Capítulo 20

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No hospital, a tensão era palpável. Mikaela e Alika aguardavam do lado de fora da sala de trauma, os olhos fixos nas portas que se fecharam atrás da equipe médica. O silêncio entre elas era cortado apenas pelo som distante das sirenes e pelos próprios batimentos acelerados.

O cheiro de desinfetante e café frio impregnava o ar. Lá fora, a neve batia contra os vidros como se o mundo estivesse chorando com elas.

Dentro da sala, Erin lutava pela vida, mas a hemorragia interna e as lesões severas a consumiam rapidamente. A equipe médica fez tudo o que pôde, mas a verdade era dura: Erin não resistiria.

Pouco depois, o médico responsável saiu da sala, o rosto sério e cansado.

— Infelizmente, ela não resistiu. Tentamos tudo, mas as lesões foram graves demais — disse, encarando Mikaela e Alika com pesar.

O chão pareceu desaparecer sob os pés de Mikaela. Um misto de alívio, tristeza e confusão tomou conta dela.

— E... sobre o que ela falou? Ela disse algo importante? — perguntou, com a voz trêmula.

— Sim — respondeu o médico. — Apesar do estado, ela tentou dizer algumas coisas desconexas. Mas uma delas foi clara: "Não foi só para ele... para proteger a verdade... não confie nela."

Mikaela engoliu em seco. O que Erin queria dizer?

Mais tarde, enquanto revistava os pertences deixados por Erin, Mikaela encontrou um caderno escondido no fundo da bolsa. As páginas estavam cheias de anotações reveladoras: mentiras, planos de manipulação e a verdadeira intenção por trás de tudo. Erin nunca amou Soren. Só queria destruí-lo. A história de noivado? Uma invenção para afastá-los, motivada por ciúme e ganância.

As peças, enfim, se encaixavam.

Naquela mesma noite, Soren chegou ao hospital, o coração apertado e o rosto cortado pela neve. Entrou apressado pela porta de emergência, tentando controlar o desespero.

— Ela está viva? — perguntou à recepcionista, a voz embargada.

— Foi admitida há pouco, senhor Anderson. Sala de trauma dois. O estado é grave — respondeu a mulher, com um olhar de compaixão.

Soren cruzou o corredor iluminado artificialmente, passando por enfermeiros apressados, sentindo a angústia apertar como uma mão no peito.

Na sala de espera, encontrou Mikaela e Alika. Ambas estavam pálidas, os olhos vermelhos.

— Mika — chamou, aproximando-se.

Ela o olhou, as lágrimas prontas para cair.

— Soren... Erin não resistiu. Morreu há pouco. — A voz dela se quebrou no meio da frase.

Ele segurou suas mãos com força, sentindo a dor compartilhada.

— Eu fiquei sabendo das coisas que ela falou... que mentiu para nos separar — disse Mikaela, entregando-lhe o caderno com as anotações.

Soren leu em silêncio, linha por linha, absorvendo cada revelação com um nó na garganta.

— Ela queria destruir a gente... mas não vai conseguir.

Mikaela respirou fundo, tentando conter a emoção.

— Soren... — Ela hesitou, procurando palavras. — Eu estou grávida.

O tempo pareceu parar.

Soren ficou imóvel por alguns segundos, tentando processar. Depois, seus olhos marejaram.

— Um filho nosso... — sussurrou ele, quase sem voz.

Ela sorriu, as lágrimas agora correndo sem medo.

— Sim. Um bebê que vai unir a gente, não importa o que aconteça.

Ele a puxou para um abraço apertado, como se quisesse protegê-la do mundo inteiro.

Do lado de fora, a nevasca finalmente começava a cessar. Pela primeira vez em semanas, Mikaela acreditava que o sol poderia aparecer.

O viking em minha vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora