CAPÍTULO 3

10.4K 1K 136
                                        


     A semana passou rapidamente, e hoje já é sexta-feira — o dia em que começam minhas mini férias. Já arrumei todas as minhas coisas e só estou esperando a Alika, que foi buscar uns documentos que esqueci de entregar a ela.

Começo a trancar as portas de casa e vou esperá-la na varanda. Não dá nem três minutos depois de eu fechar a porta e Alika já chega.

— Desculpa, amiga, mas o trânsito não está nada bom — diz ela, descendo do carro.

— Tá tudo bem. Aqui estão os documentos, mas agora deixa eu ir pra não ficar muito tarde — digo, entregando os papéis.

— Se cuida, amiga! E vê se me liga! — ela diz, me abraçando apertado.

— Tá, agora tchau! — falo, abrindo a porta do meu carro e entrando.

— Vê se encontra um lenhador nas montanhas pra essas férias ficarem ainda melhores! — grita Alika, rindo.

— Tchau, doida! Até daqui a uma semana! — digo, dando partida no carro.

Já faz uma hora que estou na estrada e, graças ao meu bom Deus, o trânsito não está tão movimentado. Coloco uma das minhas playlists para tocar e começo a cantar junto com a música.

Gente de Zona
Que así es como era (¿qué qué?)
Con Carlos Rivera
Te está esperando, nos va alcanzando la luz del día
Que todo lo malo lo va borrando nuestra alegría
Lo digo y lo digo, te está esperando, mira
Que todo lo bueno llega
Para recordarnos que lo vivido valió la pena 


  

Após a música acabar, fico pensativa. Adoro essa música em espanhol — ela fala sobre não deixar que as coisas ruins da vida tirem nosso sorriso e nossos sonhos.

Algum tempo depois, estaciono meu carro em um posto na cidade de Flam. Enquanto o funcionário abastece, decido passar na lojinha de conveniência para comprar mais algumas coisas, inclusive chocolate. Quando chego ao caixa para pagar, uma senhora simpática começa a passar as compras e a puxar conversa:

— Olá! Está vindo para a cidade a passeio ou para ficar? Caso seja a passeio, tenho panfletos com lugares para visitar — diz, toda animada.

— Estou vindo a passeio, mas não é a primeira vez. Já vim outras vezes e adoro as montanhas dessa cidade.

— Que bom, querida! Mas você vai para os chalés nas montanhas, é isso? — pergunta ela, pegando as últimas compras.

— Isso mesmo, vou para os chalés — digo, tirando o cartão da carteira para pagar.

— Pois vá com cuidado. Esses dias nevou bastante por aqui, e é bom redobrar a atenção com o tempo — alerta, devolvendo meu cartão e minhas sacolas.

— Obrigada pelo aviso. Agora deixa eu ir, já está começando a escurecer — me despeço, saindo da loja.

Entro no carro e continuo dirigindo. Cerca de dez minutos depois, pego a estrada que leva aos chalés. Começa a chover, e o céu escurece ainda mais. Sigo dirigindo com atenção, até que, de repente, um veado cruza a estrada bem na minha frente. Tento desviar, mas acabo batendo em uma montanha de neve.

— M*rda... isso dói — reclamo ao ser empurrada pelo airbag.

Tento dar partida no carro, mas nada acontece. Solto o cinto de segurança e saio do veículo para ver o prejuízo. Felizmente, apenas um amassado leve. Respiro fundo e pego o celular para chamar um reboque, mas... sem sinal.

Espero um pouco, torcendo para o sinal voltar ou alguém passar, mas nada. Então, pego uma mochila, coloco algumas coisas básicas dentro e começo a andar, iluminando o caminho com a lanterna do celular.

Após cerca de vinte minutos caminhando sob a garoa fria, vejo um chalé com luzes acesas. Alívio. Corro até a porta e começo a bater.

Demora um pouco, mas finalmente alguém atende.

— M.E.R.D.A. Quem é você? O que quer aqui? — diz o homem mais lindo que já vi na vida. Mas o que ele tem de bonito, tem de grosso.

— Hã... meu nome é Mikaela Erickson. Meu carro quebrou na estrada e... queria saber se você tem um celular com sinal pra eu ligar para um reboque — digo, estendendo a mão. Ele finge que não vê.

— Tenho um celular, mas provavelmente não vai ter sinal com essa chuva. Mas o telefone fixo ainda está funcionando — responde ele, entrando na casa e deixando a porta aberta.

Ele então se vira, me lança um olhar e arqueia uma sobrancelha:

— Vai entrar ou vai ficar aí, feito estátua? — diz, voltando a andar.

— Idiota — murmuro.

— O que disse? — pergunta ele, me olhando sério.

— Que sua casa é bonita — respondo, desviando o olhar. Pelo menos isso não era mentira.

— Hum... Aqui está o telefone. Pode ligar — diz ele, indo para a cozinha americana.

Pego o telefone e começo a discar, mas antes de concluir a chamada, um estrondo interrompe tudo e as luzes se apagam.

— Aaaaah! — grito, assustada.

— Calma — ouço a voz dele, mas não sei de onde vem. De repente, sinto algo tocar meu braço e volto a gritar.

— Aaaah!

— Calma, p*rra! Sou só eu — diz ele, me soltando.

— Espera um pouco, vou acender a lareira — completa, acendendo a lareira e alguns lampiões, deixando a casa aquecida e bem iluminada.

— Sem energia, não tem como você ligar pra ninguém. Vou pegar um casaco. Vamos ver se consigo rebocar seu carro com minha caminhonete — diz ele, indo até o cabideiro próximo à porta.

— Vamos! — ordena, do seu jeito seco.

Abre a porta, mas logo a fecha com força, xingando:

— Mrda! Mrda!

— O que foi? — pergunto, assustada.

— A chuva virou uma tempestade. Não tem como sair agora — responde, frustrado.

— Eu não acredito nisso... — falo, indo até a porta. Quando a abro, um vento gélido me atinge em cheio, fazendo meu corpo estremecer.

Fecho rapidamente e esfrego os braços, tentando me aquecer. Ele me observa em silêncio, depois caminha até o sofá, pega uma manta e me entrega.

— Toma. E, a propósito, meu nome é Soren — diz ele. Fico sem reação. Até aquele momento, eu sequer sabia o nome dele.

— Obrigada — respondo, pegando a manta.

— Sente-se. Vou fazer um chocolate quente pra você se esquentar... Pelo jeito, essa noite vai ser longa — diz ele, indo até a cozinha, sem me dar chance de responder.



Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.


O viking em minha vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora