Capítulo Vinte e um - Conexão

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  O dia seguinte parece se arrastar. Quanto mais ansiosa fico, mais lento ele passa. Com tudo planejado para a invasão, agora só nos resta esperar pela sexta-feira.

  Enquanto isso, minha mente não para. Medito sobre o que dizer quando estiver cara a cara com meu pai. Devo perguntar sobre a saúde dele? Se sentiu minha falta? Falar do quanto esperei por ele e o quanto foi um alívio descobrir que estava vivo? Ou será que devo confrontá-lo, jogando perguntas diretas sobre o motivo de trabalhar na WWB, colaborando com uma pesquisa que me mantinha prisioneira?

  Passo a mão pelos cabelos, frustrada. Ainda é quarta-feira de manhã e eu tenho tempo para decidir, mas a sensação é a de que qualquer preparação que eu faça será inútil.

  — Ottoke? Isso é muito difícil... — falo em voz alta, quase me repreendendo.

  Não me importo de conversar sozinha; o apartamento está vazio. Jong Wook oppa foi para a WWB no lugar do outro, revisando o trajeto da invasão e checando se tudo sairá conforme o plano. O outro Jong Wook, aquele que não foi trabalhar, foi cuidar de "assuntos pessoais." Confesso que fiquei curiosa sobre isso — sua vida pessoal é um mistério absoluto para mim. Família, amigos, lugares que frequenta… nada. Talvez seja isso que torne ainda mais surreal o fato de eu estar apaixonada por ele.

De repente, uma ideia passa pela minha cabeça. Olho em volta, agora enxergando minha solidão de um jeito diferente. Hum… será que tem problema se eu me tornar uma stalker também? Sorrio sozinha, lembrando de como fiquei perturbada quando ouvi Jong Wook se chamar assim no início da nossa amizade. Por fim, me levanto, decidida a agarrar essa oportunidade.

  Começo pelo quarto. Dormi aqui alguns dias, mas nunca senti curiosidade suficiente para explorar — até mesmo porque não sei como fazer isso. Há uma porta na parede que parece ser um closet. Mas quem disse que tem maçaneta? O mesmo acontece com as gavetas embutidas. Não faço ideia de como abri-las, mas resolvo tentar. Sofro um bom tempo tateando, murmurando palavras sem sentido, pensando se alguma poderia abrir por comando de voz. Nada funciona. Aish. Ser stalker no futuro é bem mais difícil do que eu imaginava!

  Mesmo assim, não desisto. Depois de muito insistir, descubro pequenos relevos escondidos na parte inferior de cada gaveta. Toco um deles e, com um click, ela se abre. Dou um gritinho de alegria. Está cheia de documentos e papéis que não entendo. Na segunda, encontro relatórios antigos sobre o RX2, todos com informações que já conheço.

  A terceira gaveta guarda relógios modernos, cada um mais lindo que o outro. Experimento um, maravilhada, até me arrepender quando não consigo tirá-lo do pulso. Então desisto e volto a focar nas gavetas.

  Na próxima, finalmente encontro o que procurava: fotos antigas de Jong Wook. Algumas dele pequeno, outras na adolescência. Há até imagens em uma pequena tela finíssima, que se mexem como mini-vídeos, e posso deslizar o dedo para passar de uma para outra.

  — É um álbum de fotos moderno! — exclamo, encantada.

  Vejo fotos dele em uniforme escolar, cercado de amigos. Tão fofo... Também encontro algumas com pessoas que parecem ser seus pais. Sorrio, feliz por finalmente conhecer um pouco mais sobre ele, mas logo fico séria.

  "Minha vida está onde você estiver."

  Um aperto atravessa meu peito.

  Ele tem família, amigos, um trabalho que ama… e ainda assim escolheria estar comigo? Meu estômago se embrulha diante do sentimento contraditório. Não quero que ele fique longe das pessoas que ama, mas também não quero perdê-lo.

  As lágrimas ameaçam aparecer. Penso em meu pai e na dificuldade de não tê-lo por perto. Não deveria desejar isso para ninguém… então por que insisto em querer que Jong Wook oppa vá embora comigo?

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