Capítulo 8

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 SOREN

Acordo cedo e me viro na cama, observando Mikaela dormindo agarrada ao travesseiro.

A noite passada foi maravilhosa, o que me assusta. Para ser sincero, fiquei até aliviado quando ela adormeceu logo depois da nossa transa — não saberia o que dizer se ela perguntasse o que aquilo significou. Nem eu mesmo sei explicar o que senti ao estar com ela.

Levanto com cuidado para não acordá-la, faço minha higiene rápida e passo na cozinha para colocar comida e água para o Thor. Dou a ele um brinquedo e sigo para o escritório.

Assim que ligo o computador, começo a ler e-mails, tentando colocar os pensamentos no lugar.

O telefone vibra. É o Erick. Atendo.

Ligação ON:

Soren: O que você quer?

Erick: Esse é jeito de atender seu irmão querido, brutão?

Soren: Sem brincadeira, Erick. Fala logo.

Erick: Já viu o e-mail sobre os rendimentos da empresa e as novas propostas de passeio?

Soren: Ainda não, mas vou ler hoje.

Erick: Ótimo. Me manda a resposta até amanhã. Ah, e você falou com a mãe? Ela está surtando com esse seu sumiço.

Soren: Falei ontem. Acalmei o drama dela, como sempre. Parece que morar em Flam é o fim do mundo.

Erick: Você sabe como é, né? Ela quer os filhos todos debaixo da asa. Mas enfim, me responde até amanhã. Tchau, brutão.

Soren: Tchau.

Ligação OFF.

Coloco o celular na mesa e volto ao trabalho.

MIKAELA

Acordo sentindo um vazio na cama. Soren não está. Respiro fundo, me levanto, e procuro por ele no quarto — nada.

Pego minhas coisas no quarto de hóspedes e vou ao banheiro. Depois de me arrumar, cruzo com o Thor no corredor, brincando com seu osso de borracha.

— Bom dia, garotão! — digo, fazendo cafuné nele. Ele se deita no chão, aproveitando o carinho.

Passo na cozinha: vazia.

Olho no armazém: nada também.

Resolvo parar de procurar. Meu estômago ronca. Faço sanduíches simples para enganar a fome e, após comer, decido preparar uma lasanha para o almoço. Depois de colocá-la no forno, vou até a janela.

Lá fora, a tempestade passou. O tempo está apenas nublado, e a neve começa a derreter. Talvez amanhã eu consiga ir embora. Volto a pensar na noite passada...

Soren. Aquele homem tem uma espada e tanto... e sabe usar. Rio sozinha com meus pensamentos.

— Que cheiro gostoso é esse? — ouço a voz dele me puxando de volta à realidade.

Viro-me. Ele está só de calça de moletom, com óculos de grau. Como pode ficar ainda mais sexy?

— Você me ouviu? O que está fazendo que está tão cheiroso assim? — pergunta.

— É a lasanha. Deve estar pronta. — respondo indo verificar o forno.

Ele me observa, esperando talvez alguma pergunta, algum questionamento. Mas não faço nada disso.

Tiro a lasanha do forno, coloco na bancada, pego pratos, copos, talheres, salada e refrigerante. Arrumo tudo para o almoço.

— Vai almoçar agora? — pergunto, lavando as mãos.

— Vou. — responde, indo até a pia.

Nos sentamos e começamos a comer em silêncio, até eu quebrar o clima:

— Estava olhando pela janela... Se amanhã a neve derreter, posso ir ver meu carro e voltar pra casa.

Ele se levanta de repente, quase derrubando o banco. Pega os pratos e vai para a pia.

— Se derreter, eu ligo para o Aron, vejo seu carro e te levo embora. — fala, lavando os pratos.

— Agora vou responder uns e-mails. Pode ficar à vontade. — diz saindo, sem me dar tempo de responder.

Fico parada por um tempo. Depois pego um livro na estante: Paulo, Amor e Gratidão, da Laura Fisher. Levo para o quarto e me jogo na cama, deixando que a leitura me leve para outro mundo.



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