Encaro o teto da sala, sentindo-me um completo idiota. O beijo na piscina insiste em vagar pelos meus pensamentos e, quanto mais revivo o instante em que ela tentou se afastar e eu, mesmo assim, insisti, mais o peso no peito se torna sufocante. O arrependimento se mistura à vergonha, queimando por dentro, deixando claro que ultrapassei um limite que nunca deveria ter cruzado.
— Aish… por que eu fui tão estúpido? — questiono, pela milésima vez na noite.
Viro de lado no sofá, depois para o outro, o couro rangendo sob meu corpo inquieto. Nenhuma posição é confortável. Fecho os olhos com força, decidido a dormir nem que seja à força, mas é inútil.
Levanto de um salto. Ando pelo apartamento como um animal enjaulado, os passos ecoando no chão frio. Passo pela sala, pelo corredor, até parar — contra minha vontade — diante do quarto onde eles estão.
Fico encarando a porta fechada, como se ela fosse um desafio direto à minha sanidade. A respiração fica irregular, curta, e preciso fechar a mão para conter o impulso absurdo que cresce dentro de mim.
“Eu conquistei o coração dela. Você não.”
As palavras ecoam como um soco.
— Como vou conquistar o coração dela com você a rodeando o tempo todo? — sussurro, soltando o ar com força.
E por que, raios, ele tinha que dormir lá dentro? Isso está me enlouquecendo. Passo a mão pelos cabelos repetidas vezes e me obrigo a sair dali antes que faça alguma besteira.
Decido ir até a cozinha preparar um chá para me acalmar. Sento-me à mesa, mas o silêncio do ambiente não consegue afastar o pensamento que vem me atormentando há dias: aquele beijo deles! Tento analisar a situação como um cientista: é perfeitamente razoável sentir desconforto ao saber que uma versão futura de si mesmo está sentada na sua própria sala. Mas vê-lo compartilhar um momento íntimo com a pessoa que insiste em ocupar seus pensamentos, ultrapassa todos os limites. Então me pergunto: quais emoções deveriam surgir diante de um experimento tão… injusto?
Irritado, afasto a xícara e vou até a geladeira pegar uma garrafa de soju.
Quando me viro, quase derrubo tudo ao quase trombar com alguém. Meu coração dispara por um segundo ridículo antes de reconhecer aquele rosto — o meu, só que mais duro, mais cansado. Ele passa por mim sem reagir, pega uma garrafa de água e fecha a geladeira com calma irritante. Em vez de ir embora, se senta à mesa onde deixei o chá esfriando.
— Está tarde para álcool — comenta, neutro, sem sequer me olhar.
Não respondo, mas me sento na mesa novamente. Fico em silêncio olhando para a minha bebida, assim como ele.
— Você não precisava dormir lá — solto, ríspido. — Sabe muito bem disso.
Apesar de ter agido como um idiota na piscina, eu jamais invadiria o quarto de Yoo Nah no meio da noite, como ele deu a entender.
— Talvez — ele responde, tranquilo demais. — Mas gostei de estar mais perto dela. Então vou ficar.
Cerro os punhos sobre a mesa, sentindo a raiva me consumir. Dou alguns goles longos no soju, tentando não perder a paciência.
— Wae?* (Por quê?) — provoca. — Está com ciúmes?
Viro-me imediatamente para ele, espantado.
— Tudo bem… eu também estou — completa, com um meio sorriso.
Franzo a testa, sem entender por que ele confessaria algo assim.
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PARADOXO
Science FictionKang Yoo Nah é uma jovem estudante da Coreia do Sul, que tem vivido com amigos da família desde que seu pai desapareceu sem deixar vestígios. O problema é que Yoo Nah não vê o filho da sua tutora como irmão, e precisa esconder isso. Mas sua vida se...
