"Falando em (insira aqui um certo malefício a saúde do qual a revelação não será feita), prazer, agora você tem um... eu sei lá o que a gente é, (insira aqui o nome dado ao portador do certo malefício)" Neônio me diz sem pesar as palavras.
"Não! Eu queria um "PlayStation". Que droga, bom dia e companhia, da última vez me deram o jogo da vida" eu reclamo em ironia.
"Essa frase dois ponto zero: prazer, agora você tem (insira aqui um termo utilizado por nós para indicar a nossa relação estranha comentada no capítulo quatro e o nome dado ao portador do malefício misterioso)" Brinca ele reformulando a frase anterior.
"Eu jurava que você sendo criado por (profissão de muito patriotismo) e querendo seguir o (profissão de muito patriotismo) não seria assim, por que da tudo errado para mim?" Faço histeria ainda em ironia, ou não.
"O que que isso tem a ver? E agora eu bebo cerveja que legal"
"Ah não, cerveja não, tudo tem um limite, vou abandonar essa porra também" referindo-me a ele.
"É, cara, tá foda"
"Era melhor ter confiado no skatista da praça, pelo menos eu saberia que seria só a (coisa ilícita de origem vegetal) e a vodka com catuaba" provoco no ponto no qual me faço conhecedora de sua fraqueza.
"Assim, então que bom que você escolheu a mim porquê se você escolhesse um cara da (coisa ilícita), da catuaba e do skate, huuum, não ia ser legal não" ele responde a provocação.
Foi então seguido conversa, trocando o rumo, entretanto, foi plantado ás seis horas e quarenta minutos daquela manhã, uns pensamentos de pesares desagradáveis. Quem escolheu a quem? O que éramos, afinal? Por que a pessoa que tanto diz "você sabe o que temos", não sabe o que temos?
Partimos do princípio, os áudios enviados a mim podem ter sido despretensiosos porém me deixaram em reação paranóica, afinal, o que de fato realmente somos e como chegamos a tal?
Apesar de minha admirável capacidade memorial, faço me totalmente apática a noite na qual foi-se iniciado este rumo, não tenho os fatos tão claros assim mesmo que daqui a três dias seja somente o segundo aniversário dessa noite. Não entendo como posso ter me esquecido de quem resolveu fazer a troca de poder, confiança e autoridade um com o outro, como chegamos aqui? Não sei dizer, não lembro.
Perturbou-me também, a frase sobre não saber o que somos, tanto foi me dito "você sabe o que somos" e eu concordava sem ao menos saber também. O que somos? O que somos? Alguém por favor explique-nos o que somos?
Somos, éramos, amigos, só amigos e muito amigos. Amizade pra lá de boa, proveitosa, não muito profunda mas era natural e confortável. Então passou a ter mais profundidade, mais proximidade, e chegamos ao ponto de não sermos só amigos, tinha um ponto jovial de aproveitamento e uma complexidade por trás e foi nessa complexidade na qual nos perdemos.
Tínhamos aquela dinâmica esquisita proveniente dos nossos gostos esquisitos, tínhamos também um carinho de antes acordado, tínhamos a amizade, o carnal e as brincadeiras de casarmos, o que tínhamos então? Tudo junto só? Por que ele disse uma vez que comigo era complicado? O que tinha de complicado? Por que ele disse ter afeto por mim de um jeito tão que pareceu forçar ser despretensioso? Sera que foi realmente tudo despretensioso? Quem escolheu quem?
E o pior de não ter respostas é saber quem pode chegar à uma conclusão mas ter uma moral elevada o suficiente para não pôr em risco a lealdade e amizade alheia em prol das minhas respostas somente, não colocaria esse amigo em comum no meio de toda essa complexidade a troco de respostas que talvez, voltamos ao talvez, nem existam realmente. Talvez ele esteja mais confuso ou tão quanto eu estou.
Tenho amor por ele, queria ser dele, não posso, aceito e odeio ao mesmo tempo essa ideia, sofro e comemoro por cada vez juntos, sinto-me fora de cogitação namorar por agora mesmo com ele sendo o namorado, sinto também incerteza de tantas coisas a mais. Sinto incerteza por parte dele, sinto tudo e sinto nada. Talvez, por ora estou tão cansada desse talvez, ele esteja sentindo tanta confusão assim. Ou ele só diz coisas e essas coisas me prendem e nessas presas ele me tem mais do que certo na rede de pesca dele. Sinto também tal duvida e isso me tira o sono e a paz, cada vez mais perguntas aparecem e com elas repostas e todas são o mesmo tiro no escuro. Tiro esse feito com uma arma desconhecida, o ferimento e a pessoa ferida sem ser reconhecida ou ao menos ela própria reconheceu o ferimento, e o hospital próximo? Por tal não conheço nem a minha localidade quem dirá a localidade do hospital.
Sinto forças vindas não sei de onde a fim de buscar respostas, mas realmente preciso delas? Já não tive tanto? Foi tão bom, tudo! Tão bom cada colo, cada beijo, cada conversa... quero mesmo por em risco futuros dias assim por respostas bobas sem fundo de resolução? Ah sim, porque mesmo tendo os números eu não saberia terminar a equação de qualquer forma, estaria no mesmo lugar só que talvez sem uma arma para atirar...
E pensar no apelido dele ser um elemento químico utilizado para projetar uma luz neon, ilumina mas de uma forma quase ardente a percepção óptica, tal qual os detalhes não seriam tão bem dispostos a não ser se fossem biológicos e esses eu tenho, esses eu conheço muito bem.
E em tudo faz-se tanta ironia, pois de tudo foi tão receoso, errôneo, delicioso de ter, duvidoso, certeiro e ah eu já disse delicioso? Tal qual um romance adolescente daqueles bem fichinhas, talvez sejamos isso, uma história fichinha, sem desfecho, sem contexto e mesmo em contexto, sem certeiros. Deveríamos fazer uma versão dos fatos dele, qual seria essa versão? Me coço em curiosidade para tê-las.
E é tudo tão pavoroso e medonho saber da minha capacidade de amar tanto assim, e de doer-me por algo tão sem solução por agora ou sei nem se pra depois, algo tão incerto mas tão certo, entende? O incerto entende-se bem, o certo tem-se na vontade absoluta de ter com ele as mais sinceras prosas e provas, só com ele, teria só dele!
Faço festa em fatalidade tão banal, tão relevante, melhor que a tempestade, faço também, não por agora, agora quero só curtir o que me resta e seja lá o que me resta e se resta. Pois tiro todo o sossego de uma pessoa só com algo envolvendo pessoas a mais e pessoas a menos, tão louco e tão bom. Amar é de longe o sentimento ruim mais gostoso que existe. Em falando de amor... quem amou primeiro? Será que me amou? Será que sabe o que é amar?
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Amor, café e outras drogas...
RomanceSabe quando um elemento químico é tão perfeito ao ponto de já ter os oito elétrons na camada de valência? Então, é o caso de Neônio, um gás nobre utilizado como apelido para a pessoa da qual existência na minha vida causou uma injeção forte de ocito...