Capítulo Vinte e nove - A vida que nos espera

127 10 8
                                        

  Depois da situação constrangedora com Ji Soo, caminho pela escola mais devagar, com a cabeça cheia demais para acompanhar o ritmo do corpo. Mil pensamentos se atropelam ao mesmo tempo. Ao passar perto da biblioteca, sinto um estalo súbito na mente que me faz mudar de direção. Se Jong Wook estivesse me esperando em algum lugar, seria ali.

  No entanto, ao alcançar o corredor entre as estantes, a decepção me atinge em cheio: está vazio. Dou alguns passos, deslizando os dedos pelos livros, como fiz quase todos os dias desde que voltei. Agora que paro para pensar, esta é a última vez que poderei estar aqui. A partir de hoje, não serei mais uma aluna do Renowned School.

  Suspiro, tomada por uma tristeza que não vem só disso. Eu queria tanto que ele estivesse aqui… Bato a testa na prateleira, repetidas vezes, num gesto quase infantil, desejando poder me transformar em um livro — qualquer um — só para nunca mais precisar sair dali.

  — Hor... você ainda faz isso?

  Meu coração falha uma batida.

  Eu conheço aquela voz.

  Viro devagar, com medo de que seja só imaginação, e então o vejo no final do corredor. As mãos escondidas atrás do corpo e um sorriso familiar nos lábios.

  — Achei que depois de um ano te encontraria mais madura — provoca, fingindo decepção.

  Dou passos cautelosos em sua direção, como se qualquer movimento brusco pudesse fazê-lo desaparecer diante dos meus olhos. Quando finalmente fico frente a frente com ele, levo a mão ao seu rosto, tocando-o com dedos hesitantes.

  — Você… está aqui? De verdade?

  Ele abre um sorriso largo e, sem emitir som algum, move apenas os lábios:

  Senti saudades.

  Exatamente como daquela vez.

  É o suficiente.

  Eu o abraço imediatamente, tomada por uma mistura avassaladora de emoção e choque que me rouba qualquer palavra. Jong Wook me envolve com força, como se também temesse me soltar, e quando se afasta apenas o suficiente para me encarar, percebo o brilho das lágrimas contidas em seus olhos.

  — Por que demorou tanto? — pergunto a voz rouca.

  — Me perdoa… foi um pequeno erro de cálculo. Só descobri que chegamos um ano depois do que queríamos há algumas horas. — Ele beija minha testa e me puxa para outro abraço. — Fiquei apenas três meses sem te ver, mas senti como se fosse um ano também.

  — Um ano e um mês — corrijo, arrancando-lhe um sorriso.

  — Obrigado por ter voltado — continuo — Senti tantas saudades…

  A voz falha no fim da frase, carregada por tudo o que ficou preso durante aqueles treze meses. Respiro fundo, lutando para manter o controle, mas não escondo o quanto aquilo ainda dói.

  — Eu também, ippeuni...* (linda) Eu também… — Sua mão encontra meus cabelos, acariciando-os com calma, oferecendo um tipo de conforto que dispensa explicações.

  Quando finalmente consigo me acalmar, estamos sentados no chão, abraçados. Há algo de seguro na forma como ele me mantém perto, como se o tempo tivesse decidido nos dar uma trégua.

  — Você… vai ficar? — pergunto, quase em um sussurro.

  Ele afasta o rosto o suficiente para me olhar nos olhos, a testa levemente franzida, como se a pergunta não fizesse sentido.

PARADOXOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora