Capítulo Vinte e sete - Em casa

57 7 0
                                        

  Minutos depois de Jong Wook desaparecer no pequeno vendaval, apressamos o passo quase correndo. Toda a WWB já deve estar atrás de nós, se aproximando a cada segundo. Ainda assim, minha principal preocupação é saber se ele está bem. Afinal, seu estado ainda era delicado... e quem pode prever os efeitos de uma viagem no tempo sobre alguém seriamente ferido?

  Após cruzarmos mais alguns corredores e subirmos várias escadas, finalmente chegamos ao nosso destino: o tubo de descarte de lixo. É nojento, eu sei, mas no momento não temos escolha.

  Meu pai se oferece para ir primeiro, a fim de verificar se a queda não será brusca demais para mim. Tenho vontade de protestar, mas, sendo dois contra um, desisto antes mesmo de tentar.

  Ele entra no tubo e, segundos depois, ouvimos o barulho alto do impacto.

  — É seguro — avisa, a voz abafada pela distância. — Mas recomendo tamparem o nariz.

  Eu e Jong Wook trocamos um olhar hesitante. Pelo jeito, ele também não se dá nada bem com lixo. Respiro fundo e dou um passo à frente.

  — Cuidado — ele diz, segurando meu braço por um breve instante.

  O toque envia um arrepio pela minha pele. Encaro seus olhos cheios de preocupação e não consigo evitar um meio sorriso.

  — Relaxa, oppa… o lixo não vai nos atacar.

  Ele solta meu braço, ainda hesitante.

  Escorrego pelo tubo por cerca de dez segundos antes de cair. O lixo amortece minha queda — ainda bem, ou até sentar seria difícil depois. Jong Wook cai logo em seguida e solta um palavrão ao ser atingido pelo cheiro forte do lugar.

  — Wua, que nojo! — exclama, arrancando uma risada minha.

  — Não está tão ruim assim — provoco.

  Ele me encara, horrorizado, mas, em vez de retrucar, apenas se levanta e tenta limpar as roupas, como se isso realmente fosse ajudar.

  O local é amplo e metálico, com paredes lisas e trilhos embutidos no chão, por onde os resíduos são levados automaticamente. Por sorte, não está tão cheio, o que nos permite avançar sem muita dificuldade até uma porta lateral. Uma saída.

  Conseguimos sair, mas poucos passos depois, nos deparamos com uma grade eletrificada bloqueando a passagem. Um campo azulado percorre o metal em pulsos regulares, acompanhado por um zumbido baixo e ameaçador.

  Jong Wook não perde tempo. Ele se agacha diante da grade e revela um pequeno painel oculto no canto, os dedos se movendo rápidos enquanto digita uma sequência de códigos. As luzes do campo elétrico tremulam, piscam uma última vez… e se apagam por completo.

  — Agora — ele ordena.

  Pulamos a grade e seguimos em frente, sem ousar olhar para trás.

  Após alguns metros, o espaço se abre diante de nós, revelando o estacionamento subterrâneo.

  — Certo… agora vou conseguir um carro para nós — diz Jong Wook, os olhos já analisando o local.

  Não demora muito até que ele encontre um veículo que, segundo ele, é rápido o bastante para nos tirar dali. Com uma calma impressionante — e apenas sua inteligência —, Jong Wook desativa o sistema de segurança e faz o carro funcionar sem precisar da impressão digital do dono.

  — Wua, você é realmente um gênio, oppa! — comento, já dentro do carro, eu no banco de trás e os dois à frente.

  Ele sorri, satisfeito. Mas o momento é quebrado pela voz seca do aboji.

PARADOXOOnde histórias criam vida. Descubra agora