O tênis funcionou no começo, mas depois de alguns dias, o efeito diminuiu. Passamos a jogar xadrez e aconteceu a mesma coisa: progresso apenas nas três primeiras partidas. Jong Wook, então, precisou mudar de tática.
— Vamos tentar afetar mais suas emoções — explica, andando de um lado para o outro. — Embora o que fizemos tenha dado certo, a repetição tornou essas atividades inúteis. Acho que devemos focar em coisas que você realmente goste de fazer.
Ele me observa, esperando minha resposta.
— O que eu gosto de fazer? Bem… não sei.
Ele franze a testa, confuso e intrigado ao mesmo tempo.
— Como não sabe?!
Dou de ombros.
— Acho que não costumo me divertir muito.
— Uma jovem que não costuma se divertir? — Ri, incrédulo. — Você é muito estranha.
— E você é um cientista do mal que sequestra viajantes no tempo — retruco, ofendida.
Ele não me dá uma resposta cortante como de costume. Ao em vez disso, apenas suspira.
— Você realmente não tem nenhum hobby? Algo que faça quando está entediada? — insiste.
Penso por um instante, lembrando da minha história.
— Bem… eu gosto de escrever romances.
— Mesmo? Já escreveu algum?
Assinto, sentindo uma pontinha de insegurança com o rumo que a conversa tomou.
— Então me conte. Vou monitorar para ver se isso dará certo.
Ele se dirige ao computador sem me dar chance de recusar. Sinto minhas bochechas queimarem e minhas mãos suarem. A simples ideia de compartilhar minha história romântica com ele… ou com qualquer outra pessoa… é completamente perturbadora!
De repente, vejo seus olhos se arregalarem diante da tela.
— Mas o quê...?! — exclama, virando-se para mim, perplexo. — A porcentagem dobrou!
Dobrou?!
Ele observa atentamente o monitor, depois me encara, e seus olhos finalmente ganham compreensão.
— Deu certo. — Abre um sorriso genuíno, pela primeira vez desde que cheguei aqui. — Você ficou envergonhada em me contar, não foi? — Aponta para a tela. — Isso fez a porcentagem subir.
Fico boquiaberta, sem acreditar. Algo me diz que isso não é bom.
— Muito bem, Kang Yooh Nah. Agora que provamos minha teoria, vamos usar esse tipo de emoção. — Cruza os braços, o sorriso malicioso iluminando o rosto. — Que tal começar a história?
Engulo em seco, preocupada. Se a vergonha ajuda, então na metade da história já teremos alcançado o objetivo. Ottoke?
* * *
Consegui enrolar Jong Wook por alguns dias, dizendo que não me lembrava direito da história. Ele não pareceu muito convencido, mas não insistiu.
— Tente lembrar, me avise assim que conseguir — pediu numa manhã, enquanto nos sentávamos para comer.
Nos últimos dias, ele tem trazido sua comida até minha mesa para fazermos a refeição juntos. Tento não demonstrar o quanto isso me agrada; afinal, preciso me fazer de difícil. Mas, com Jong Wook, é impossível ganhar nessa.
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PARADOXO
Science FictionKang Yoo Nah é uma jovem estudante da Coreia do Sul, que tem vivido com amigos da família desde que seu pai desapareceu sem deixar vestígios. O problema é que Yoo Nah não vê o filho da sua tutora como irmão, e precisa esconder isso. Mas sua vida se...
