Capítulo 19

1.7K 157 18
                                        

SOREN

A neve se acumulava aos poucos na estrada deserta. O farol do carro de Soren cortava a névoa densa enquanto ele seguia em direção à cabana, o silêncio no interior do veículo apenas ampliando a inquietação que ele já sentia no peito.

Mas então, ele viu as luzes laranjas piscando adiante.

Um guincho parado no acostamento. Um carro sendo içado.

Soren reduziu a velocidade, puxou para o lado e desceu do veículo, os olhos fixos no que estava vendo.

O carro estava virado parcialmente no barranco, com a frente amassada e o para-brisa rachado. Mas o que gelou seu sangue foi o modelo.

Ele reconhecia aquele carro. Com seus detalhes luxuosos e a cor chamativa.

— Não... — murmurou. — É o carro da Erin...

Uma voz soou às suas costas:

— Também achei estranho — disse Aron, seu velho amigo e mecânico da cidade, descendo do caminhão-reboque com uma lanterna na mão. — Quando me chamaram, já tinham socorrido a mulher. A ambulância tinha acabado de sair.

— Você viu quem era? — perguntou Soren, ainda atordoado.

— Não. Só vi os socorristas carregando a maca. Estava tudo rápido, confuso. Mas vi o rosto dela de relance... parecia familiar. E quando vi o carro, tive certeza.

Soren passou as mãos pelos cabelos, inquieto.

— Erin... só pode ser ela. Ela estava me perseguindo, Aron. Disse que não tinha terminado o que veio fazer. E agora isso.

— É... a cidade vai falar disso por dias — disse Aron, enquanto terminava de prender os cabos no chassi do carro danificado. — Ah, e outra coisa: vi o carro da Mikaela seguindo a ambulância. Estava logo atrás. Devia ter alguém com ela.

Soren franziu o cenho.

— Mika? Tem certeza?

— Tenho, sim. Aquela SUV branca dela é inconfundível. Não sei quem tava com ela, só vi passando rápido, colada na ambulância. Com essa nevasca, ninguém sai por aí à toa.

Soren cerrou o punho.

— Então é pra lá que eu vou.

 Soren chegando ao hospital

A fachada iluminada do hospital municipal parecia ainda mais fria sob a luz esbranquiçada dos refletores. A neve acumulada nas laterais da entrada era pisoteada por passos apressados. O som de sirenes ao longe ecoava, misturado ao barulho monótono de ventilação e motores ligados para manter os carros aquecidos.

Soren estacionou a caminhonete em frente à entrada de emergência e desceu sem nem desligar o motor.

O coração batia descompassado. Ele entrou pelas portas automáticas e foi engolido pelo cheiro de desinfetante, paredes claras e uma atmosfera de tensão suspensa.

— Boa noite, senhor... — começou a recepcionista, mas ele já falava por cima.

— Trouxeram uma mulher agora há pouco. Acidente de carro. Quero saber como ela está.

— O senhor é parente?

— Meu nome é Soren Anderson. Ela se chama Erin. Preciso saber se está viva.

A mulher digitou algo no computador. O clique apressado das teclas soava alto no silêncio desconfortável.

— Foi admitida há vinte minutos.

O viking em minha vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora