Ando de um lado para o outro no meu quarto, incapaz de sequer cogitar dormir. Como eu poderia? De vez em quando, levo os dedos aos lábios, como se ainda pudesse sentir o toque — e isso só me deixa mais perturbada.
Sang Hoon me beijou.
Respiro fundo a cada poucos minutos, numa tentativa inútil de me acalmar, mas o ar nunca parece suficiente. E como se o beijo já não fosse o bastante, ele ainda disse que me ama. Me ama! Que tipo de loucura é essa? É verdade que ele é mais jovem do que a maioria dos professores, mas isso não muda o fato gritante e impossível de ignorar: ele ainda é meu professor!
— E era para ser apenas meu primeiro chingu… — reclamo, exasperada, passando a mão pelos cabelos.
Acabo me jogando na cama, já exausta. Quero dormir. Preciso dormir. Mas toda vez que fecho os olhos, a cena se repete com uma nitidez cruel: o instante exato em que seus lábios tocam os meus. Meu coração dispara como se estivesse acontecendo tudo de novo.
Ottoke? Foi... meu primeiro beijo.
— Por que ele fez aquilo? — bufo, sentando-me de repente. As mãos se fecham em punhos no colo, e meu rosto arde, agora tomado pela raiva. — Ele vai ver só quando eu encontrá-lo… vou acabar com ele!
* * *
No outro dia, caminho para a escola ao lado de Ji Soo, o passo firme. A determinação está estampada em meu rosto, quase como uma armadura frágil.
Mas assim que atravessamos o portão e entramos no pátio, tudo desmorona.
Meu corpo inteiro gela.
Sang Hoon vem em nossa direção, o olhar atento, como se procurasse algo… até encontrar. Seus olhos se fixam em mim por um breve instante — e é como se o chão desaparecesse sob meus pés. O coração dispara, batendo tão forte que chega a doer.
Arregalo os olhos e me viro de costas num impulso desesperado, o cabelo balançando enquanto tento me esconder, como se isso pudesse me tornar invisível.
— O que foi, Yoo Nah? — Ji Soo pergunta, a confusão evidente na voz.
— Lembrei de algo que esqueci! — solto sem pensar, as palavras atropeladas. — Te vejo depois.
Nem espero resposta. Me afasto rapidamente, quase tropeçando nos próprios passos, seguindo em direção à saída como se estivesse fugindo de um incêndio. O rosto arde, o estômago se revira, e a sensação de estar sendo observada me acompanha até eu dobrar o corredor.
Mais tarde no corredor, acontece de novo. Eu caminho tranquilamente para a minha sala quando vejo o professor vindo, e minhas pernas agem por conta própria, fazendo eu me esconder dentro do banheiro feminino.
Aish, eu não consigo!
Mais tarde, no corredor, acontece de novo. Caminho tranquilamente em direção à minha sala, tentando fingir que está tudo bem, quando o vejo vindo na direção oposta. O ar parece sumir no mesmo instante, e antes que minha mente consiga reagir, minhas pernas agem por conta própria, mudando o rumo e me levando às pressas para dentro do banheiro feminino.
Empurro a porta, quase tropeçando, e me escondo ali como se fosse meu último refúgio.
Mas quando chega a aula de inglês, não tenho saída a não ser encarar a situação de frente. Ou pelo menos… tentar.
— Você ficou louca, Yoo Nah? — pergunta um dos alunos, me encarando com expressão perplexa. — Por que você está sentada de costas para a lousa?
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PARADOXO
Ficção CientíficaKang Yoo Nah é uma jovem estudante da Coreia do Sul, que tem vivido com amigos da família desde que seu pai desapareceu sem deixar vestígios. O problema é que Yoo Nah não vê o filho da sua tutora como irmão, e precisa esconder isso. Mas sua vida se...
