CAPÍTULO 4

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SOREN

Olho para Mikaela sentada no sofá enquanto preparo o chocolate quente. Está muito frio.

Não posso negar: ela é uma bela mulher. Em outras circunstâncias, eu estaria completamente atraído por ela — de quatro, como dizem. Mas, depois do que passei, namorar está fora de cogitação. No máximo, uma f*da sem compromisso... porque, né, eu também tenho minhas necessidades.

Coloco o chocolate quente na caneca e pego alguns waffles que tinha feito pouco antes dela aparecer na minha porta. Levo tudo para a mesa de centro, perto dela.

— Obrigada! — diz, pegando a caneca e tomando um gole.

— Que delícia! Onde você comprou? Preciso levar alguns para o chalé onde vou ficar — comenta, mordiscando um pedaço.

— Não comprei. Fui eu que fiz — respondo.

Ela me olha com aquela cara de quem claramente não acredita.

— Hum... hum... — murmura, olhando para os waffles e depois pra mim.

— O quê? Tá achando que não sou capaz de fazer isso, é? — retruco, com a grosseria costumeira. Me levanto, irritado. Não sei o que tem nessa mulher, mas ela consegue tirar meu lado ogro do armário em dois segundos.

— Mas tu é grosso assim mesmo, ou é só comigo? — pergunta, parando de comer e cruzando os braços.

Não respondo. Apenas caminho até a janela para observar o tempo. Está ainda pior: a tempestade engrossou e agora começou a nevar forte.

— Ei, cara, não vai me responder, não? — ela cutuca minhas costas.

Me viro e olho para ela. Não é uma mulher baixa, mas, perto dos meus 2,05 metros, parece pequena. Ao perceber que estou encarando, ela recua um passo, coloca a mão na cintura e me encara séria.

— Tá olhando o quê? Que eu saiba, você não perdeu nada aqui — dispara.

— E eu que sou o grosso, né? — provoco só pra irritar.

— Mas você é grosso! O que tem de bonito, tem de estúpido — diz ela, e logo cora ao perceber o que falou.

— Hum... então você me acha bonito — falo, arqueando uma sobrancelha.

— Acho. Mas também acho que o que você tem de bonito tem de idiota. Se não fosse essa tempestade, eu já teria ido embora — rebate, séria.

— Então vamos dormir. Tomara que amanhã o tempo melhore e a energia volte, assim você pode sair da minha casa — digo, me virando para o corredor.

— Eu não queria...

— Vamos — corto antes que ela continue. — Vou te mostrar onde fica o quarto de hóspedes e o banheiro.

Abro a primeira porta à esquerda.

— Esse é o banheiro. Tem toalhas limpas e escova de dentes dentro daquele armário ali — explico, apontando.

Depois abro a porta à direita.

— Esse é o quarto de hóspedes. Fique à vontade.

Entrego a ela um lampião.

— E se precisar de algo, meu quarto é a última porta do corredor.

— Obrigada... e boa noite — diz ela, mais calma.

— Boa noite — respondo, saindo e fechando a porta atrás de mim.

Caminho até meu quarto e me jogo na cama.

— Pelo jeito, a noite vai ser longa...

MIKAELA

— Não acredito que falei que aquele ogro é bonito. Agora ele deve estar se achando. O ego foi pra lua! — murmuro, pegando uma muda de roupa da mochila.

Mas, verdade seja dita... ele é bonito. Alto, musculoso na medida certa e ainda com aquele ar de viking saído de algum filme nórdico. Só falta ser bem dotado, e aí... meu Deus do céu, tô parecendo a Alika, que só pensa em S.E.X.O!

Rio sozinha e sento na cama.

Depois de algum tempo, decido tomar banho. Pego o lampião e as roupas limpas e sigo para o banheiro. Lá, penduro o lampião no gancho e coloco as roupas em cima da pia. Tiro as roupas do corpo e entro no box, mas assim que ligo o chuveiro, dou um pulo pra trás, gritando:

— Bosta! Assim eu vou congelar!

A água está gelada.

De repente, ouço batidas na porta. Me enrolo rapidamente na toalha e abro uma fresta.

— Oi... tá tudo bem? Escutei um grito — diz ele do lado de fora.

Olho para ele... e quase babo.

Ele veio me socorrer sem camisa, só de calça de moletom.

Fecho a boca rápido, antes que fique visível o efeito que essa visão tem sobre mim.

— Já terminou de me verificar? Agora pode me dizer por que você estava gritando? — ele pergunta, com um sorriso debochado no rosto.

— Seu I.D.I.O.T.A! Eu não estava verificando nada! Só gritei porque a água estava congelante! Agora tchau, He-Man — digo, fechando a porta do banheiro com força, mas ainda consigo ver o sorrisinho se formando nos lábios dele antes disso.

Respiro fundo.

Volto para o banho... ou melhor, um banho de gato. A água está realmente gelada e mal consigo me lavar sem tremer.

Depois, me enxugo o mais rápido que posso e visto a roupa que tinha separado — e, sinceramente, agora que coloco, percebo que talvez não tenha sido a escolha mais apropriada pra casa de um desconhecido. Mas era a única limpa e minimamente confortável.

Abro a porta com cautela, só o rosto para fora, como quem espia um campo de guerra. Soren não está mais no corredor, então aproveito para sair em passos rápidos até o quarto de hóspedes.

Assim que entro, fecho a porta e encosto nela, soltando o ar.

Guardo minhas coisas, me deito... e, em poucos minutos, já estou nos braços de Morfeu




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