Capítulo Vinte e seis - Segunda chance

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  Depois de duas semanas se recuperando, Jong Wook finalmente consegue se locomover — os remédios modernos de 2125, é claro, aceleraram bastante o processo de recuperação.

  Não foi fácil passarmos todo esse tempo enfiados no depósito da WWB, sem ver a luz do sol. Mas não tínhamos escolha. Fugir com Jong Wook naquele estado era impossível. Precisávamos esperar.
 
  Enquanto isso, meu pai cuidou de tudo: roupas, comida, o básico para sobrevivermos.
 
  Só não havia como prever tudo.
 
  — O futuro realmente redefiniu o conceito da alimentação — comento com ironia, observando o jantar supermoderno que Jong Wook oppa preparou: lámen com ovo. — Aposto que, em alguma linha do tempo alternativa, isso aqui é considerado alta gastronomia.

  — Ei, é o melhor que deu pra fazer com o que o senhor Kang trouxe — rebate ele, erguendo o garfo em defesa própria. — Além disso, gênios gostam de coisas práticas.

  — Já que estamos falando de praticidade… — o mais novo se inclina na cadeira, empurrando o prato para frente. — Quando, exatamente, vamos sair daqui?

  Ele tamborila os dedos na mesa, entediado demais para disfarçar.

  — Quando você parar de achar que está melhor só porque consegue reclamar — responde Jong Wook oppa, de boca cheia. — Precisamos que você esteja bem de verdade.

  — Eu estou bem — rebate o mais novo, irritado. — Já consigo andar.

  — Andar não é correr — intervém o outro, engolindo antes de continuar. — E pensar sob pressão é outra história. Se formos vistos, não teremos segunda chance.

  O silêncio pesa por um instante.

  — O oppa tem razão — digo, pensativa. — Teremos que ser rápidos se quisermos sair sem sermos vistos.

  O mais novo suspira, jogando a cabeça para trás. Depois puxa o prato de volta, mas antes me analisa com uma sobrancelha erguida.

  — Você podia, pelo menos, me alimentar.

  Jong Wook lança um olhar fulminante na direção dele.

  — Você quebrou os braços por acaso?

  — Não — responde o outro. Em seguida, faz uma expressão exagerada de sofrimento. — Mas é tão cansativo…

  Jong Wook oppa se levanta na mesma hora e puxa a cadeira para mais perto dele, claramente sem paciência.

  — Permita-me... — diz, estendendo a mão para pegar o garfo do mais novo, que o toma no mesmo instante e volta a comer, ignorando completamente o drama.

  Preciso morder o lábio para não rir.

  Mal terminamos a refeição, um barulho alto ecoa da sala de cima. Jong Wook oppa e eu nos levantamos no mesmo instante. O outro apenas encara a porta, tenso. Um segundo depois, meu pai surge, a expressão assombrada.

  — Aboji? O que foi?

  — Temos que ir — ele diz, ofegante. — Parli! (Depressa)

  Ele pega uma mochila no armário e começa a enchê-la com coisas que não reconheço. Jong Wook oppa se aproxima imediatamente.

  — Por que agora? Ele ainda não está bem o bastante para...

  — Um funcionário descobriu sobre nós — meu pai interrompe, sério. — Em poucos minutos eles estarão aqui. Não há como ficarmos.

  Nós três arregalamos os olhos, finalmente entendendo o motivo do alvoroço.

  — Mas ele não pode correr! — exclamo, desesperada.

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