Capítulo Catorze - Ingênua

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  O tênis funcionou no começo, mas depois de alguns dias, o efeito diminuiu. Passamos a jogar xadrez e aconteceu a mesma coisa: progresso apenas nas três primeiras partidas. Jong Wook, então, precisou mudar de tática.

  — Vamos tentar afetar mais suas emoções — explica, andando de um lado para o outro. — Embora o que fizemos tenha dado certo, a repetição tornou essas atividades inúteis. Acho que devemos focar em coisas que você realmente goste de fazer.

  Ele me observa, esperando minha resposta.

  — O que eu gosto de fazer? Bem… não sei.

  Ele franze a testa, confuso e intrigado ao mesmo tempo.

  — Como não sabe?!

  Dou de ombros.

  — Acho que não costumo me divertir muito.

  — Uma jovem que não costuma se divertir? — Ri, incrédulo. — Você é muito estranha.

  — E você é um cientista do mal que sequestra viajantes no tempo — retruco, ofendida.

  Ele não me dá uma resposta cortante como de costume. Ao em vez disso, apenas suspira.

  — Você realmente não tem nenhum hobby? Algo que faça quando está entediada? — insiste.

  Penso por um instante, lembrando da minha história.

  — Bem… eu gosto de escrever romances.

  — Mesmo? Já escreveu algum?

  Assinto, sentindo uma pontinha de insegurança com o rumo que a conversa tomou.

  — Então me conte. Vou monitorar para ver se isso dará certo.

  Ele se dirige ao computador sem me dar chance de recusar. Sinto minhas bochechas queimarem e minhas mãos suarem. A simples ideia de compartilhar minha história romântica com ele… ou com qualquer outra pessoa… é completamente perturbadora!

  De repente, vejo seus olhos se arregalarem diante da tela.

  — Mas o quê...?! — exclama, virando-se para mim, perplexo. — A porcentagem dobrou!

  Dobrou?!

  Ele observa atentamente o monitor, depois me encara, e seus olhos finalmente ganham compreensão.

  — Deu certo. — Abre um sorriso genuíno, pela primeira vez desde que cheguei aqui. — Você ficou envergonhada em me contar, não foi? — Aponta para a tela. — Isso fez a porcentagem subir.

  Fico boquiaberta, sem acreditar. Algo me diz que isso não é bom.

  — Muito bem, Kang Yooh Nah. Agora que provamos minha teoria, vamos usar esse tipo de emoção. — Cruza os braços, o sorriso malicioso iluminando o rosto. — Que tal começar a história?

  Engulo em seco, preocupada. Se a vergonha ajuda, então na metade da história já teremos alcançado o objetivo. Ottoke?

 
  * * *

  Consegui enrolar Jong Wook por alguns dias, dizendo que não me lembrava direito da história. Ele não pareceu muito convencido, mas não insistiu.

  — Tente lembrar, me avise assim que conseguir — pediu numa manhã, enquanto nos sentávamos para comer.

  Nos últimos dias, ele tem trazido sua comida até minha mesa para fazermos a refeição juntos. Tento não demonstrar o quanto isso me agrada; afinal, preciso me fazer de difícil. Mas, com Jong Wook, é impossível ganhar nessa.

PARADOXOOnde histórias criam vida. Descubra agora