Capítulo Vinte e quatro - Os dois

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  Corro até o corpo de Jong Wook, jogado no chão. Me ajoelho ao lado dele e seguro seu rosto com força, as mãos tremendo descontroladamente.

  — Ele não está respirando! Não está respirando! — grito, desesperada, a voz falhando. — Ele não pode morrer… por favor…

  Meu pai age rápido. Rasga a camisa dele, já encharcada de sangue, e examina a ferida com atenção. Em seguida, tira um lenço do bolso e o pressiona firmemente contra o buraco deixado pela bala.

  — Precisamos tratá-lo agora. Vamos para a minha sala.

  — Sua sala?! — protesto, o pânico tomando conta de mim. — Mas, aboji,* (pai) precisamos sair daqui!

  — Não há tempo, Yoo Nah. Temos que tirar a bala o quanto antes.

  Sem esperar resposta, ele coloca Jong Wook nas costas e me faz sinal para que eu pegue as armas. Obedeço imediatamente. Seguimos por passagens alternativas, desviando das câmeras, o coração martelando no peito a cada curva. Precisamos pegar o elevador, subindo do nível do experimento até o décimo andar, onde meu pai trabalha.

  Não demora até chegarmos. Assim que tranca a porta, meu pai aponta para uma mesa cumprida cheia de equipamentos. Entendo o recado na hora. Passo o braço por cima dela, jogando tudo no chão sem hesitar. Ele deita Jong Wook com cuidado e pede que eu pegue a maleta de primeiros socorros em uma das prateleiras.

  — Aqui — digo, entregando-a com urgência.

  Ele a abre e começa a usar os instrumentos médicos. Com movimentos firmes, corta o restante da camisa de Jong Wook, abrindo espaço ao redor da ferida. Em seguida, limpa a área com rapidez e precisão, afastando o sangue apenas o suficiente para enxergar melhor. Meu corpo está rígido, cada segundo parecendo uma eternidade.

  Então, de repente, um suspiro alto ecoa no canto da sala. Dou um pulo para trás, erguendo a arma no mesmo instante, pronta para atirar.

  — Yoo Nah.

  Congelo.

  Meus olhos se enchem de lágrimas quando percebo que é Jong Wook. Largo a arma e corro até ele, envolvendo-o em um abraço desesperado. Ele me abraça de volta com força, como se tivesse medo de me perder.

  Meus olhos se enchem de lágrimas quando percebo que é Jong Wook. Largo a arma e corro até ele, envolvendo-o em um abraço. Ele me aperta contra o peito com força, os braços rígidos, sem esconder o desespero. Por um instante, tudo o que escuto é o som da respiração irregular dele e o meu próprio coração disparado.

  — Eu pensei… pensei que não fosse te ver mais — sussurra, a voz fraca, mas carregada de alívio. — Você está bem?

  Assinto, erguendo o rosto para encará-lo.

  — E você? Sua testa está sangrando... Vou pegar um curativo.

  Dou um passo para sair, mas ele segura meu braço, me impedindo. Quando olho para ele, vejo a testa franzida e aquela expressão inquieta que me diz que algo ainda não faz sentido.

  — Como conseguiu sair de lá?

  — Eu explico tudo depois… para os dois — respondo, desviando o olhar para a mesa, onde meu pai tenta salvar a vida do homem que eu amo.

  Jong Wook acompanha meu olhar e aperta minha mão, o medo evidente no gesto.

  — Ele precisa ficar bem — digo, a voz embargada. — Se ele morrer… se você morrer… eu não sei o que vou fazer.

  Ele me puxa para mais um abraço, cheio de cuidado, e afaga meu cabelo em silêncio, tentando me acalmar. Depois de alguns segundos, deposita um beijo suave na minha testa e se afasta para ajudar meu pai.

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