Capítulo Vinte e oito - Mudanças

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  Três meses se passaram desde que voltei. Acompanhei de longe o desfecho da minha história com Jong Wook e, assim que ele e minha outra versão partiram para o futuro, finalmente pude retomar a minha própria vida.

  Quando retornei à casa de Ji Soo, tudo me pareceu estranho — como se eu tivesse estado fora por anos, e não apenas alguns meses. Como esperado, ele e a tia não desconfiaram de nada. Quer dizer… de quase nada.

  — Yoo Nah, o que você tem?

  Lanço um olhar surpreso para Ji Soo. Nós três decidimos assistir a um filme juntos na sala, mas, como sempre, a tia acabou pegando no sono no sofá.

  — Nada. Por quê?

  Ele inclina a cabeça, pensativo.

  — Tem algo errado. Você está diferente. Não vai me contar o que é?

  — Não tenho nada para contar — respondo, voltando os olhos para a TV. — Sou a mesma de sempre.

  — É mesmo? Então onde está o colar que seu pai te deu? Aquele que você nunca tira?

  Olho para ele e encontro seus olhos castanhos mais desconfiados do que nunca. Aish… eu realmente achei que ele não fosse notar.

  — Eu perdi — minto.

  — E está tão tranquila assim?

  — Bem… não há nada que eu possa fazer sobre isso.

  Ele suspira e volta a atenção para o filme. Solto o ar devagar, achando que o pior já passou, mas Ji Soo torna a falar:

  — Você sabe que pode me contar as coisas, Yoo Nah. E pode chorar no meu ombro… quando quiser.

  Oh, não. Será que ele me ouviu chorando ontem à noite?

  — Ok — respondo, sem ousar tirar os olhos da TV.

  Assistimos ao resto do filme em silêncio.

* * *

  Na escola, o ar parece diferente. Na Bi evita cruzar comigo e abaixa a cabeça sempre que isso acontece. Às vezes sinto pena — ela nunca vai entender o que realmente aconteceu naquele dia. Para ela, só restou o medo.

  O mais estranho é que os outros alunos passaram a me tratar melhor. Alguns puxam conversa no corredor, andam ao meu lado por alguns passos, outros me chamam para lanchar depois da aula. No começo, isso me assustou; eu não sabia como reagir, nem como corresponder. Por hábito, ainda me pego olhando ao redor de vez em quando, esperando que tudo seja uma armadilha — um comentário atravessado, um riso fora de hora.

  Mas, pouco a pouco, esse medo começa a perder força. Entre conversas simples e convites sinceros, começo a acreditar que essa pode ser a minha nova realidade.

  — Yoo Nah! Você trabalha aqui?

  Ergo o olhar, surpresa ao ver algumas meninas da escola no Home Coffee.

  — So Ah, Min So, Jung Tae! O que vocês estão fazendo aqui?

  Elas se aproximam do balcão, animadas.

  — Viemos tomar um café. Nem imaginávamos te encontrar aqui — diz Min So, maravilhada.

  — Omo! Você fica tão bem de avental! — exclama So Ah, apertando as próprias bochechas, fazendo as outras rirem.

  — Ela tem razão… mas essas luvas que você sempre usa não combinam — comenta Jung Tae, fazendo careta enquanto observa minhas mãos.

  — Ah… desculpem. Ando sentindo muito frio nas mãos ultimamente — respondo, sem jeito. — Sentem-se, já levo algo para vocês.

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