Capitulo 27

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Na semana que se seguiu, tudo se normalizou. Sempre haviam flores no quarto de Anahí e essas flores eram sempre novas, de modo que o quarto tinha um perfume floral, fresco. A própria Anahí se recuperou, e não parecia mais abalada: Estava descansada, em paz, se sentia nova em folha. O mais interessante: Alfonso não saiu de lá nem um dia.

Anahí: Eu comecei com um comprimido. – Explicou, respondendo a Robert. Alfonso mexia em um notebook, mas ela sabia que ele estava ouvindo – Mas eu ainda era uma criança. Ao atingir a idade adulta um só não bastava mais, eu oscilava entre o sono, então meu psicólogo dobrou a dose. Isso tem, em média, de 07 a 09 anos. Não houve problemas. – Disse, dando de ombros. Estava ficando com sono de novo. Já reclamara com Robert sobre esse habito dele de mantê-la sedada o tempo todo, mas ele insistia que ela precisava de repouso absoluto.

Robert: Entendo. – Disse, anotando numa prancheta.

Alfonso: Não sei pra que você ainda escreve. Ninguém entende sua letra. – Disse, irônico, digitando algo no notebook.

Robert: Eu sou médico. – Lembrou, debochado.

Alfonso: Não justifica. – Encerrou. Robert suspirou.

Robert: Bom, aqui está. – Disse, tirando um frasco laranja do bolso. O barulho era de comprimidos – Eu fiz alguns testes do seu sangue com a substancia, e já conversei com especialistas na área. Chegamos à conclusão de que se você se comprometer a ter total rigidez com os horários entre os seus comprimidos, não há risco evidente.

Alfonso: Se ligar e desligar como uma maquina. – Disse, fechando a tampa do notebook – Quantas vezes e em quantos idiomas eu vou ter que dizer “não”?

Anahí: E sobre os rins? – Perguntou, olhando o frasco, tentada.

Alfonso: Estragados daqui a menos de 10 anos. – Garantiu, se levantando.

Robert: Eu sou o medico aqui. – Lembrou.

Alfonso: Eu sou o marido dela. E eu disse não. – Disse, evidente. Anahí olhava de um irmão pro outro, sabendo que em briga de cachorro grande, pequinês não se mete.

Robert: Se eu... – Ele olhou Anahí – Vamos conversar lá fora. – Alfonso olhou Anahí e assentiu.

Anahí: Hey! – Disse, ultrajada – É de mim que vocês estão falando!

Robert: Você vai ficar aqui, bonitinha. – Disse, abrindo a tampa de uma maquina que regulava a quantidade de medicamentos que iam no sangue dela, aumentando a dosagem do sonífero. Em poucos segundos Anahí piscou pesadamente, revoltada – E descansar.

Anahí: Isso é me desligar. – Acusou, e Alfonso ergueu a sobrancelha.

Alfonso: Durma, você é mais agradável dormindo. – Sugeriu e ela revirou os olhos, não terminando o ato e caindo no sono.

O bate boca entre Robert e Alfonso parecia um loop, não chegava a uma conclusão. Alfonso se negava terminantemente a permitir, e Robert insistia que a decisão não era dele. Os dois não pareciam notar o tempo passar, e se passaram horas.

Robert: Quem vê você acampado aqui e falando desse jeito diria que você está preocupado. – Alfinetou, sentado na sala de estar em frente a Anahí.

Alfonso: Robert, vai se foder. – O outro riu, debochado – Você vai matar ela!

Robert: Pensei que a idéia te agradasse. – Comentou, irônico.

Alfonso: Se for pra matá-la, eu tenho idéias mais criativas. Um avião caindo, um apartamento pegando fogo, uma bala na testa, ai sim, mas isso é patético! – Disse, ultrajado. Robert ia responder, mas o bipe dele tocou, e ele se levantou.

Robert: Preciso ir. – Disse, guardando o bipe. Rebekah chegou na sala de estar, usando uma calça social preta, uma camisa grafite, os cabelos presos em um rabo de cavalo. Era estranho: Rebekah não visitava Anahí, assim como Jennifer. Só que Jennifer não ia por raiva, já Rebekah por não ter o que fazer ou dizer.

Rebekah: Irmão. – Cumprimentou, beijando Robert.

Robert: Já volto. – Garantiu, beijando a testa dela e saindo apressadamente.

Rebekah: Ele ainda vai entrar em curto com esse hospital nas costas. – Comentou, beijando Alfonso – Como ela está? – Perguntou, se virando. Pela parede de vidro se via Anahí dormindo, tranqüila.

Alfonso: Bem. Melhor que eu, que tive que agüentar Robert o dia inteiro. – Suspirou, fazendo Rebekah rir.

Ela fora lá levar um balanço da empresa pra ele. Desde sua criação Alfonso nunca se ausentara da empresa tanto tempo – é claro que isso tinha um preço. A mesa dele se acumulara de projetos, e por mais que ela tentasse contornar, não havia como deter. Era como uma represa que só ele podia conter. Ela mostrou os gráficos e as tabelas a ele, e os dois se distraíram por algum tempo naquilo.

Rebekah: Nossas ações no seu setor estagnaram desde que você saiu. – Concluiu, guardando os papeis na pasta que carregava.

Alfonso: Estagnaram, não caíram. – Reparou.

Rebekah: Mas vão começar a cair se continuarmos assim. Não há precedente. – Lembrou. – Irmão, quanto tempo você pretende continuar aqui? Dormindo em um sofá, comendo porcaria, sem trabalhar...? – Perguntou, observando-o. Alfonso olhou a Anahí dormindo tranquilamente e se lembrou da Anahí que encontrou na sala de casa, o rosto ensangüentado, branca feito a morte. – Você precisa voltar. 

Alfonso: Não vou deixá-la aqui. – Disse, absoluto em sua decisão – Vou voltar quando ela estiver bem.

Skyfall (Efeito Borboleta - Livro 1)Onde histórias criam vida. Descubra agora