Capítulo 5

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MIKAELA

Acordo com o cheiro maravilhoso de café invadindo o quarto. Me levanto, faço minha higiene pessoal e, guiada pelo aroma, sigo até a cozinha.

Quando chego lá, vejo Soren mexendo em algo no fogão. Mas, sinceramente? Esqueço o gostosão cozinhando assim que avisto uma caneca fumegante sobre o balcão.

Ai, ai... como eu adoro café. Não sou ninguém sem ele de manhã — penso, pegando a caneca e tomando um gole, soltando um suspiro de prazer.

— Já vi que gostou do café, mas podia pegar uma xícara pra você, né? Essa é a minha — diz ele, colocando pedaços de bacon num prato.

— Deixa de ser chato, eu tô com fome. Tem o quê pra comer? — pergunto, dando a volta no balcão pra bisbilhotar.

— Já te disseram que você é muito folgada? Mal nos conhecemos e já quer mandar na minha casa — ele fala, me olhando de cima a baixo.

— Claro que já disseram, mas eu não ligo. E já que sou hóspede, você tem que me alimentar bem — digo, pegando uma espátula e virando os ovos no fogão.

— Eu podia muito bem cobrar essa hospedagem — murmura, se aproximando e me prendendo entre ele e o fogão.

— Opa! Aí, He-Man, pode me soltar! — digo, me virando... e dando de cara com aquele peitoral maravilhoso. Ai, Nossa Senhora das Calcinhas Molhadas...

— Sai da frente, Soren. Eu tô com fome! — empurro ele, tentando resistir à tentação em forma de homem.

— Eu também tô com fome... mas não de comida — ele diz, com aquele olhar de tarado charmoso.

— Pode parar por aí. É assim que você trata todo mundo que aparece pedindo ajuda na sua porta? — rebato, pegando um prato em cima do balcão.

— Não. Me desculpa... é que você é uma tentação vestida desse jeito — diz ele, apontando pra minha roupa.

É nesse momento que percebo: estou de camisola. Não exatamente a mais comportada. Arregalo os olhos e saio correndo em direção ao quarto para trocar de roupa.

Depois de trocar de roupa, arrumo minhas coisas, coloco tudo na mochila e levo para a sala. Ao voltar à cozinha, vejo o balcão todo arrumado com o café da manhã e Soren já sentado, tomando café. Me sento ao lado dele e começo a comer em silêncio.

— Desculpa... não queria ser grosso com você — diz ele, um pouco sem jeito.

— Sem problema. Eu que estava errada por estar vestida daquele jeito na sua casa — respondo, encerrando o assunto com um gole de café.

— Agora que a energia voltou, você pode ligar para o reboque — diz ele, se levantando.

— Sim, vou fazer isso — respondo, me levantando também e indo até o telefone fixo.

Tento discar, mas nada.

— Sinto muito, mas a linha telefônica deve ter sido atingida pela tempestade. Vou tentar com meu celular — diz ele, indo em direção aos quartos.

Alguns minutos depois, ele retorna com o celular no ouvido, falando com alguém.

— Certo, Aron. Vou avisar a ela, e quando for possível vamos até aí buscar o carro — escuto ele dizer, antes de desligar.

— Tenho duas notícias: uma boa e uma ruim. Qual você quer primeiro? — pergunta ele.

— A boa — respondo, sentando no sofá.

— Seu carro já foi rebocado e está na oficina do Aron, esperando você aparecer.

— Ótimo! E a ruim?

— Devido à tempestade de neve, os caminhos estão fechados. E a rede telefônica foi cortada — diz, sério.

— Mas... tem como ir a pé?

— Bom, se quiser virar um picolé, fique à vontade — diz ele, apontando para a janela.

Vou até a janela. A nevasca continua forte e já tem um acúmulo enorme de neve. Dificilmente conseguiríamos abrir a porta.

O que eu vou fazer agora? — penso alto, desanimada.

— Bom, você pode ficar aqui até a tempestade passar. E sugiro que entre em contato com alguém pra avisar que está bem, pra ninguém ficar preocupado — diz Soren, atrás de mim.

Saio de perto da janela e vou até a mochila. Pego meu celular e o carregador.

— Onde posso carregar?

— Tem uma tomada em cima da lareira e outra do lado da mesinha, perto do sofá — responde, apontando.

Decido colocar o celular pra carregar na tomada da mesinha.

— O que posso fazer pra ajudar? Não me sinto bem ficando aqui sem colaborar com nada — digo, me sentando em frente à poltrona onde ele está.

— Bom, não tem muita coisa a fazer. Só cuidar da alimentação e verificar as madeiras da lareira.

— Então deixa que eu cuido da comida e dos pratos. Você fica com a parte das madeiras — proponho.

— Por mim, tá ótimo. Vamos até a cozinha que te mostro onde ficam as coisas — diz ele, se levantando.

O sigo até a cozinha. Ele me mostra onde estão os utensílios, os ingredientes e a despensa. Depois, começo a lavar os pratos do café da manhã enquanto ele seca ao meu lado.



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