EPÍLOGO

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Meses se passaram desde aquela noite gelada no hospital.

O inverno deu lugar à primavera, e com ela vieram os primeiros sinais de renovação. As árvores ao redor da cabana de Soren começaram a florescer novamente, e o silêncio pesado do passado foi, pouco a pouco, preenchido pelo som de risadas, conversas e esperanças recomeçadas.

Mikaela agora vivia ali com ele, entre montanhas e bosques, onde o tempo parecia respeitar o ritmo das coisas importantes. Seu ventre crescia a cada dia, e com ele, um novo capítulo se formava, escrito com mais verdade do que qualquer outro.

Soren, antes calado e atormentado, encontrava paz nas pequenas coisas: nos cafés da manhã ao lado dela, nos toques suaves sobre a barriga que carregava seu filho, nos olhares que diziam mais do que palavras.

Eles falaram sobre Erin, sim. E choraram por tudo o que foi perdido — e pelo que nunca deveria ter sido. Mas não deixaram que o ódio contaminasse o que estavam construindo. O caderno com as mentiras foi guardado, não como lembrança de dor, mas como prova de que a verdade sempre encontra um caminho.

Alika continuava por perto, visitando aos finais de semana com seus próprios fantasmas tentando encontrar lugar para descansar. Ela e Andreas haviam voltado a se falar — sem promessas, sem pressa, mas com algo que poderia, talvez, se transformar em reconciliação.

Em uma manhã clara, Soren apareceu com um presente embrulhado em tecido simples: uma pequena câmera analógica restaurada.

— Sei que você gosta de capturar o que sente — disse ele, colocando o objeto nas mãos de Mikaela.

Ela sorriu, emocionada, passando os dedos sobre os botões. Pela primeira vez em muito tempo, sentia que podia registrar não só o mundo ao redor, mas o mundo dentro dela — e ele estava finalmente em paz.

Ao fundo, a neve derretia, alimentando os rios.

A vida, como sempre, seguia. Mas agora, Mikaela sabia: não era preciso entender todos os invernos. Bastava sobreviver a eles — e saber quem segurar durante a tempestade.

O viking em minha vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora