capítulo 16

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Erin

Aquele maldito!

Não acredito que o Soren não caiu na minha conversa. Logo ele, que foi um trouxa nas minhas mãos por tanto tempo. Mas parece que o idiota cresceu espinha e ganhou alguma dignidade.

Mas se ele acha que vou sair daqui com as mãos abanando, está muito enganado.

Olho em volta da cabana. Lembro que, na casa da cidade, ele costumava esconder uma cópia da chave num dos jarros.

— Será que aqui ele continua tão previsível?

Começo a levantar cada jarro com cuidado. Quando estou prestes a desistir, vejo um pequeno jarro perto da janela. E lá está: a chave.

— Bingo. Agora você vai me pagar, Soren.

Abro a porta e entro sorrateiramente. Percorro os cômodos em busca do escritório. Se ele não mudou os hábitos, deve ter um cofre em algum lugar.

Reviro gavetas, armários, até encontrar um cofre embutido dentro do guarda-roupa.

— Merda... ele trocou a senha. — sussurro, frustrada, após tentar todas as combinações que conhecia.

Começo a vasculhar a cabana em busca de qualquer coisa de valor. Encontro dois relógios Rolex e uma guitarra caríssima. Guardo os relógios na bolsa e levo a guitarra até o carro.

Mas ainda estou com fome. Volto para dentro da cabana e encontro pão de forma e queijo na geladeira. Decido preparar um sanduíche.

É nesse momento que o telefone fixo da cabana começa a tocar. Um sorriso brota nos meus lábios.

— Que surpresa boa... — murmuro, atendendo.

Ligação on:

Erin: Alô, quem fala?

Mikaela: Quem fala é Mikaela Erickson. Gostaria de falar com o Soren.

Erin: No momento, meu noivo não pode atender. Deseja deixar um recado?

Mikaela: Seu... noivo?

Erin: Isso mesmo. Meu noivo. Agora, por favor, não ligue mais para a casa dele.

Mikaela: Eu...

Ligação off.

Desligo antes que ela termine. Retiro o telefone da tomada com um sorriso satisfeito. Agora sim, o circo está armado.

Termino de fazer o sanduíche, como calmamente, pego minha bolsa... e sumo da cabana como se nada tivesse acontecido.

Mikaela

Eu não posso acreditar... ele fez isso comigo. — digo com a voz trêmula, ainda segurando o telefone.

— O que aconteceu, amiga? Você está pálida — pergunta Alika, se aproximando.

— Liguei para a casa do Soren... uma mulher atendeu, disse que era noiva dele.

Alika arregala os olhos, pega um copo com água e me entrega.

— Toma isso. Você precisa se acalmar. Vai fazer mal pra você e pro bebê.

— Eu... não consigo. Eu me senti tão idiota, Ali. Tão traída...

— Calma, Mika. Você não sabe se isso é verdade. Pode ser armação. Você tentou ligar de novo?

— Tentei. Caiu direto. Ninguém atende nem no celular, nem no fixo.

Alika tenta ela mesma. Nada. O mesmo silêncio do outro lado.

— Realmente, não atende. Mas, amiga, não toma isso como verdade ainda. Vamos descobrir o que está acontecendo. Mas você precisa manter a calma — diz Alika, segurando minhas mãos.

— Eu não consigo ficar parada. Eu preciso ir atrás dele. Preciso ouvir isso da boca dele. Olhar nos olhos dele.

— Então vamos. Mas você não vai dirigir. Me dá a chave — Alika pega sua bolsa e segue comigo para fora da sala.

Ao sair, damos de cara com Andreas, parado na recepção.

— Oi Mika, vim falar com você.

— Agora não dá, Andreas. Quando eu voltar, a gente conversa.

— Vamos, Mika — diz Alika.

— Andreas, faz um favor. Cuida do estúdio pra mim até eu voltar, tá?

— Tudo bem... mas depois você me conta o que está acontecendo.

Dou um abraço rápido nele e sigo com Alika para o carro.

— Vamos, Alika. Eu não vou descansar enquanto não ouvir da boca dele o que está acontecendo.

— Tudo bem, amiga. Mas pensa no bebê, tá bom? Se acalma. Pode ser só um mal-entendido.

Dou partida no carro com o coração acelerado, a mente girando e uma única certeza: essa história precisa de um fim.



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