uma alma quebrada que tenta buscar o consolo, porém, nunca consegue encontrar a cura necessária. Alex fecha a torneira e espalma as duas mãos sobre a pia. É como se ele precisasse de equilíbrio.

A mente dele volta a vagar por lugares inabitados, deixando-me com a sensação de estar sozinha nesse banheiro. Talvez se ele me contar o que aconteceu... Se ele estiver disposto a isso... Pode ser que ele queira ficar sozinho, tenho que respeitar o momento dele.

— Você quer que eu saia?

Vejo o pânico tomando conta de suas feições, o deixando semelhante a um menino abandonado. Meu coração se apertar no peito e é como se uma dor física me atingisse. Ajo por impulso e abraço suas costas colocando meu rosto no centro de sua coluna.

— Você não está sozinho. Eu estou aqui com você. Não sairia daqui mesmo se eu tivesse para onde ir. — Declaro verdadeiramente.

Levo minhas mãos para o seu coração e as deixo repousando sobre o músculo pulsante. Não digo essas palavras levianamente, desejo que cada uma delas adentre em sua mente conturbada e ele se sinta acolhido. Quero que saiba que o aceito do jeito que ele é, assim como tem me aceitado. Não quero que Alex seja perfeito, até porque também estou longe de ser.

Suas batidas ficam aceleradas, um sinal claro de que ele me ouviu. Planto um beijo em suas costas e me afasto. Quando estou prestes a retirar minhas mãos, Alex me detém as segurando um pouco sobre o seu peito.

— Obrigado. — Agradece. É simples, mas cheio de verdade.

Não precisa agradecer. — Recito a frase que me disse quando eu estava no hospital.

Um ligeiro sorriso cruza seu rosto deixando claro que ele entendeu a referência.

— Vou te esperar na cama. — Anuncio.

Ele meneia a cabeça e solta minhas mãos. Saio do cômodo e pego a blusa do chão. Com ela em mãos, caminho até a cozinha em busca de um saco de lixo para descartar a peça de roupa danificada. Se eu pudesse jogar fora tudo que causa trauma...

Volto para o quarto e me sento na cama, escorando as costas na cabeceira. Ouço o som do chuveiro sendo aberto e me permito escutar o som da água caindo. Mesmo que eu não queira, me vejo ponderando sobre o que pode ter acontecido. Ele falou algo sobre o passado...

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