Capítulo 13.1

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Bom dia novamente leitor, as coisas mais uma vez amanheceram agitadas por aqui (me pergunto se algum dia elas voltarão ao normal).

Os policiais nos acordaram logo às 6h para a execução de uma mandato para vasculhar a casa, ao que parece a arma do crime ainda não havia sido encontrada.

Na sala de estar os policiais começavam a investigação, tinham chegado a alguns minutos e revistavam a casa, pelo jeito eu e Victor éramos uns dos suspeitos principais, com certeza por sermos os mais próximos da vítima. 

Logo um deles desceu, com meu saquinho de maconha e outro de cocaína. Fiquei um pouco constrangida de pessoas de fora de casa descobrirem aquele meu "segredo".

Mas fiquei ainda mais surpresa quando outro policial apareceu trazendo seringas e algo que parecia heroína, então olhei para o Victor, ele parecia tão constrangido quanto eu, tinha seus olhos fixos no tapete da sala.

Eu não acredito que ele usava heroína e eu nunca percebi. Isso é sério? Então meu pai passava os dias chapando sozinho naquela merda de escritório? Que palhaçada, eu não acredito.

Logo a revista acabou, acharam apenas drogas, nada além daquilo.

—Suponhamos que o escritório seja seu, Sr. Montenegro, pode explicar como seringas idênticas a que matou a sua mulher, estavam na sua gaveta?

—Eu não matei aquela vadia.— ele disse em voz baixa, ainda cabisbaixo, com os olhos vidrados no tapete.

—Anelise, poderia seguir o Borges até lá fora? Devo conversar com seu pai.— o policial dizia com um olhar de que sabia que o trabalho seria difícil. 

—Claro.— caminhei ao lado do Borges até a área da piscina, onde ele começou a me fazer algumas perguntas:

—A maconha e a cocaína são suas, certo?

—Sim, são…

—Okay… você usa á muito tempo?

— Há alguns anos.

—Desde quando?

—Desde os 14. Mas não sou uma viciada, uso apenas para fins recreativos.

Eu não tinha tanta certeza do que disse sobre não ser uma viciada, mas vamos tentar acreditar nisso.

—Estava drogada na noite do crime?

—Não, naquele dia optei por ficar sóbria já que a festa significava muito pra minha mãe, ela ficaria furiosa se eu arruínasse.

—Consumiu álcool naquela noite?

—Sim, champanhe, mas estava sóbria.

—Certo, vamos aguardar enquanto seu pai responde algumas perguntas.

—Tudo bem.

Não tava nada bem.

Alguns minutos depois (que me pareciam horas), o outro policial chamou seu colega, eu fui até a sala, acho que já haviam terminado as perguntas.

—Senhor Montenegro e Srita. Anelise, favor me acompanharem á delegacia. 

Claro que não andamos dentro do carro da polícia, fomos no nosso próprio carro, eu dirigi, por mais que não saiba dirigir muito bem, confio mais na minha direção do que no meu pai.

Se Janete disse que ele me assistiu enquanto eu me afogava, sem fazer nada, então ele não é tão confiável como eu pensava.

—Então os senhores, pai e filha, foram pegos com drogas ilícitas dentro da residência? 

Permanecemos em silêncio, merda, será que vou ser presa por isso? 

—O conteúdo vai ser apreendido, não quero mais ver vocês dois aqui por causa disso. Srita. Anelise, está liberada, pode ir.

Nos viramos para sair, já andávamos alguns passos em direção a porta, quando Nunes falou sobre nossos ombros:

—Sr. Victor, o senhor permaneça. Pela quantidade de drogas apreendidas no escritório do senhor, o senhor vai responder por tráfico de drogas.

Me virei rapidamente na direção do delegado, um movimento praticamente involuntário, eu estava incrédula. Meu pai era traficante de heroína?! 

—Aquilo… é pra consumo. Eu não sou um traficante…

—Por favor, obedeça.

—Estão cometendo uma injustiça! CORRUPTOS!

—É melhor retirar o que disse ou o senhor pode acabar preso por desacato.

Meu pai permaneceu em silêncio, ele queria tava pra explodir.

Sai rapidamente de lá e tomei o caminho de volta pra casa.

Uma nova notícia se espalhou.

Isso é… 

Nojento.

Parece que mamãe e Paulo tinham um caso no passado. Há uma foto dos dois juntos dentro do carro, se beijando. Parece ter sido tirada de um celular.

Fotos minhas e do papai entrando na delegacia já estavam circulando nas redes sociais.

Seria bom dar um tempo disso tudo.

A cada dia a imagem da mamãe parece ainda pior pra mim, e eu não sei o que pensar disso. Será que mamãe sempre foi assim, tão hipócrita, e eu nunca percebi?

Eu preciso sair, preciso me divertir, dane-se o luto, tá tudo uma confusão dentro de mim.

A única coisa que ainda é clara pra mim, é você. 

A única coisa real fora de todo esse enredo. Alguém real se interessou por mim, essa é a única coisa boa disso tudo.

Ás vezes me pergunto o porquê de ainda estar aqui, por que não foi embora como todos os outros. Por que ainda não desistiu de mim?

Você lê a minha mente tão bem, queria que pudesse ler meu coração desse jeito, seria mais fácil pra mim.

Acho que estou falando asneiras.

Tenho um lugar para ir hoje a noite, e acho melhor não me dar nenhum sermão. 

O Último AtoOnde histórias criam vida. Descubra agora