Capítulo Vinte e dois - A promessa

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  Assim que saio da WWB, a ansiedade me engole por inteiro. O plano está sólido, cada rota calculada, cada falha prevista. Eu deveria estar confiante depois de revisar o perímetro mais uma vez. Ainda assim, um tremor traiçoeiro percorre minha espinha, insistente.

  — Vamos entrar, pegar o Sr. Kang e sair. Vinte minutos. No máximo — repito para mim mesmo, numa tentativa inútil de impor ordem ao caos dentro da minha cabeça. — Ela é forte. Agora sabe usar o RX2. Não há motivos para me preocupar.

  Não há. Logicamente, não há. Mesmo assim, meus pulmões se recusam a funcionar direito. Aperto o volante com força e piso fundo no acelerador, desesperado para chegar logo em casa.

  O trajeto parece interminável. Quando finalmente estaciono na garagem, mal tenho tempo de desligar o carro antes de saltar para fora. Entro no elevador quase correndo, o coração ainda acelerado. Enquanto tento controlar a respiração, meus olhos acabam recaindo sobre minha mão.

  A cicatriz.

  Levo a mão ao pescoço e seguro o colar de pedra negra. Me detenho por um instante, observando como o cordão se encaixa perfeitamente nos dois cortes profundos. A lembrança de como eles surgiram ali me atinge em cheio, frustrando qualquer tentativa de calma.

  — As coisas vão ser diferentes agora — sussurro, mais como uma súplica.

  Assim que entro no apartamento, o alívio me invade como um sedativo tardio. Meus ombros cedem, o peso nos pulmões diminui. Por alguns segundos, quase acredito que tudo ficará bem.

  Mas dura pouco.

  Yoo Nah não está na sala. Nem na cozinha. Vou até o quarto. Depois o banheiro. Abro portas, acendo luzes, confiro cantos que não fazem sentido algum... Nada.

  — Ela deve ter ido à piscina… — murmuro para mim mesmo, parando no meio da sala. — Treinar mais um pouco para amanhã.

  Aperto os lábios num sorriso cansado, quase automático. É exatamente o tipo de coisa que ela faria. Sempre ultrapassando o limite quando acha que pode melhorar um pouco mais...

  O clique da porta corta meus pensamentos. Meu outro “eu” entra, distraído, andando alguns passos antes de perceber minha presença.

  — Você chegou — diz, travando no lugar.

  — Saí mais cedo — respondo. — Mas não se preocupe. O tempo que fiquei lá foi suficiente.

  Ele não diz nada. Não me incomodo de imediato. Já conheço esse silêncio. Durante anos, ele foi minha armadura contra o mundo.

  Ainda assim, algo prende minha atenção. O jeito como ele evita me encarar. A rigidez excessiva, como se estivesse esperando um impacto que ainda não veio. Fico observando, esperando que a sensação de que algo está errado passe.

  Ela não passa. O incômodo se fixa no peito, pesado, insistente.

  Ok... Muitas coisas podem estar erradas. Mas só uma realmente importa.

  — Onde está Yooh Nah?

  Ele permanece imóvel. Em silêncio.

  — Jong Wook... eu perguntei onde está Yoo Nah — repito, a voz baixa, perigosa.

    Ele ergue os olhos para mim com frieza — um olhar duro, calculado, vazio de qualquer traço de hesitação.

  — Ela está onde deveria estar.

  Não.

  — O que você fez? — minha voz mal passa de um sussurro. Sai quebrada, estranha, como se não fosse minha. O choque dura um segundo. A raiva vem logo depois, violenta, incontrolável. — O QUE VOCÊ FEZ?!

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