Capítulo Vinte - E depois?

113 12 2
                                        

  Após alguns dias de treinamento árduo, já consigo controlar bem melhor a energia que está alojada em mim. Ela não aparece mais sem aviso; surge apenas quando estou plenamente convencida de que preciso dela, como se respondesse à minha vontade, e se dissipa quando me forço a pensar em qualquer outra coisa. O problema é o preço que vem depois. A exaustão é pesada, drenando cada músculo do meu corpo, a ponto de me deixar tonta e com a visão embaçada. Por isso, a pedido insistente de Jong Wook, comecei a tomar energéticos.

  — Se saiu bem hoje, ippeuni* (linda) — diz ele, com aquele tom que sempre me desmonta.

  Sinto meu rosto esquentar imediatamente, mesmo não sendo a primeira vez que ele usa o apelido carinhoso. Dou um passo à frente dentro do elevador, fingindo observar os números subirem, só para disfarçar o constrangimento.

  — Você é um bom professor — respondo, evitando olhá-lo diretamente.

  Estamos voltando para o apartamento depois de passar o dia inteiro na piscina do prédio. Fora isso, não há muito o que fazer. Não posso simplesmente sair para passear ou explorar o futuro como gostaria — ainda sou procurada. Cada passo fora daquele espaço seguro seria um risco desnecessário. Por isso, mergulhei de cabeça no treino. Ele tem sido minha distração. Enquanto meu corpo se exaure, minha mente silencia, afastando, ainda que por algumas horas, o caos da situação em que me encontro.

  — É bom que saiba se defender — continua Jong Wook —, mas não quero que tente enfrentar ninguém.

  Assinto, obediente. No instante em que a porta do elevador se abre, uma fraqueza súbita toma conta das minhas pernas. O chão parece inclinar levemente, obrigando-me a apoiar a mão na parede em vez de sair. Antes que eu diga qualquer coisa, Jong Wook já está atrás de mim, atento, pronto para me segurar se eu cair.

  — Estou bem — aviso rápido, endireitando a postura. — É o cansaço… vou me acostumar.

  Ele me analisa por mais alguns segundos, como se não estivesse totalmente convencido.

  — Mesmo assim, precisa de mais energético para ajudar a recuperar as forças. Vou comprar.

  Ele me deixa no apartamento e sai logo em seguida. Assim que a porta se fecha, caminho direto até a sala e me jogo no sofá, sentindo o corpo afundar nas almofadas. Fico ali, imóvel, encarando o teto, deixando a respiração se normalizar, até ouvir passos se aproximando.

  — Como foi? — pergunta o Jong Wook mais novo, sentando-se na poltrona do outro lado da sala.

  — Estou praticamente pronta — respondo, confiante, apesar do cansaço.

  Ele franze levemente a testa, claramente não gostando da resposta, mas não comenta nada. Por incrível que pareça, desde o incidente na piscina, a postura dele mudou. As palavras estão menos afiadas, os olhares menos tensos. Ainda nos evitamos na maior parte do tempo, mas o silêncio entre nós já não é tão desconfortável quanto antes.

  — Você quer… assistir a um filme? — pergunta, depois de alguns segundos de hesitação.

  O convite me pega desprevenida, mas não demoro para responder:

  — Claro.

  Ele pega o controle, embora não exista uma TV visível na sala. Quando aperta um botão específico, uma fina superfície quadrada se revela na parede, como se sempre tivesse estado ali, apenas escondida. Ele me deixa escolher, então opto por uma comédia romântica que já existia na minha época.

  Durante o filme, em vários momentos, quase choro de tanto rir. A gargalhada escapa sem controle, fazendo meu abdômen doer. Fico surpresa ao ver Jong Wook rindo também, ainda que de forma contida. Estamos quase no final quando Jong Wook oppa chega. Ele se senta ao meu lado no sofá e estende o vidro de energético.

PARADOXOOnde histórias criam vida. Descubra agora