Capítulo 10

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Depois de nos recuperarmos, tomamos banho juntos e voltamos para a cozinha para, finalmente, tomar o café da manhã.

— Vou colocar o bacon e os ovos no micro-ondas pra esquentar — disse Soren, pegando o prato.

Aproveitei para trocar o café frio por um fresco. Liguei a cafeteira enquanto organizava as xícaras no balcão. Poucos minutos depois, sentamos lado a lado, finalmente comendo em paz.

— Onde está o Thor? Não vi ele hoje — perguntei, cortando um pedaço de queijo.

— Está na casinha dele, no armazém — respondeu Soren, tomando um gole de café.

— Mas você deixa ele trancado lá? Coitado!

Ele me olhou com um sorriso debochado.

— Ele entra e sai quando quer, tem uma portinha só pra ele. — E então me deu um selinho.

Sorri, mas minha mente rodava. Esse homem é mais confuso que a meteorologia da Noruega: um dia mal fala comigo, no outro parece apaixonado. Vai entender.

Depois do café, lavei os pratos enquanto ele enxugava. Estávamos quase terminando quando o telefone tocou e ele saiu para atender.

Terminei de limpar tudo e já ia sair da cozinha quando me assustei com Soren parado na porta, me encarando.

— Quer me matar de susto? — falei, colocando a mão no peito. — Custava fazer um pouco de barulho?

Ele continuava sério.

— O que foi? Por que tá me olhando assim?

— O Aron ligou. Seu carro já está pronto e... a estrada foi liberada — disse, me abraçando.

— Sério? Ele falou o valor do conserto?

Soren se afastou, e sua expressão mudou.

— Você parece feliz por poder ir embora, né?

— Eu... — Mas antes que eu pudesse continuar, meu celular tocou.

Ligação ON

Oi, Alika.

Oi Mika, você precisa voltar agora.

O que aconteceu? Tá me deixando nervosa.

Estou no hospital com sua mãe. O Andreas... Seu pai sofreu um princípio de infarto. Mas foi socorrido a tempo, ele tá bem. Vai precisar ficar internado por alguns dias.

Meu pai? Não acredito... Mas ele está bem mesmo, né? Não tá mentindo pra mim?

Não tô, amiga. Só vão observar pra ver se ele vai precisar colocar um stent.

Vou arrumar minhas coisas e sair agora mesmo.

Vai com calma na estrada. Tchau.

Obrigada por estar com eles, Aly. Tchau.

Ligação OFF

Me sentei no sofá, e as lágrimas vieram. Soren apareceu rápido, sentando-se ao meu lado e me abraçando.

— O que aconteceu?

— Meu pai... ele está no hospital.

— O quê? O que houve?

— Sofreu um princípio de infarto.

Ele sumiu por alguns segundos e voltou com um copo.

— Bebe, minha mãe dizia que água com açúcar acalma.

Tomei em um gole só.

— Preciso arrumar minhas coisas. Você pode me levar até a oficina?

— Posso sim. Vou só colocar comida pro Thor e pegar um casaco.

Subi para o quarto. Peguei a mochila, separei minhas roupas, meu equipamento, calcei minhas botas e desci. Soren já me esperava.

— Tá pronta?

— Sim.

— Então vamos.

Ele me ajudou a vestir o casaco e seguimos para a caminhonete. O silêncio durante o trajeto foi quase um alívio. Eu não tinha energia pra conversas.

Chegamos à oficina.

— Bom dia, Aron. Essa é a Mikaela, dona do carro — disse Soren.

— Prazer em conhecê-la, Mikaela — disse ele, me lançando um sorriso e uma piscadela.

— Prazer. Onde está meu carro? — perguntei direto, cortando qualquer clima.

— Aqui dentro. Sigam-me.

Quando íamos entrar, o celular de Soren tocou.

— Vai indo. Quando terminar a ligação, eu entro.

Sozinha, entrei na oficina e vi meu carro — parecia novo.

— Gostou do conserto? Tá novinho em folha — disse Aron.

— Sim, ótimo trabalho. Quanto ficou?

Ele foi até o balcão e me trouxe uma nota. O preço era justo, menor do que eu esperava.

— Aceita cartão?

— Sim. Vamos até a recepção.

Paguei, peguei o recibo e a chave reserva. Quando saí, Soren já me esperava do lado de fora.

— Já terminou?

— Sim — disse, com a chave na mão.

Entrei no carro, dei a volta e parei em frente à oficina para me despedir.

Saí do carro e o abracei.

— Vou sentir saudade de você — disse, apertando meu peito contra o dele.

— Eu também vou. Mika... a gente precisa conversar. Surgiu um problema, mas assim que resolver, te ligo. E me liga quando chegar, quero saber se está bem.

— Tudo bem. Eu ligo. — O puxei para um beijo.

Me afastei, sentindo meu coração pesado. Entrei no carro, liguei o motor e, antes de partir, olhei mais uma vez para ele.

— Tchau, Soren.

— Tchau, Mika. E não esquece: me liga.

— Eu não vou esquecer — prometi.

Dei partida no carro e deixei que uma lágrima silenciosa descesse, porque era impossível sair daquele lugar sem deixar um pedaço de mim.

  

  

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O viking em minha vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora