Capítulo Sete - Vergonha

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  Ando de um lado para o outro no meu quarto, incapaz de sequer cogitar dormir. Como eu poderia? De vez em quando, levo os dedos aos lábios, como se ainda pudesse sentir o toque — e isso só me deixa mais perturbada.

  Sang Hoon me beijou.

  Respiro fundo a cada poucos minutos, numa tentativa inútil de me acalmar, mas o ar nunca parece suficiente. E como se o beijo já não fosse o bastante, ele ainda disse que me ama. Me ama! Que tipo de loucura é essa? É verdade que ele é mais jovem do que a maioria dos professores, mas isso não muda o fato gritante e impossível de ignorar: ele ainda é meu professor!

  — E era para ser apenas meu primeiro chingu… — reclamo, exasperada, passando a mão pelos cabelos.

  Acabo me jogando na cama, já exausta. Quero dormir. Preciso dormir. Mas toda vez que fecho os olhos, a cena se repete com uma nitidez cruel: o instante exato em que seus lábios tocam os meus. Meu coração dispara como se estivesse acontecendo tudo de novo.

  Ottoke? Foi... meu primeiro beijo.

  — Por que ele fez aquilo? — bufo, sentando-me de repente. As mãos se fecham em punhos no colo, e meu rosto arde, agora tomado pela raiva. — Ele vai ver só quando eu encontrá-lo… vou acabar com ele!

  * * *

  No outro dia, caminho para a escola ao lado de Ji Soo, o passo firme. A determinação está estampada em meu rosto, quase como uma armadura frágil.

  Mas assim que atravessamos o portão e entramos no pátio, tudo desmorona.

  Meu corpo inteiro gela.

  Sang Hoon vem em nossa direção, o olhar atento, como se procurasse algo… até encontrar. Seus olhos se fixam em mim por um breve instante — e é como se o chão desaparecesse sob meus pés. O coração dispara, batendo tão forte que chega a doer.

  Arregalo os olhos e me viro de costas num impulso desesperado, o cabelo balançando enquanto tento me esconder, como se isso pudesse me tornar invisível.

  — O que foi, Yoo Nah? — Ji Soo pergunta, a confusão evidente na voz.

  — Lembrei de algo que esqueci! — solto sem pensar, as palavras atropeladas. — Te vejo depois.

  Nem espero resposta. Me afasto rapidamente, quase tropeçando nos próprios passos, seguindo em direção à saída como se estivesse fugindo de um incêndio. O rosto arde, o estômago se revira, e a sensação de estar sendo observada me acompanha até eu dobrar o corredor.

  Mais tarde no corredor, acontece de novo. Eu caminho tranquilamente para a minha sala quando vejo o professor vindo, e minhas pernas agem por conta própria, fazendo eu me esconder dentro do banheiro feminino.

  Aish, eu não consigo!

  Mais tarde, no corredor, acontece de novo. Caminho tranquilamente em direção à minha sala, tentando fingir que está tudo bem, quando o vejo vindo na direção oposta. O ar parece sumir no mesmo instante, e antes que minha mente consiga reagir, minhas pernas agem por conta própria, mudando o rumo e me levando às pressas para dentro do banheiro feminino.

  Empurro a porta, quase tropeçando, e me escondo ali como se fosse meu último refúgio.

  Mas quando chega a aula de inglês, não tenho saída a não ser encarar a situação de frente. Ou pelo menos… tentar.

  — Você ficou louca, Yoo Nah? — pergunta um dos alunos, me encarando com expressão perplexa. — Por que você está sentada de costas para a lousa?

PARADOXOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora