— Por que você veio para o passado? — pergunto enquanto caminhamos pela calçada de mãos dadas.
Mesmo com as luvas cobrindo sua pele, sinto o calor do toque. É ridículo — depois do beijo, depois de admitir que estou me apaixonando, segurar a mão dele não deveria ser nada. Ainda assim, meu coração reage como se fosse algo imenso.
Quando os olhos dele voltam a pousar em mim, desvio o olhar, fingindo atenção no caminho à frente, como se essa nova intimidade não estivesse bagunçando tudo dentro de mim.
— Precisava resolver algo.
Outra resposta vaga.
Ele continua se esquivando com a mesma facilidade que me deixa inquieta. Mas há algo diferente agora. Ele parece menos fechado, como se baixar a guarda tivesse sido inevitável. Tenho que aproveitar.
— Resolver o quê?
— É um assunto pessoal.
Continuamos andando, nossos passos sincronizados, o silêncio se esticando entre nós antes de eu tentar outra vez.
— De quanto tempo no futuro estamos falando?
Ele não responde. O aperto em minha mão muda, quase imperceptível.
— Uns dez anos? Vinte? — insisto, até fazê-lo parar e me lançar um olhar impaciente.
— Você não pode me contar ao menos isso? — suspiro, sentindo a frustração me dominar.
— Não é bom saber demais sobre o futuro.
— Mas eu estou sonhando com esse futuro. Uma hora ou outra, eu vou saber.
O rosto dele se contrai, como se minhas palavras doessem. Em seguida, ele balança a cabeça, empurrando o assunto para escanteio.
— A propósito… o que significa gerar matéria?
Ele me encara de novo, agora visivelmente horrorizado. Solto minha mão da dele e ergo as palmas no ar, ansiosa para explicar.
— Eu usava luvas iguais às suas. E todo o tempo em que estávamos juntos era para gerar essa tal matéria. O que é isso?
Jong Wook passa a mão pela testa, cansado, os ombros levemente curvados.
— É o que torna a viagem no tempo possível — admite, por fim, com a voz mais baixa. — Por favor, não faça mais perguntas.
Mordo os lábios, tentando me conter. Ele aparece dizendo que veio do futuro e não quer que eu faça perguntas. Hor...
— Só mais uma.
Ele bufa, claramente contrariado, mas concorda com um aceno resignado.
— Você… tem que ir embora para lá?
O ar entre nós pesa outra vez, como se o mundo tivesse diminuído de tamanho.
— Sim.
A resposta esmaga meu coração, mas me esforço para não deixar transparecer.
— Mas vamos nos encontrar de novo, não vamos? Assim como no sonho?
Ele para. Sem dizer nada, entrelaça nossos dedos outra vez, como se aquele gesto fosse uma promessa silenciosa.
— Vamos nos concentrar no agora, está bem? — pede, com uma suavidade que me acalma. — Eu não vou embora enquanto você me quiser aqui.
Sorrio. Não era exatamente a resposta que eu queria, mas ainda assim… basta.
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PARADOXO
Science FictionKang Yoo Nah é uma jovem estudante da Coreia do Sul, que tem vivido com amigos da família desde que seu pai desapareceu sem deixar vestígios. O problema é que Yoo Nah não vê o filho da sua tutora como irmão, e precisa esconder isso. Mas sua vida se...
