Capítulo Vinte e três - Extração

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  Estamos no carro, em alta velocidade. Não há um plano — e, pela primeira vez, isso não importa. Tudo o que importa é tirar Yoo Nah daquele lugar antes que seja tarde demais.

  O silêncio nos acompanha por quase todo o caminho. É pesado, sufocante, carregado demais para ser quebrado. Até que eu não aguento mais.

  — Eu a amo.

  Ele olha para mim, surpreso. Não porque eu a ame — isso nunca foi segredo — mas porque eu finalmente tive coragem de admitir em voz alta.

  — Eu sei — responde, voltando os olhos para o trânsito.

  Engulo em seco. O nó na garganta aperta.

  — Eu só queria protegê‑la — continuo, a voz falhando apesar do esforço para mantê‑la firme. — Pensei que, fazendo a extração, ela… ficaria a salvo…

  — Não precisa me dar explicações, Jong Wook — ele me corta, frio. — Eu sei exatamente o que você pensou. Porque pensei a mesma coisa quando permiti que ela entrasse naquela maldita cápsula.

  Engulo em seco, sentindo a angústia me consumir por dentro. Cada lembrança dos nossos últimos momentos juntos me esmagando mais e mais. Como eu pude ser tão idiota? Abri meu coração para ela, disse tudo o que sentia… e tive a sorte de receber um beijo apaixonado em troca. Como fui capaz de traí-la logo após isso? Por mais que o RX2 estivesse prejudicando a saúde dela... Eu devia ter me certificado de que seria seguro trazê-la de volta. Eu devia tê-la protegido!

  De repente, escuto meu sósia suspirar.

  — Pare de se culpar — diz, como se cedesse a contragosto. — Eu poderia ter evitado tudo isso se tivesse te contado antes. Então também sou responsável. — Ele me olha de relance. — Vamos nos perdoar. Precisamos focar no que temos que fazer agora, ok?

  Eu concordo com a cabeça, mas o alívio não vem. Nem mesmo quando o prédio da WWB surge à nossa frente.

  Jong Wook estaciona um pouco adiante, e ficamos ali por um instante, mergulhados em silêncio outra vez, reunindo forças. Não sabemos qual será o desfecho desta vez, nesta nova linha do tempo alterada. Mas, seja o que for que venha a seguir… vamos encarar de frente e fazer o impossível para impedir o fim que ele já viveu.

  * * *

  Entro na WWB como se fosse apenas mais um dia comum de trabalho. Deixei Yoo Nah em frente à empresa de forma anônima; ninguém sabe que fui eu quem a trouxe de volta. Enquanto o elevador sobe, tento não pensar no que fiz. Preciso me concentrar. Preciso manter a cabeça fria.

  As portas se abrem e volto a andar, seguindo em direção à sala de pesquisa, onde Yoo Nah deveria estar presa. Meu estômago se embrulha ao imaginar sua expressão ao me ver. Será que algum dia ela vai me perdoar?

  Chego finalmente à sala e respiro fundo antes de entrar. Caminho até a cela de vidro — vazia. Procuro pela sala inteira, depois o banheiro. Nada. Vou até a sala de treino, onde fazíamos as análises. Ela também não está lá.

  O desespero começa a se infiltrar. Para onde a levaram? Será que chegamos tarde demais?

  Sigo pelo corredor em direção à sala de extração, sentindo o suor brotar na pele. Tento manter o passo firme, não correr, não chamar atenção. Falho na metade do caminho. Sou obrigado a pegar outro elevador, e cada segundo parado ali só faz meu peito apertar ainda mais.

  Quando as portas finalmente se abrem, quase salto para fora. Dou alguns passos apressados e, ao virar a esquina, congelo. Kim Dong Man está ali, cercado por vários seguranças.

PARADOXOOnde histórias criam vida. Descubra agora