Capítulo Nove - Lógica

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- Wua, como ele pôde ser tão estúpido a ponto de não enxergar os próprios sentimentos pela garota enquanto era noivo dela?

Sinto uma pontada de satisfação ao ver Jong Wook reagindo como eu, boquiaberto e incrédulo após ouvir a história de Sang Hoon e Min Hee.

- É como dizem, algumas pessoas só dão valor quando perdem - comento.

Ele balança a cabeça, inconformado, mas seus olhos não desgrudam de mim, como se quisesse captar cada reação minha.

- Você é bem criativa. A história é melosa, mas interessante.

Cruzo os braços.

- Não é meloso, é romântico. Toda história precisa de romance para ser boa.

- Mas é claro que não. Conheço muitas histórias boas sem um pingo disso.

- Mas não é realista.

Ele ergue uma sobrancelha, provocando um leve frio na minha barriga.

- Por quê? Na vida real todo mundo tem que se apaixonar?

Fico hesitante, mordendo o lábio inferior, sentindo um calor subir ao rosto. Respiro fundo e respondo:

- Não necessariamente, mas todos vão se apaixonar algum dia - faço uma pausa, meu coração batendo descompassado - até você.

Ele sorri com o canto da boca, como se eu fosse uma garotinha ingênua.

- Você parece ter muita certeza disso - comenta, mas quando me encara diretamente, o sorriso se abre de forma quase provocativa. Sinto meu peito apertar e as bochechas queimarem. - Está vermelha, Yooh Nah. Posso saber o motivo?

Me viro de costas imediatamente, constrangida. Por que meu rosto sempre me trai? Começo a esfregar as bochechas para tentar aplacar o rubor, mas então mãos grandes seguram meus pulsos, me obrigando a parar.

Olho para Jong Wook e percebo o quão perto ele está. Posso sentir o calor do corpo dele, a pressão leve de seus dedos nos meus pulsos. A testa dele está franzida, sério.

- Pare com isso, ou vai ficar um hematoma - avisa, firme, e meus dedos se contraem involuntariamente.

Meu coração dispara, e uma corrente elétrica percorre meus braços, da ponta dos dedos até o coração. Por mais estranho que seja, ele continua ali, imóvel, mas intenso. Até que algo chama sua atenção, e quando sigo seu olhar, vejo suas mãos, agora vermelhas e inchadas.

Puxo o braço rapidamente, fazendo-o me soltar.

- Mianhae* (Desculpas). Te machuquei?

Ele examina as próprias mãos com atenção, e depois sorri.

- Daebak! Você viu isso? Está descarregando através do seu braço também! - Corre até o computador, animado, digita rapidamente, mas eu continuo olhando, ainda sentindo a pulsação forte do toque dele. - A matéria aumentou um terço! Incrível! Como fez isso?

- Não faço ideia...

Os olhos de Jong Wook brilham de empolgação enquanto ele procura a causa. Sinto minhas bochechas queimarem, e uma onda de vergonha me invade. E se tudo isso aconteceu porque meu coração disparou com o toque dele? Que humilhação! Então torço com todas as forças para que não seja isso.

* * *

Quando abro os olhos, parece que um bilhão de pensamentos e sentimentos disputam espaço na minha cabeça, tornando tudo confuso demais para processar. A primeira coisa que faço é acender o abajur e observar minhas mãos e braços. Tudo parece normal... mas o medo continua ali, silencioso, rastejando pela minha pele.

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